"Não vos regozijeis, ó homens, com a sua queda. Pois que ainda que o Mundo se unisse e se erguesse para dar cabo do estafermo, a verdade é que a cadela que o pariu está outra vez com o cio..."
Takanabe Susumu (高鍋 進, 35 anos, Prefeitura de Kanagawa [神奈川県], 6º Dan), logrou conservar o título de Campeão Nacional arrecadado o ano passado, desta feita mediante um valente e (aparentemente) categórico 'tsuki' [突] infligido ao adversário enfrentado na final, Higashinaga Yukihiro (東永 幸浩, 34 anos, Prefeitura de Saitama [埼玉県], 6º Dan).
Pelos anos fora, ele há-de haver sempre lugares, rostos, vozes e causas dotados desse condão de reter o melhor dos nossos afectos e vontades, por extensos períodos de tempo e contra a experiência adquirida que teima sempre em recordar-nos que nada é para sempre e que nem tudo o que luz é oiro, mas o bem mais das vezes, e por mais que recusemos aceita-lo, mera jóia de fancaria.
Até ao dia em que se opera de per si, e sem aviso prévio, essa inevitável mudança de perspectiva, e então... aquilo, aquilo que idolatrámos em profunda hipnose, se revela, em toda à sua extensão e inelutável verdade. Máscara que cai, cicatriz oculta, míseros bolsos vazios em traje fino. O rei vai nu.
Por mais que os anos passem, não há como aprendê-lo, e o amestrar do olhar exigente e escrupuloso é tarefa ingrata. Sempre. Até à cova.
Antes disso ainda tive a felicidade de os ver live num pequeno clube em Tóquio, em Abril do mesmo ano. Devo dizer que o espectáculo não me impressionou nem pouco-mais-ou-menos por aí além (de uma banda em fim-de-digressão, afogada em jet lag, a despachar temas de um único album, o de estreia, como quem acaba de limpar a casa ao fim do dia e está mortinho por uma boa noite de sono, que mais esperar?...) mas nem assim, por um instante, duvidei estar perante um jovem trio-que-é-quarteto dotado de uma das melhores químicas sonoras das últimas duas décadas...
Agora expliquem-me lá os doutos titulares das cátedras do costume, nestas coisas pouco ou nada academicamente relevantes, onde está o mal desta rapaziada na casa dos vinte e poucos usar e abusar de riffs, linhas de baixo e synth-string arrangements que nos remetem, inevitável e invariavelmente para as mesmas referências de sempre — Joy Division, Wire, Chameleons, Echo & The Bunnymen, Teardrop Explodes, Cure '82 ou mesmo uns Ultravox! (fase John Foxx|"Systems Of Romance") ou uns Duran Duran (1981-'85)... Quem aqui não tenha pecado, que atire a primeira pedra... (e bem sabeis de quem vos falo...)
O Rock é mesmo assim: o mesmo jogo com o mesmo baralho de sempre, as mesmas cartas baralhadas um cento de vezes e tornadas a dar, com que os mesmos truques e míseras batotas prestidigitadas um, dois, outros três centos de vezes, se apresentam e sucedem perante os que nunca se import(ar)am de ser ludibriados — até gostam! —, porque o que interessa é tão-só a emoção do jogo e nunca a sua originalidade. Os mesmos clichés reciclados até à exaustão? Claro que sim! Mas que os reciclem com pinta!
'The rest's the same ol' white lies...'
(Oh! E quem me dera ter outra vez dezoito anos e poder estar numa banda assim...)