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domingo, 11 de setembro de 2011

Seis meses

Imagens do The Telegraph


      Seis meses volvidos sobre o Grande Terramoto de Tōhoku de 11 de Março, como aqui escrevia há dias, há muito — mesmo muito — ainda por fazer
      Porém, é muito — mesmo muito —, também, o que já foi feito até agora: há 3 meses estes eram alguns dos cenários varridos pela devastação de Março.

     Há também novos problemas e novos desafios a enfrentar, em especial a dramática desertificação galopante das áreas sinistradas, e a luta de vários munícipios para travar a dispersão e abandono por parte das populações em fuga das zonas mais afectadas e particularmente ameaçadas pela proximidade dos efeitos nocivos do desastre nuclear de Fukushima
       Registam-se, de igual modo, alguns atrasos graves em matéria de recuperação de certas infra-estruturas essenciais à vida destas comunidades, tais como vias férreas, amplas áreas residenciais, saneamento básico, centros hospitalares, parques industriais que providenciavam trabalho a muitas populações e vitais para a economia local, e a recuperação de muitos pequenos negócios e actividades económicas várias que sempre estiveram no centro da vida das populações de Tōhoku e seriam instrumentais para a revitalização da região, uma vez reestabelecidas e a laborar.

      Mas estes não são motivos para desânimo — recordemos que a área total afectada pelo Grande Terramoto e Tsunami de 11 de Março corresponde, grosso modo, ao todo da costa  de Portugal continental (cerca de 950 ㎞ de extensão), com danos gravíssimos a afectar todo o tipo de estruturas necessárias à vida das populações, a par do que quase parecia antever um gigantesco desastre humanitário —, sendo certo que a recuperação total da região de Tōhoku conta realizar-se num prazo de cerca de 10 anos, com custos orçados em mais de 23 triliões de ¥enes (217 biliões de €uros) e, mais que tudo o mais, Fukushima permanece na ordem do dia.


      Firme se quer esta sagrada Terra.







❃ ❃ ❃



domingo, 13 de março de 2011

Nada





















Não há nada que vos não haja já sido mostrado e repassado até à exaustão.


Não há nada que eu vos possa oferecer, de novo.


Demasiada informação.


A espiral repetitiva de imagens de desespero, devastação e desolação por toda parte. A toda a hora. Ad nauseam.




Demasiada dor. Demasiada ansiedade. E nada.


Estou cansado. Sem poder fazer nada, estou cansado.


   
Uma overdose de mágoa, impotência, frustração e vazio.



sábado, 12 de março de 2011

À vossa compreensão





       Algumas notas que gostaria, nesta hora, de partilhar convosco.

    Ao longo da noite de ontem, 11.03,  na companhia da Etsuko, segui a par e passo os desenvolvimentos da tragédia que acabara de se abater sobre o Japão, sobretudo através dos canais televisivos de cá e também das edições online de alguns jornais de referência.

      Uma vez que ao longo desse período, estive permanentemente atento tanto ao televisor, notíciários, e bem assim às comunicações e mensagens que ia recebendo neste espaço, assim como via facebook e nas caixas de e-mail, na medida do possível, procurei ter o cuidado de ir respondendo às mensagens de atenção, simpatia e solidariedade que recebi de vários amigos e de leitores e visitantes ocasionais deste espaço,  com o passar das horas. 

     Tomo agora mais esta chance para, a todos sem excepção, agradecer do fundo do coração, as palavras de preocupação, de amizade, de apoio e solidariedade que aqui recebi, nesta hora particularmente difícil para a Nação que me acolhe. Jamais vos esqueceremos.

      Esta manhã, regressando a este pequeno ecrã, deparo-me com inúmeras visitas a este espaço, algumas novas mensagens de atenção de tantos de vós, ainda inúmeras mensagens via facebook e uma caixa de e-mail repleta. 

        Em particular a todos aqueles que me visitam agora pela primeira vez ou que só recentemente visitaram este blogue questionando-se sobre a situação do seu autor, residente no Japão, face à situação dramática que este país vive nesta hora, tomo ainda esta chance para prestar alguns esclarecimentos que considero pertinente da minha parte aqui deixar.

          O autor deste blogue , reside em Fukuoka,  norte da ilha de Kyushu, área situada cerca de 1200 km a sudoeste da região directamente afectada pela catástrofe ocorrida ontem (Tōhoku [東北地方], Nordeste do Japão) — ou seja no extremo oposto do dito território mais afectado —, e onde o sismo mal foi sentido, não tendo por esse motivo, o mesmo autor deste  blogue, sequer se apercebido do ocorrido durante a tarde de ontem, e só tendo do mesmo tomado conhecimento ao final da tarde, de regresso a sua casa. 

        Achando-se a salvo do pior das consequências deste cataclismo, não obstante sente na pele a imensa angústia desta hora, mormente pelo facto de a sua família — mulher e sogros — ser oriunda da região/Prefeitura de Iwate [岩手県], mais concretamente da povoação de Ōfunato [大船渡市], uma das áreas mais violentamente devastadas, e apesar destes seus familiares mais próximos se acharem junto si, em Fukuoka, igualmente a salvo do pior, são, contudo, vários os parentes distantes que residem na dita área mais afectada de Ōfunato e suas imediações e como tal — e tendo sobretudo presente a enorme dificuldade neste momento em contactar as pessoas apanhadas nas zonas sinistradas, mormente por efeito do corte geral das telecomunicações nas áreas em causa —, neste momento é muita a apreensão sentida, sobretudo por até ao momento não sabermos qual a situação real destes nossos familiares residentes nas áreas directamente afectadas pela catástrofe de ontem. É nestes entes queridos que nesta hora depomos toda a nossa angústia

    Pelo exposto, peço-vos que não estranheis particularmente algum eventual silêncio prolongado da minha parte nas próximas horas ou dias. 

       Como certamente compreendereis este não é um momento normal nas nossas vidas, de todos quantos neste país se acham nesta hora, e em particular daqueles que de um modo ou de outro, mais ou menos directamente afectados pelos eventos de ontem, carecem neste momento de especial resguardo. Este é um tempo cuja dor e incredulidade, o estupor perplexo perante as imagens e as informações que se repetem e sucedem nos canais informativos, não deixam margem de maior para pensamentos que escapem à realidade mais imediata daquilo que nos fere vida adentro.

         Espero e agradeço desde já a vossa melhor compreensão.

        A todos os leitores e visitantes deste espaço, uma vez mais 
        o meu mais sentido agradecimento.


        LUÍS FILIPE AFONSO, "NBJ", Hakata, Fukuoka-shi, Kyushu, Japão, 12.03.2011

        



sexta-feira, 11 de março de 2011

Sendai





       Ao largo de Sendai [仙台], Prefeitura de Miyagi [宮城県], foram já contados cerca de 300 mortos encontrados nas águas...


    À medida que as horas passam, as visões do horror vivido hoje no Nordeste do Japão pioram.


    Não há palavras para descrever o que vejo neste momento na televisão... 

Um Dia Triste.




      O violento sismo já descrito como o mais grave na História do Japão — 8.9 na escala de Richter — atingiu o Nordeste do Japão, em particular a Prefeitura de Iwate [岩手県], de onde a Etsu e sua família são originários e naturalmente, não obstante estarmos a mais de 1200 km do local desta tragédia, a preocupação é sentida.

    A todos os amigos e leitores que, através deste ou de outros canais,  manifestaram a sua preocupação, do CORAÇÃO, um sentido agradecimento, pela vossa preocupação e solidariedade.

  Neste momento não conseguimos contactar os familiares na região de Iwate — nomeadamente a Avó quasi-centagenária da Etsu — uma vez que as comunicações com a região sinistrada estão completamente cortadas.

     Não vamos temer já o pior.
     Pede-se serenidade e vamos mantê-la. 

    Deixo-vos, por ora, com algumas imagens entretanto publicadas na edição online do MAINICHI.
     

    
EM ACTUALIZAÇÃO

























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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Imagens D'Aqui

O fotojornalismo de primeira água do Mainichi Shinbun (毎日新聞), à vossa apreciação.

E enquanto os tempos são de crise, aqui faz-se o que se pode...


E eles lá poder, até podiam...

...mas para isso, primeiro é preciso que ele tome posse...

...e que antes disso vá ao Ten'O - o nosso Homem Do Leme...

...e só depois disso vai deixar de ter que aturar o outro, e depois disso é que pode então deitar mãos à obra...

...e sem perder a cabeça...

...ajudar a mandar os problemas deste país e do resto do Mundo p'ró espaço...
(calma minha gente!... Não é mais uma daquelas provocações do Kim - nem a resposta, não-sei-quantos meses depois, dos daqui. É mesmo só um foguetão que partiu de Tanegashima na Sexta-Feira para levar uns haveres até à I.S.S.)

...sim, porque aqui nem tudo são rosas...

...e enquanto um tsunami ou uma guerra com a DPRK não são mais que simulácros...

...a malta vai açambarcando o que pode... (Yes, We Can!)

Bem, isto sou só eu a fazer um grande filme (e ela ajuda - e se houver mesmo mocada com a DPRK, aí é que ela ajuda mesmo!)

E se a DPRK quiser mesmo meter-se com a malta d'aqui, eles também dão uma mãozinha!...