segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A Jóia da Ilha









     Quinta-feira, 10 de Fevereiro, véspera do Kenkoku Kinen-No-Hi, oportunidade para uma visita a um dos lugares de maior interesse em Fukuoka: o Museu Nacional de Kyūshū (九州国立博物館 — Kyūshū Kokuritsu Hakubutsukan) em Dazaifu [太宰府], edifício aberto ao público em Outubro de 2005, casa de um importantíssimo espólio cultural e palco de inúmeras exposições itinerárias de grande destaque.
  O motivo primeiro desta mais recente visita ao Museu Nacional em Dazaifu foi precisamente uma chance única de apreciar uma importante colecção de originais de Van Gogh e outros impressionistas seus contemporâneos, de passagem por este canto remoto do Mundo. Porém, não obstante o protagonismo do evento, foi o próprio edifício deste novíssimo Hakubutsukan o ponto da visita que mais tempo haveria de consumir a este meu  último périplo por Dazaifu.








     Edifício de magnífica concepção e contornos, o Kyūshū Kokuritsu Hakubutsukan é uma verdadeira jóia, delicadamente inserida na paisagem circundante, não obtsante a sua altiva modernidade e imponência. 
    Um marco de orgulho para as gentes deste Japão ocidental, menos exposto às luzes da ribalta que, com maior frequência, brilham sobre Tóquio, Osaka, Kyoto e outras cidades de superior nomeada.

      Lugar de peregrinação obrigatória para todos quantos um dia se dignem por aqui passar.


      Aqui ficam os retratos.


     Boa semana!


     でわまた!











































































































































































































































Eu, aprendiz de calígrafo, me confesso... (III)


Shodō — 書道 — da semana:




節操

— Se'sō | Sessō —


"Integridade"




(não necessariamente a palavra,
mas sim o conceito,
que muito aprecio)







sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

11.02: Kenkoku Kinen-No-Hi — 建国記念の日 — Dia da Fundação Nacional





     Reza a tradição, assente no Nihon-Shoki — 日本書紀 — que no 1º dia, do 1º Mês do Ano do Galo, Era de Xin'Wei [辛未— Kanoto Hitsuji, em Japonês] — 660 AC —, pela ascensão, ao trono de Yamato, do Ten'O Jinmu [神武天皇], 1º Imperador do Japão, descendente directo de Amaterasu-Ōmikami [天照大御神 — Deusa do Sol], Pai da mais antiga e incorrupta dinastia reinante na Terra, foi formalmente estabelecido o Império do Sol, esse Nihon ou Nippon [日本] que os NanBan do Século XVI da nossa Era, conheceram — primeiro por intermédio das crónicas de Marco Polo, que nunca chegou a visitá-lo, a esse último Reino a Oriente, dando dele descrição somente com recurso a fontes orais que contactara na China de Kublai Khan — e apresentaram ao Mundo primeiro como Cipango ou Chipangu — provavelmente derivado do Chinês Jih'pen'guo ('Terra Onde Nasce O Sol") — e posteriormente transmutado para Iapan, Iapao, Japao, Japan e todas as demais corruptelas que lhe atribuíram novo nome a Ocidente.  

Cartaz invocativo da celebração dos
2600 anos da fundação
da Dinastia de Yamato
 — 1940 —

      Aquando do estabelecimento desta data como Dia da Fundação Nacional do Japão,   no início da Era Meiji [明治時代], 1872, a mesma coincidia com o início do Ano Lunar Chinês, ou seja o dia 29 de Janeiro desse ano. Contudo, e contrariamente ao esperado, o Governo Imperial cedo verificou que o Kenkoku Kinen-No-Hi [建国記念の日], era entendido pelo grosso da população apenas como se tratando do dia de Ano Novo, de acordo com as antigas tradições do país, e não o identificava com a pretendida invocação simbólico-patriótica.
     Assim, o Dia Nacional do Japão passaria a ser celebrado todos os anos a 11 de Fevereiro.
  Na sua designação original, esta data era celebrada como Dia do Império [紀元節, Kigensetsu] 
     A data seria abolida com o derrota de 1945 , e veio a ser reinstituída em 1966, sob a sua designação actual, Kenkoku Kinen-No-Hi [建国記念の日], Dia da Fundação Nacional. 


    Hoje, uma vez mais, saudamos Yamato com um sentido "万歳" — "BANZAI!"







Ano 15 de Shōwa 
— 昭和15年—
(1940)
Cerimónias de celebração dos
2600 Anos da Dinastia de Yamato





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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Enseada

Fukuoka — 福岡 — 9.6.2010





















E mesmo entre os destroços de outras naves — de outras vidas 
— que te assolam as margens —
Toda Tu és Luz 
E Céu
E Sonho
No reflexo das águas.
































Fotos: NBJ, 06.2010









"Streets damp and warm
Empty smell metal
Weeds between buildings
Pictures on my hard drive
But I'm the luckiest guy
Not the loneliest guy..."



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Relax! Para o Ano é do Dragão...









Uh...Aaaaah!...
(Brian de Palma version)


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domingo, 6 de fevereiro de 2011

アカシアの雨がやむとき / Quando Cessa A Chuva Entre As Acácias...





(Este pertence, por uma questão de método, à série intitulada Capítulos Omissos, uma vez que iniciei a respectiva redacção há alguns meses, por altura da realização de vários debates, aqui no Japão, em torno do tema do "ANPO", como ele é aqui conhecido desde a da sua celebração, e pela altura em que se assinalavam 50 anos sobre a assinatura do dito — Maio de 1960.  Por uma série de razões pu-lo de parte na altura. Hoje, Domingo, 6 de Fevereiro, ao escutar, por mero acaso, o tema musical que dá o título a este escrito, lembrei-me de o retomar. Até porque num tempo em que proliferam os levantamentos de rua noutras paragens do nosso Mundo, o tema ganha novo fôlego enquanto referência de outras experiências que a memória colectiva tende a displicenciar, virtude do discreto e quase-imperceptível passar-dos-anos, das décadas...)


Foto: Hamaya Hiroshi [濱谷浩], Junho de 1960,
da série "A Chronicle Of Grief And Anger"




   Com a aprovação pela Dieta Nacional dominada pelos Liberais-Democratas (Conservadores) do Jimintō [自民党] então liderados por um dos principais artífices do 'milagre nipónico' pós-'45, Kishi Nobusuke [岸信介], o 'mentor' do "Sistema de '55", do mais controverso instrumento político-jurídico adoptado pelo país desde o desfecho da II Guerra Mundial, a jovem democracia nipónica submetia-se em Maio de 1960 ao seu primeiro grande teste.






       Meros quinze anos volvidos sobre a hecatombe de '45, os fantasmas do belicismo de outros tempos conservavam-se ainda demasiado vivos e presentes para serem negligenciados por uma parte significativa da população que não compreendia como podia um país resguardado no mais escrupuloso pacifismo consagrado na Constituição de 1947, se comprometer agora com o recém-reconciliado amigo Americano, o tal que desta feita se assumia como protector de um Japão desarmado, de futuras hostilidades, não obstante tal processo implicar não apenas o reconhecimento da perda de uma significativa parcela da soberania da nação sobre o seu próprio território como a própria re-militarização do país, ainda que a expensas e por meios cedidos tão-só pelo novo Aliado, remetendo-o irreversivelmente para a esfera de influência político-militar deste, e depois de o processo inverso ter sido, paradoxal e unilateralmente imposto pelo seu outrora nemesis. 

         Os protestos "anti-Anpo" — a expressão "Anpo" surgindo enquanto abreviatura da complexa designação  Nippon-koku to Amerika-gashūkoku to no Aida no Sōgo Kyōryoku oyobi Anzen Hoshō Jōyaku (日本国とアメリカ合衆国との間の相互協力及び安全保障条約), Tratado de Cooperação Mútua e Segurança entre os Estados Unidos da América e o Japão , também conhecido no Japão como Anpo Jōyaku (安保条約), contracção do mais extenso Anzenhoshō Jōyaku ( 安全保障条約) —, haviam sido mobilizados por uma frente comum, reunindo partidos de Esquerda — encabeçados à época pelo Partido Socialista do Japão [日本社会党 — Nihon Shakai-Tō] e pelo seu Secretário-Geral Asanuma Inejiro, assassinado em Outubro desse ano — e uniões sindicais várias entre as quais pontificava o Sindicato dos Professores do Japão, e durante cerca de dois meses, entre Maio e Junho de 1960, não houve um só dia em que as ruas de Tóquio e demais grandes cidades do país não fossem palco de monumentais manifestações de repúdio pela ratificação de tão iníquo tratado e de que as câmeras de então não dessem empolgado testemunho, com centenas de milhares de homens e mulheres de todas as classes etárias convergindo a passo firme para os centros políticos do seu país, empunhando cartazes e estandartes onde se liam veementes palavras de ordem de um empenho político-combativo das massas trabalhadoras como nunca antes o Império do Sol-Nascente presenciara.


        Certo é que, uma vez ratificado, o mal-amado Anpo viera para ficar: o Japão não podia viver sem tamanho instrumento legal destinado à sua defesa, e isto simplesmente porque não havia alternativa, num tempo em que a Guerra Fria exigia que tudo e todos se preparassem para o pior que haveria de vir... 


        E ainda que o clima de contestação se prolongasse pela década de 60 adentro, culminado nas violentas acções da extrema-esquerda estudantil — os célebres Zenkyoto/Zengaku'Ren — em 1968-'69, com a improvável tomada de reféns e do campus da To'Dai (Universidade de Tóquio) pelos exaltados estudantes, em finais de '68, nada havia a fazer, num tempo em que se esgotavam as cedências ao extremar de posições. 
      A aventura pistoleira do Nihon Seki Gun [日本赤軍] — versão "Made in Japan" dess'outro Baader-Meinhof ou de umas certas Brigate Rosse, experiências frankensteineanas suas contemporâneas — pela década e meia seguinte adentro, encarregar-se-ia de entoar o canto-do-cisne da militância anti-Anpo iniciada em 1960, num último trágico-cómico acto que a memória comum cuidou de apagar dos seus arquivos.


        Desses dias remotos resta-nos a música, na linda voz da bela Nishida Sachiko [西田佐知子].


           O Anpo? 
           Esse ainda cá canta.




       
        









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Detrás do muro...











...lá estava Ele...











"Nada E, Porém, Tudo"