Mostrar mensagens com a etiqueta Budismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Budismo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ao Cumprir da Noite











博多千年煌夜
















Aventuramo-nos.























Cinco dias no ano, os templos de Hakata abrem as suas portas 
às preces da Noite.























E então faz-se luz...




















...e os Budas ponderam as preces...


















































































































































Rogai por nós












































Ó Santos da Noite,

























Rogai por nós,











































Ó Espíritos d'Outrora...












真言










◉ ◉ ◉














sábado, 7 de maio de 2011

...E agora se me permitem: um minutinho de proselitismo...

Clicar na foto para aumentar e ler melhor


        Já tinha visto este singelo outdoor na vertente sul da muralha do Higashi Hongan'Ji (東本願寺), a imponente 'catedral' do Budismo Shin (浄土真宗 — Jōdo Shinshū, à letra "A Doutrina da Terra Pura"), o ano passado, aquando da minha passagem por Kyoto pela mesma semana de Maio, e recordo-me de, na altura, me ter demorado muito tempo a olhar para o dito...

           Por sinal ainda lá está.

        Bom... Se fosse eu o director de campanha desta causa — ocorreu-me — optava antes por pôr umas miúdas giras a distribuir prospectos à porta da sé, com a mensagem e o programa bem explicadinhos.  Mas isto sou eu. 


✺✺✺

domingo, 23 de janeiro de 2011

Um Lugar Em Paz... (IV)





























西教時 — Saikyō-Ji, 22.01.2011



  Ao passar por lá ontem a meio da tarde, apercebi-me que era a primeira vez que via o Saikyō-Ji sob o azul do céu.

  Todo o bairro de estreitas vielas e casas de um-só piso térreo em redor do Shofuku-Ji [福寺] — do qual o Saikyō-Ji é templo-satélite — jazia envolto num sepulcral silêncio, coisa estranha neste lugar, mesmo num Sábado à tarde, e ainda que este 'nagare' seja dado à mais imperturbável pacatez, que preserva por apanágio.


    E não se via vivalma, fosse qual fosse a direcção que o olhar tomasse...













     Por ali passava ontem, por mero acaso.

       O portão do Saikyō-Ji estava aberto.

    Defronte do Saikyō-Ji há uma velha loja de esquina, espécie de mercearia de bairro cujos simpáticos, idosos donos albergam uma enorme família de gordos e amistosos gatos que passam os dias a vaguear entre a pequena loja e a vizinhança. 

     Ah! Eis, aqui, alguns retratos, 'snapshots' nocturnos dos anafados bichanos, captados em Outubro passado por altura do último Tōmyō, que creio não ter aqui partilhado antes convosco... 





























     Mas, por esta tarde de Sábado, a dita loja fechada estava. E dos felizes felinos nem sombra...


         Porém, o portão do Saikyō-Ji estava aberto.
         Entrei. 

         Ninguém em redor. 

     Na escadaria do Templo, alguns pares de sapatos delicadamente alinhados.

      Detenho-me, por um momento, diante do enorme Kane [鐘 — sino] de bronze sob o peso do elaborado Shōrō [鐘楼] de frisos e traves esculpidas.















Há silêncio.














E eis senão quando, do interior do grande Butsu'den [仏殿] ou Hondō [本堂], oiço cânticos solenes.

Era a hora das orações.




sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Havia Bravura No Branco...







       Hoje, último dia do ano que fecha, passei por Higashi Kōen [東公園], aqui bem próximo do meu baluarte.



     À hora do meu encontro com o majestático Nichiren Daishōnin [日蓮大聖人], a neve já caía, infrene, numa dança bêbeda de lânguidos, rodopiantes, pequenos flocos brancos, cobrindo, exaustos, com seu alvo manto, tudo em seu redor...



      No frio afiado do cair da tarde, o sempre sereno e compassivo Daishōnin parecia hoje mais solene e desafiante que nunca!...
      
      E ao contemplar o altivo e escuro, firme bronze que lhe dá corpo, uma estranha mágoa tomou de assalto o meu peito — por um momento recordei o calor humano de todos quantos mais queridos me são no Mundo, cujo sorriso e abraço fraterno mais falta me fazem e em especial um velho amigo que não vejo há mais de ano e meio.


     O Bernardo é um desses enfermos alucinados que tornam dos países quentes*, como assim os designou Rimbaud nos seus sentidos versos, e que, a exemplo do Grande Bodhisattva Nichiren, optando por se guardar alheio às indulgências dadas de esmola aos que mais cuidam de arrecadar os meios de existir neste mundo efémero das coisas corpóreas que de erguer a vida aos domínios do Império da Alma, insiste em fazer ecoar a voz do Coração aos que ousam parar um minuto que seja a fim de a escutar, enfrentando, nessa escolha, todas as intempéries, toda a fria neve do tempo, todo o sol ardente no deserto da vida feita de compromissos inadiáveis, toda a ventania que arrebata e castiga o sonho. Para que a Nau do Espírito prossiga o seu curso a despeito da tormenta...

      E uma pesada saudade sobre mim se abateu.

   E uns quantos versos de sua pena urgiram largar infrenes contra a neve




"Havia bravura no branco
De um peito onde dormi...

"Fervores na bravura do branco
De um peito onde dormi..."**







Dedicado ao BERNARDO DEVLIN,
que o Novo Alvor te ilumine inteiro, meu Velho!





*J.A. Rimbaud, in  "Mauvais Sang"

**Bernardo Devlin, in  "Novo Alvor [O Canto Da Sala]", 
do albúm "Circa 1999 [9 Implosões]" (ed. 2003)