terça-feira, 22 de março de 2011

Chega de agruras! Venha daí essa Primavera que tarda...



Foi ontem o feriado, é certo.
Com direito a muitos e altaneiros "Hi-No-Maru" [日の丸], engalanando cada esquina, 
cada singela lojinha de bairro.

Mas o frio cerrado que teima em por cá assentar praça, por estes dias, não deixa margem a celebrações...





Já hoje ao fim da tarde, dei com esta precoce e jovial sakura [桜], 
ali junto ao velho edifício do Banco do Japão.

Um bom presságio...










'Come Next Spring'
("And then once more, Love will blossom as before...")


☀

sexta-feira, 18 de março de 2011

A Voz do Bom Senso



Em Fukuoka [福岡市], maior cidade do Sul do país,
a vida corre a um ritmo de quase absoluta normalidade,
notando-se,  contudo, uma menor abundância de certos bens de consumo.
Mas não é correcto falar em escassez.





      À semelhança daquilo que nos relata o meu mui estimado compatriota em Tóquio, também eu ontem recebi o mais sobre-alarmado dos contactos por parte da minha Mãe, tomada de sobressalto pela caterva de exageros de toda ordem que, em geral, os media fora do Japão, por estes dias se permitem divulgar.

       Nunca subestimando a gravidade da actual situação em Tōhoku [東北] e Kantō [関東], parece ser necessário lembrar a muito boa gente que o Japão, país composto por mais de 3000 ilhas e com um território soberano de mais de 377.000 k㎡, não se resume às duas regiões mais afectadas pelo cataclismo de 11.03 supra mencionadas, não obstante falarmos de uma área equivalente à quase totalidade da costa de Portugal continental — cerca de 850 km de extensão — quando falamos, tão-só!, do território devastado no Nordeste do Japão|Tōhoku há uma semana.

      A Nação Japonesa não baixa os braços nesta que é a mais difícil das horas na sua História recente.

      E creio que não há necessidade de recordar a seja quem for que, aqui, já se viveram tempos muito, mas muito piores... 
   





quinta-feira, 17 de março de 2011

Dos que abdicaram do direito às lágrimas




   
    Gostaria de vos falar de milagres — são já muitos a assinalar.

    Gostaria de vos falar de Heróis — são já muitos, muitos mesmo!

   Gostaria de vos falar de um Povo Nobre, endurecido na maior das provações, recordando as sábias palavras do Ten'Ō Meiji "suportando o insuportável"*, e ainda assim inabalável na sua humanidade.

      A seu tempo.

    Hoje, profundamente emocionado, anuncio-vos um só milagre, falo-vos de uma só vida heróica, de uma só Nobre Alma que já suportou tudo o que a vida podia suportar. 

    Hoje a nossa Avó Kōchō, de 100 anos de idade!, mãe da minha Sogra, foi identificada, está viva e está bem!
    Recebemos esta maravilhosa notícia há pouco mais de uma hora.

    Tremem-me as mãos de emoção ao escrever estas palavras.

   Ontem já havíamos recebido a extraordinária notícia de que os nossos três parentes surpreendidos pela pior fase da vaga de impacto a 11 de Março — um casal de tios em Ōfunato [大船渡市] e uma prima que se achava em Rikuzentakata [陸前高田市] na hora da catástrofe —, igualmente se encontram, todos, a salvo e livres de perigo.


    Gostaria ainda, e uma vez mais, de agradecer do fundo do coração a todos os que aqui passaram, ao longo destes penosos dias, partilhando palavras de apoio e solidariedade que muito significam para nós.
     Jamais vos esqueceremos e não irei elencar nomes — vós sabeis quem sois, e sabeis que havereis de estar SEMPRE no nosso espírito, no nosso coração e nas nossas orações. 
     
     Deus vos abençoe!

   Ainda são muitos os mortos e os feridos a lamentar e por quem chorar.
   Porém, hoje, por um momento, rejubilamos.

     Hoje celebramos a vitória da Vida!










*Esta citação é via de regra atribuída ao Ten'Ō Shōwa, 
sendo identificada nos discursos referentes à  rendição do Japão 
Contudo, a mesma deve ser correctamente atribuída  a Meiji, 
tendo surgido pela primeira vez numa proclamação Imperial 
emitida e divulgada aquando da "Tripla Intervenção" de 1895. 




terça-feira, 15 de março de 2011

Outro






  Acaba de ocorrer outro tremor-de-terra de intensidade considerável (magnitude 6.0), agora em Shizuoka [静岡県], prefeitura situada a cerca de 150 km a sul de Tóquio.

O sismo ocorreu pelas 22:30, hora local.



EM ACTUALIZAÇÃO



domingo, 13 de março de 2011

Nada





















Não há nada que vos não haja já sido mostrado e repassado até à exaustão.


Não há nada que eu vos possa oferecer, de novo.


Demasiada informação.


A espiral repetitiva de imagens de desespero, devastação e desolação por toda parte. A toda a hora. Ad nauseam.




Demasiada dor. Demasiada ansiedade. E nada.


Estou cansado. Sem poder fazer nada, estou cansado.


   
Uma overdose de mágoa, impotência, frustração e vazio.



sábado, 12 de março de 2011

À vossa compreensão





       Algumas notas que gostaria, nesta hora, de partilhar convosco.

    Ao longo da noite de ontem, 11.03,  na companhia da Etsuko, segui a par e passo os desenvolvimentos da tragédia que acabara de se abater sobre o Japão, sobretudo através dos canais televisivos de cá e também das edições online de alguns jornais de referência.

      Uma vez que ao longo desse período, estive permanentemente atento tanto ao televisor, notíciários, e bem assim às comunicações e mensagens que ia recebendo neste espaço, assim como via facebook e nas caixas de e-mail, na medida do possível, procurei ter o cuidado de ir respondendo às mensagens de atenção, simpatia e solidariedade que recebi de vários amigos e de leitores e visitantes ocasionais deste espaço,  com o passar das horas. 

     Tomo agora mais esta chance para, a todos sem excepção, agradecer do fundo do coração, as palavras de preocupação, de amizade, de apoio e solidariedade que aqui recebi, nesta hora particularmente difícil para a Nação que me acolhe. Jamais vos esqueceremos.

      Esta manhã, regressando a este pequeno ecrã, deparo-me com inúmeras visitas a este espaço, algumas novas mensagens de atenção de tantos de vós, ainda inúmeras mensagens via facebook e uma caixa de e-mail repleta. 

        Em particular a todos aqueles que me visitam agora pela primeira vez ou que só recentemente visitaram este blogue questionando-se sobre a situação do seu autor, residente no Japão, face à situação dramática que este país vive nesta hora, tomo ainda esta chance para prestar alguns esclarecimentos que considero pertinente da minha parte aqui deixar.

          O autor deste blogue , reside em Fukuoka,  norte da ilha de Kyushu, área situada cerca de 1200 km a sudoeste da região directamente afectada pela catástrofe ocorrida ontem (Tōhoku [東北地方], Nordeste do Japão) — ou seja no extremo oposto do dito território mais afectado —, e onde o sismo mal foi sentido, não tendo por esse motivo, o mesmo autor deste  blogue, sequer se apercebido do ocorrido durante a tarde de ontem, e só tendo do mesmo tomado conhecimento ao final da tarde, de regresso a sua casa. 

        Achando-se a salvo do pior das consequências deste cataclismo, não obstante sente na pele a imensa angústia desta hora, mormente pelo facto de a sua família — mulher e sogros — ser oriunda da região/Prefeitura de Iwate [岩手県], mais concretamente da povoação de Ōfunato [大船渡市], uma das áreas mais violentamente devastadas, e apesar destes seus familiares mais próximos se acharem junto si, em Fukuoka, igualmente a salvo do pior, são, contudo, vários os parentes distantes que residem na dita área mais afectada de Ōfunato e suas imediações e como tal — e tendo sobretudo presente a enorme dificuldade neste momento em contactar as pessoas apanhadas nas zonas sinistradas, mormente por efeito do corte geral das telecomunicações nas áreas em causa —, neste momento é muita a apreensão sentida, sobretudo por até ao momento não sabermos qual a situação real destes nossos familiares residentes nas áreas directamente afectadas pela catástrofe de ontem. É nestes entes queridos que nesta hora depomos toda a nossa angústia. 

    Pelo exposto, peço-vos que não estranheis particularmente algum eventual silêncio prolongado da minha parte nas próximas horas ou dias. 

       Como certamente compreendereis este não é um momento normal nas nossas vidas, de todos quantos neste país se acham nesta hora, e em particular daqueles que de um modo ou de outro, mais ou menos directamente afectados pelos eventos de ontem, carecem neste momento de especial resguardo. Este é um tempo cuja dor e incredulidade, o estupor perplexo perante as imagens e as informações que se repetem e sucedem nos canais informativos, não deixam margem de maior para pensamentos que escapem à realidade mais imediata daquilo que nos fere vida adentro.

         Espero e agradeço desde já a vossa melhor compreensão.

        A todos os leitores e visitantes deste espaço, uma vez mais 
        o meu mais sentido agradecimento.


        LUÍS FILIPE AFONSO, "NBJ", Hakata, Fukuoka-shi, Kyushu, Japão, 12.03.2011

        



sexta-feira, 11 de março de 2011

Sendai





       Ao largo de Sendai [仙台], Prefeitura de Miyagi [宮城県], foram já contados cerca de 300 mortos encontrados nas águas...


    À medida que as horas passam, as visões do horror vivido hoje no Nordeste do Japão pioram.


    Não há palavras para descrever o que vejo neste momento na televisão... 

Um Dia Triste.




      O violento sismo já descrito como o mais grave na História do Japão — 8.9 na escala de Richter — atingiu o Nordeste do Japão, em particular a Prefeitura de Iwate [岩手県], de onde a Etsu e sua família são originários e naturalmente, não obstante estarmos a mais de 1200 km do local desta tragédia, a preocupação é sentida.

    A todos os amigos e leitores que, através deste ou de outros canais,  manifestaram a sua preocupação, do CORAÇÃO, um sentido agradecimento, pela vossa preocupação e solidariedade.

  Neste momento não conseguimos contactar os familiares na região de Iwate — nomeadamente a Avó quasi-centagenária da Etsu — uma vez que as comunicações com a região sinistrada estão completamente cortadas.

     Não vamos temer já o pior.
     Pede-se serenidade e vamos mantê-la. 

    Deixo-vos, por ora, com algumas imagens entretanto publicadas na edição online do MAINICHI.
     

    
EM ACTUALIZAÇÃO

























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quarta-feira, 9 de março de 2011

terça-feira, 8 de março de 2011

Japão: onde irá o Sol se pôr?






   É certamente difícil, para quem, hoje, pela primeira vez visite o Japão por um par de semanas e se detenha a apreciar a vitalidade de uma economia e de um modelo social (aparentemente) invejáveis, conceber que estes sejam tempos bem difíceis para o País do Sol Nascente, e que muito do que esta admirável nação insular ainda estabelecida entre as três maiores economias do Mundo possui de extraordinário e de exemplar, esteja, nas próximas décadas, em sério risco de colapso.

    Chegou-me hoje às mãos este número da Economist datado de Novembro passado, o qual, por motivos óbvios, se encontra até ao momento em larga circulação no país que lhe dá capa, e onde o tema é desenvolvido ao longo de cerca de vinte páginas, nem todas redigidas num tom particularmente sombrio.






    Em qualquer recurso, na generalidade estes avisos merecem toda a nossa atenção e reflexão.
       









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