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sexta-feira, 25 de março de 2011

Eu, aprendiz de calígrafo, me confesso... (V)



Shodō — 書道 — da semana:




威厳


— I'gen —


"Dignidade"




Com Tōhoku no pensamento, aos que lá estão,
dedico este esboço.






❖❖❖



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Eu, aprendiz de calígrafo, me confesso... (IV)







Shodō — 書道 — da semana:





横溢





— Ō'itsu  —

"Exuberância"























(Precisamente, o que dá encanto ao Shodō 
não é  o domínio dos traços ou
o equilíbrio dos bushū*,
mas sim o elemento acidental 
em toda a sua espontânea graça.
Conto, em breve, regressar a este tema.)














segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Eu, aprendiz de calígrafo, me confesso... (III)


Shodō — 書道 — da semana:




節操

— Se'sō | Sessō —


"Integridade"




(não necessariamente a palavra,
mas sim o conceito,
que muito aprecio)







terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Primus Inter Pares — A Mão-Tocada-P'los-Deuses de Takeda Souun




      De novo em redor do papel em branco e da negra, esfíngica Sumi, se há nome que haja nomear entre os que estipulam exemplo de assombro no deslinde das labirínticas estradas do Shodō — 書道 —, um só nome hoje me ocorre: Takeda Souun武田双雲.  

       Aos 35 anos de idade, Takeda é 'o nome'.
      




— Tane —

"Semente"






        «A singularidade da obra de arte é idêntica à sua forma de se instalar no contexto da tradição. Esta tradição, ela própria, é algo de completamente vivo e algo de extraordinariamente mutável. Uma estátua antiga da Vénus, por exemplo, situava-se num contexto tradicional diferente, para os Gregos que a consideravam como objecto de culto, e para os clérigos medievais que viam nela um ídolo nefasto. Mas o que ambos enfrentavam da mesma forma, era a sua singularidade, por outras palavras a sua aura. O culto foi a expressão original da integração da obra de arte no seu contexto tradicional. Como sabemos, as obras de arte mais antigas surgiram ao serviço de um ritual, primeiro mágico e depois religioso. É, pois, de crucial importância que a forma de existência desta aura, na obra de arte, nunca se desligue completamente da sua função ritual. Por outras palavras: o valor singular da obra de arte "autêntica" tem o seu fundamento no ritual em que adquiriu o seu valor de uso original e primeiro. Este, independentemente de como seja transmitido, mantém-se reconhecível, mesmo nas formas mais profanas do culto da beleza, enquanto ritual secularizado »




Walter Benjamin, in "A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica" (1936)







— Hikari —

"Luz"


    Nascido em Kumamoto — 熊本 —, Kyūshū, em 1975,  Takeda Souun武田双雲 —, iniciou a prática do Shodō — 書道 — aos 3 anos de idade sob a orientação de sua mãe, também ela Shodōka — 書道家 —, e desde então nunca mais largou os fude — 筆 — e a sumi — 墨 —, respectivamente, os pincéis e essa insinuante e sedutora  Tinta-da-China de que o Shodō vive.


       E não obstante um promissor percurso académico no foro das ciências e tecnologia, em 2001, o jovem Takeda, então com 26 anos, abandona a sua carreira profissional ao serviço de uma grande empresa do ramo da electrónica, para se dedicar a tempo inteiro à sua vocação de calígrafo. 
         Em 2003 é galardoado com o Longhua'cui Art Award atribuído pelo  Museu de Arte de  Shangai e, daí, o remanescente da seu percurso parece não encontrar limite no seu impulso ascendente: Takeda Souun é simplesmente um génio.


             O absoluto domínio de mão e o absoluto domínio da matéria-prima serão sempre, e em qualquer recurso, qualidades questionáveis, sobretudo num tempo em que a Arte — conceito difuso — o é e se celebra a si mesma enquanto pântano de vaidades.  


             O certo é que Takeda possui ambas
             Isso é seguro. 


             Isso é absoluto.

            





       E muito embora, uma parte ou o todo do que aqui vos proponho aparente ser de uma simplicidade infantil, quase-insultuosa para os que acabam de, desdenhosamente, ler e duvidar do que acima acabo de escrever, arrisco-me ainda assim a afirma-lo de peito-feito: isto é extraordinário.   Isto é raro.

          Isto é Takeda Souun. Lê-se assim  mesmo só-um

          E até o nome magoa.

           
































— Nami —

"Onda"



































A concluir, espreitemos...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eu, aprendiz de calígrafo, me confesso... (II)



Shodō — 書道 — da semana:


慧眼
Kei'gan

"Perspicácia" | "Intuição" 






    Apreciação auto-crítica:  
    O 1º Kanji — 慧, kei — é um sinograma ainda em uso no Japão (VER: nesta lista, 18º grupo [mesmo por cima do texto em Inglês], 1ª coluna [da esquerda], 3º a contar de baixo), mas de pouca aplicação, tanto quanto me foi possível apurar. 
   É, ainda assim, susceptível de surgir, com alguma frequência, em textos clássicos revistos, como o "Kojiki" — 古事記 —, o "Nihon Shoki" — 日本書紀 —, ou no mais nosso conhecido "Hagakure" — 葉隠 —, onde encontrei a expressão objecto deste exercício.
      
    Ainda acerca do 1º Kanji, o elemento que aparenta ser o radical [bushū — 部首] superior do mesmo [kanmuri — 冠] que se assemelha a (ou sugere a ideia de) 'duas antenas de televisão', é raro de encontrar noutros Kanji compostos e é particularmente difícil de 'comprimir' por modo a proporcionar o devido equilíbrio com os restantes radicais ou componentes. Daí este meu ensaio padecer, desde logo, pela inaptidão, da minha parte, em inserir o dito elemento superior do 1º Kanji, de modo a, não lhe retirando a 'identidade', ajusta-lo, proporcionando-o no espaço e no contexto da composição em causa, o que, na minha apreciação pessoal, a posteriori, me parece não ter ficado bem, bem o que era pretendido... 
       
       
       Neste outro exemplo/'ensaio', a mesma dificuldade.



    

    Já os radicais central e inferior no mesmo KanjiKei, 慧 —, em ambos os casos parecem ter ficado bem... O radical inferior [ashi — 脚], 'kokoro' [心], é sempre de difícil execução, virtude do movimento "semi-elíptico", que descreve no traço mais longo que o compõe.  


  No que respeita ao 2º Kanji, em ambos os exemplos, a dificuldade, ou melhor, a imprecisão, da minha parte, prende-se com  o me'hen [目編] ou moku'bu [目部], isto é, o  radical do lado esquerdo (que significa "olho" ou  "visão" [目]), e que, em ambos os casos, deveria ter ficado um pouco mais comprimido, devendo destacar-se a componente da direita.


     Em todo o caso, espero que gostem.

     Aguardo as vossas impressões. ☺






"Oh cheeky cheeky
Oh naughty sneaky,
You're so perceptive
And I wonder how you knew..."

    

domingo, 16 de janeiro de 2011

Eu, aprendiz de calígrafo, me confesso...







Incursões pelo inóspito território do Shodō書道 —, 
ainda a medo e a ver se lhe ganho o jeito...




E a ver, ainda, se um dia destes me acho em condições de aqui anunciar 
"Aceita-se encomendas"...




最後の南蛮人
(Saigo No Nan Ban Jin)

Por ora, hélas, só esboços de um diletante...