É assunto que, por diversos motivos e ordem de razão, tenho evitado trazer até este espaço, onde considerações em matéria de política e, em particular, de política internacional e em especial no que ao Japão e à Ásia Oriental se refere, não constituindo propriamente tabu para mim e não entendendo, eu, ser impróprio da minha parte abordar tais matérias neste blogue, em qualquer recurso não constitui território de escrita que colha a minha preferência — porque não sou analista nem nada que se pareça, não nutro quaisquer aspirações a liderar opiniões seja em que capítulo for, não domino, nem pouco mais-ou-menos, com absoluta segurança as questões em apreço neste campo e, quanto muito, limito-me, na posição geográfica, social e cultural em que me encontro, a reter, num lugar de espectador 'privilegiado' (enquanto gaikoku'jin*, como português e como 'ocidental') de uma certa realidade, a abundante informação que diariamente diante de meus olhos desfila. O que, naturalmente, confina a minha liberdade de acção neste foro a uma moldura sobremaneira estreita.
E a prová-lo: os principais meios de comunicação social de cá, não cessam de dissertar sobre o tema. Temos, por um lado, um Mainichi Shin'bun [毎日新聞], jornal de primeira importância no espectro mediático nipónico, tradicionalmente alinhado à Direita e manifesta e abertamente partidário de reformas constitucionais que permitam ao Japão, num futuro vindouro, resgatar a plenitude da sua soberania, mormente no tocante às responsabilidades em matéria de defesa nacional, a publicar a um ritmo quase-diário artigos bastante elucidativos no que concerne a um certo 'estado de espírito' latente no País do Sol-Nascente e entre a sua vizinhança — este e este, e este e mais este, entre alguns exemplos mais expressivos — a respeito destas sensíveis matérias, e o certo é que o seu secular nemesis, o Asahi Shin'bun [朝日新聞], tradicionalmente alinhado à Esquerda e sobremaneira crítico de uma certa re-militarização do Japão, por estes dias, não pretendendo dar eco ao seu rival, reconhece contudo a mudança de paradigma dos tempos que se avizinham, para não dizer do 'tempo em que vivemos'.