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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sim, estamos atentos.



e num jornal deste calibre, então é porque não há que ter medo da verdade.
Já não há nada a esconder?
Parecia que sim.

Agora, e de uma vez por todas, parece mesmo que não.



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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Tsar, ou o Inferno explicado às crianças




Царь-бомба — Tsar Bomba,
30.10.1961





   Assinalados 50 anos sobre a sua detonação ao largo da Baía de Mityushikha, Novaya Zemlya, Círculo Polar Ártico, a 30 de Outubro de 1961, hoje, e para memória futura, relembramos.


  Para que qualquer um de nós, comuns mortais, possa ter uma ideia da dimensão do poder destrutivo deste peculiar engenho do Juízo Final, bastar-lhe-á imaginar uma estrutura capaz de albergar cerca de 58 mega-toneladas de TNT, ou seja qualquer coisa com a altura e o diâmetro de base da Torre Eiffel...

      Recordemos ainda que o plano original para este brinquedo soviético era de o conceber com quase o dobro da referida potência explosiva — 100 mega-toneladas —, porém a sua concretização por esses valores revelar-se-ia inviável...

       Com a Tsar, a Guerra Fria atingia o seu auge, e com este o apogeu da capacidade auto-destrutiva da própria espécie humana... Algo de irrelevante, se for tomado em linha de conta que o relatório da comissão de análise do teste balístico de 30.10.1961 daria ogivas desta envergadura e poder destrutivo como impróprias para uso militar — afinal a intenção era só ver se conseguiam...



    ...E que a resposta Norte-Americana — após indignados protestos junto da Assembleia Geral das Nações Unidas, pela voz do seu então Embaixador Adlai Stevenson (VER: 2º vídeo que se segue) — resultaria nas Operações Dominic I e II: 105 bombas de hidrogénio e afins detonadas num espaço de pouco mais de seis meses — Abril a Novembro de 1962 —no Pacífico central e no Nevada Test Site, seguida de mais uma série de 48 ensaios, intitulada Operação Storax (1962-63)...  
    (Este breve compêndio audio-visual aqui trazido há uns meses poucos, permite visualizar melhor a troca de mimos...)






    Ainda acerca da Ivan, destacar que a mesma, ao que consta, teria dez vezes a capacidade destrutiva de todas as bombas usadas na II Guerra Mundial — uma pequena maravilha —, e de lá para cá o Mundo em que vivemos não parece ter merecido melhor atenção de quem possui ou pretende possuir caixas de Pandora como a Tsare ainda que a sua mais próxima sucedânea tenha, ao que consta, sido objecto de desactivação definitiva ainda a semana que passou: ambas as super-potências de há cinquenta anos somam juntas cerca de 10.000 ogivas estratégicas na sua posse (E.U.A.: 5021, Rússia: 4650), ao que cabe contabilizar ainda o somatória das das ditas potências menores (Grã-Bretanha, França, R.P. da China, Índia, Paquistão, República Popular Democrática da Coreia [do Norte], Israel [seguramente], e em breve a somar-lhe as da República Islâmica do Irão...)  





     Tempo ainda de recordar — e a fechar — o delirante humor negro de Stanley Kubrick pela voz desse inolvidável Doutor Merkwürdigliebe (o génio de um século de comédia, Peter Sellers de seu nome, no papel de uma vida a somar a mais dois na mesma película de 1964, inspirada nos eventos acima descritos), e a sua elucidativa explicação de uma certa 'Doomsday Machine' — provavelmente a melhor caricatura alguma vez concebida do mais absurdo e absoluto horror ali mesmo à nossa porta.













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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um apelo sentido, uma mensagem a reter



Foi ontem, dia 19 de Setembro, Dia Nacional do Respeito pelos Idosos — 敬老の日, Keirō-No-Hi —, que teve lugar, no Parque Meiji em Tóquio, a maior manifestação anti-nuclear desde os fatídicos eventos de Março passado. A acção de contestação da actual política de contenção da crise nuclear de Fukushima e de protesto contra a inépcia do governo e TEPCO em esclarecer devidamente o público acerca da dura realidade que o Japão hoje enfrenta, contou com o apoio e presença de inúmeras e destacadas figuras da sociedade civil e cultural do Japão entre os quais Ōe Kenzaburo, Prémio Nobel da Literatura em 1994 — 2º a contar da esquerda na foto supra —, que assina um breve e contundente artigo na edição do Mainichi Shinbun [毎日新聞] do mesmo dia, sobre a gravidade da actual situação em Tōhoku, a afectar não apenas o Nordeste e centro do Japão, mas as vidas de todos nós.

        Ainda do mesmo jornal, edição de hoje, 20.9, da autoria de Tamaki Kenji, um outro artigo de opinião sobre a questão do tratamento (censurado e não menos censurável) da informação vertida sobre a crise nuclear actual, que temos a destacar.



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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cool




















Haja boas notícias.


E ainda que, por estes dias, tudo ou muito do que traga o nome TEPCO atrelado, seja de desconfiar.


Quero crer no melhor deste grande país.


Quero ter Fé — que é algo muito distinto de um certo, como se diz hoje, wishful thinking









"Believer"




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sábado, 6 de agosto de 2011

6.8






























    O Enola Gay acabara de falhar o alvo militar pré-determinado por uma margem de 800 pés, tendo o Little Boy, ao invés do 'pretendido', detonado a uma altitude de 1890 pés, mesmo por cima da Clínica Hospitalar Shima (島病院), uma pequena unidade hospitalar privada.
    Num mero instante, as robustas colunas de pedra que ladeavam a entrada do edifício foram literalmente arrancadas do solo como ervas, o próprio edifício derrubado num sopro e os seus ocupantes, todos sem excepção, pulverizados…
      Nesse mesmo instante, 90% dos edifícios de Hiroshima viam-se reduzidos a escombros e uma área de 10,6 ㎢ transfigurada num horrendo deserto de cinzas.


"If used in numbers, atomic bombs not only can nullify any nation's military effort, but can demolish its social and economic structure and prevent their re-establishment for long periods of time. With such weapons, especially if employed in conjunction with other weapons of mass destruction such as pathogenic bacteria, it is quite possible to depopulate vast areas of the earth's surface, leaving only vestigal remnants of man's material works."



                                                                                                     *Report of the Joint Chiefs of Staff,                                                                                                                              Operations Crossroads, June 30, 1947











HIROSHIMA,
NÃO TE ESQUECEMOS





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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

2053








      Não Caríssimos. Não se trata de um exercício de futurologia ou do título de uma qualquer novela de antecipação ou cine-odisseia sci-fi.

     O título que dá mote a este breve escrito — e por referência à obra videográfica que hoje vos proponho [☝] — alude, contrariamente ao que possa sugerir, a um passado bem recente e ainda bem presente, e ainda que obscurecido pelo incómodo do tema de má-memória que lhe dá forma e conteúdo, e que, de um modo geral, todos aprendemos de um modo ou de outro a arrumar numa arrecadação poeirenta da nossa consciência tão individual quanto colectiva — e partindo do princípio (muito discutível, é certo) de que a humanidade ou uma parte significativa desta, partilha de uma consciência moral dita colectiva, isto é, de uma percepção geral e amplamente disseminada do que é moralmente certo e do que é errado, do que é razoável e do que é absurdo, independentemente de variáveis e dissensões entre credos religiosos, político-ideológicos ou de outra natureza.

     O número 2053 hoje aqui proposto — número gordo, número feio…— não é mais nem menos que o número total de explosões nucleares documentadas e contabilizadas entre 1945 — ano da detonação do primeiro engenho balístico nuclear, o ensaio Trinity no deserto do Novo México, em Julho do último ano da II Guerra Mundial — e 1998, e por iniciativa e responsabilidade de pelo menos 7 potências.  

    E ainda que a dança macabra do nuclear ao serviço da destruição em grande escala esteja  longe do fim, é a reflectir sobre este incómodo tema que se nos dirige o convite do artista Japonês Hashimoto Isao (n. 1959), sem música e a um ritmo trôpego e por demais monótono (tão trôpego e monótono quanto o será qualquer discurso que pretenda justificar o injustificável), assim possais dar pouco menos de um quarto de hora do vosso precioso tempo a esta tão simples quão extraordinária obra. 
    
    Um convite ao qual, e em véspera de recordarmos o inferno de Hiroshima, hoje faço eco.






"shame on us, for all we have done..."






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