segunda-feira, 3 de maio de 2010

A caminho de Kyoto...


Queridos Amigos:

Parece impossível que, com tantos feriados de enfiada — por cá, entenda-se (estamos em plena Golden Week) —, não haja meio de eu dispensar uma hora breve que seja no cumprir com o prometido programa de actualizações — depondo, aqui, a prometida 'reportagem' da nossa peregrinação a Ama-No-Iwa'To-Jinja [天岩戸神社], no passado dia 29 de Abril.

A verdade é que a viagem desse dia foi longa, as imagens a seleccionar, e a partilhar convosco, são mais que muitas e estas coisas acabam, invariavelmente, por tomar bem mais tempo do que eu poderia ter antecipado.
Mas não desanimeis: o prometido é devido, e, a seu tempo, cá calhará — outro capítulo omisso, por ora, e só por ora, assim espero...

E por ora, estou a caminho de Kyoto, onde conto assistir, nos próximos dois dias, à edição deste ano (106ª) do lendário Kyoto Enbu Tai'Kai [京都演武大会], torneio de primeira linha das Budô [武道 — 'Artes Marciais'] Nipónicas, a ter lugar, como manda a tradição, no venerando Kyuu'Butoku'Den [旧武徳殿 — imagem supra], e com particular destaque para o torneio de Kendo, que, como bem sabeis, colhe a minha maior afeição.

Dia 5, Quarta-Feira, é dia de shiai entre os Hachi-Dan — 八段, 8º Dan, o Grau cimeiro na modalidade, partilhado por menos de 1% dos praticantes, só no Japão — e, estando eu aqui tão perto, jamais me poderia furtar a uma chance destas de assistir a este mítico evento ao vivo e a côres.

Em jeito de despedida — só pelos próximos dois dias — aqui vos deixo um magnífico, ainda que breve, excerto da edição do ano passado, vídeo sacado do excelente blogue [Kenshi247], a cargo do Sensei George McCall (Escócia), provavelmente o melhor website sobre Kendo da actualidade...

E ainda, do 105º Tai'Kai, este precioso Ishu Jiai [異種試合]— Kendo vs. Naginata [長刀 — Alabarda Japonesa, arma n'outros tempos favorecida pelas Senhoras], coisa rara e não menos apelativa...



じゃ ね。 Até já!...

sábado, 1 de maio de 2010

Cenas dos próximos capítulos...



Showa-No-Hi, 29.04, feriado nacional por cá, foi dia de peregrinação.

O ‘fotodocumentário’ está na calha.
Porém, por ora, só vos posso oferecer este teaser...




...de lugares imersos nas águas turvas da memória...



...onde as preces se amontoam em fragéis colunas de seixos...




...a perder de vista, assim o Tempo as conserve...





...como conserva essas formas inertes de um eterno encanto...


...e os rostos dessses Espíritos anónimos, que também Ele, o Tempo...



...cuidou de talhar nas encostas da Montanha, e nas falésias...


Aguardai...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cantai, cantai!... (esta é mesmo muit'engraçada!... "Poño, Poño, Poño, Sakana No Kou, etc. e tal [com a letra e tudo]),




Esta mandou-m'hoje a Etsu, com a letra e tudo... É mesmo muito engraçada! Hihi...


Ora vamos lá...

ポーニョ ポーニョ ポニョ さかなの子
青い海からやってきた
ポーニョ ポーニョ ポニョ ふくらんだ
まんまるおな かの女の子

ペータペタ ピョンピョーン
足っていいな かけちゃお!
ニーギニギ ブンブーン
おててはいいな つな いじゃお!

あの子とはねると むねもおどるよーぉ
ワークワクチュッギュッ! ワークワクチュッギュッ!
あの子が大好き  まっかっかの

ポーニョ ポーニョ ポニョ さかなの子
青い海からやってきた
ポーニョ ポーニョ ポニョ ふくらんだ
ま んまるおなかの女の子

フークフク いいにおい
あなかがすいた 食べちゃお!
よーく みーてみよう
あの子もきっと 見ている

***

E já agora o trailer do filme (não sei se passou por aí... se não, toca a vasculhar pelo DVD). Do maravilhoso Mundo de Hayo Miyazaki .






In Memoriam: C. R. Boxer — Também Ele 'Um Português No Mundo'

Assinalando-se, hoje, 27 de Abril, dez anos sobre a morte de Charles Ralph Boxer (Sandown, Isle of Wight, Inglaterra, 8.03.1904 - St. Albans, Hertfordshire, Inglaterra, 27.04.2000), não poderia, de modo algum, deixar passar esta data em branco.

C.R. Boxer, como ficou seu nome gravado nas capas das obras que nos deu, assim como na memória de tantos de nós, será certamente por demais conhecido e objecto da mais sentida homenagem e veneração por tantos quantos de nós, pela História de Portugal na Ásia e no Mundo, e, em particular, pela História dos Portugueses no Japão — esses Nan Ban que um dia ousaram... — um dia se interessaram. E a respeito de Boxer, sua vida e extraordinária obra não me irei por aqui alongar, repetindo aquilo que outros, bem melhor do que eu algum dia poderia ter feito, escreveram em seu louvor e reconhecimento, limitando-me a remeter-vos para estes três magníficos textos na blogosfera Lusófona ⇓, por demais elucidativos, e a cujos autores — e porque para tanto nunca é tarde, assim quero crer — tomo esta chance para lhes prestar, eu, agora, a minha mais encarecida vénia: ao primeiro destacando-o no belíssimo e infelizmente hoje defunto Je Maintiendrai, daqueles que tanta falta faz, est'outro no extraordinário, mui recomendável e em grande forma, Macau Antigo, da autoria de João Botas, publicado há pouco mais de um ano, e, ainda este último, por mim mais recentemente descoberto, mui interessante artigo relativo à relação de Boxer com Armando Cortesão, e outros Historiadores e figuras suas contemporâneas, o Estado Novo e a oposição ao regime de Salazar nas décadas de 30 e 40, a propósito de uma polémica menos badalada mas de não menor interesse, artigo originalmente editado na Revista de Macau, e mui oportunamente trazido de novo a público pela mão do Daniel de Oliveira Cunha no seu não menos recomendável e muitíssimo interessante Lusofonia Horizontal, e façam favor de lá ir que vale mesmo a pena.






A obra de Boxer que ainda hoje mais me mesmeriza é esse "The Christian Century in Japan 1549-1650", editado em 1951, escassos seis anos volvidos sobre o fim do cativeiro do autor, às mãos do Exército Imperial Japonês, sorte que sofrera aquando da tomada de Hong-Kong, em Dezembro de 1941, constituindo uma das mais extraordinárias e meticulosas investigações num tema historicamente do mais complexo e hermético que se poderia eleger, e revelando-se claramente como o fruto da mais apaixonada predilecção temática, jamais enfadando o leitor por uma linha que seja — um estilo escrito surpreendentemente acessível e do mais cativante que poderíamos encontrar neste ou n'outro qualquer domínio historiográfico —, e tão mais exuberante ao termos em linha de conta que, não sendo Boxer um académico profissional — Boxer era Oficial do Exército Britânico, formado em Sandhurst e desde cedo educado na carreira das armas — e ainda que no período que dedicara à redacção de "The Christian Century..." tivesse (assim devemos crer) contado com o inestimável auxílio de amigos e contemporâneos seus como A. Cortesão — cuja amizade se diluiria após a publicação, em 1963, de uma sua outra obra, desta feita dedicada às relações raciais no Império Ultramarino Português (para conhecer melhor a quezília em causa, ler o artigo acima ⇑ em referência, no blogue Lusofonia Horizontal ⇑) — a somar à sua experiência de três anos como adido militar no Japão, entre 1933 e '36 e o conhecimento privilegiado que deste, à época, ainda sobremaneira inacessível país, de tal experiência possuiria, ainda assim o vasto elenco de referências bibliográficas e documentais, a minuciosa investigação das questões maiores levantadas pelo tema em causa, assim como da extenssíssima tapeçaria de detalhes tantos, do anedótico ao sublime, "The Christian Century..." permanece, hoje, quase sessenta anos após a publicação da sua 1ª edição, como uma inequívoca obra -prima.

Dos tais NanBan [南蛮] dessa primeira, tão acidental e tão acidentada viagem — Mota, Zeimoto, Peixoto —, a Mendes Pinto e Francisco Xavier; do incidente do San Felipe à chegado de Joosten, Adams e demais Kou'mou [紅毛] — esses outros 'barbas-ruivas' dos Países-Baixos... — a bordo do decrépito Liefde, nesse Abril de 1600; de Shimabara à embaixada de Sequeira de Souza, a última, ao tempo de D. João IV, aqui tendes aquela que deveria ser a vossa próxima epopeia de leitura obrigatória.


A obra de C.R. Boxer, tão vasta, diversa e complexa quanto a sua própria vida, merecerá decerto a melhor atenção de todos nós, e a despeito das linhas menos elogiosas que em tempos terá, num ou n'outro volume — com ou sem o assento de outros contemporâneos seus que ao mesmo tema dedicaram a parte ou o todo de suas vidas — acerca dessa demanda do nosso Portugal no Mundo, Boxer foi, pelo tanto que deu e pelo tanto ainda que honrou o nome da Pátria de Camões, de pleno direito, também ele um filho de Portugal, um Português no Mundo, e ainda agora me interrogo como não tem este homem ainda sequer um nome de rua em Lisboa, e não estou a pedir uma estátua de bronze em plena Praça do Império.

A sua Esposa, Emily Hahn, terá dito, em tempos que só "Charles [Boxer] poderia ter dedicado uma vida inteira ao estudo de Portugal e dos Portugueses na Ásia, porque só ele era suficientemente louco para tanto...".
Assim fôssemos todos nós.


"Apparent rari nantes in gurgite vasto".

[Virgílio, Eneida, 1.118]


segunda-feira, 26 de abril de 2010

青銅 [Sei'Dou] — Bronze




Domingo, Higashi Kou'en [東公園 — O Parque Oriental ], ao cair da tarde.













Gosto muito das duas enormes estátuas em Higashi Kou'en, a primeira dedicada ao Monge Nichiren [日蓮大聖人 — Nichi'Ren Dai'Shounin — o "Mui-Santo-Homem" Nichiren, 1222 - 1282, fundador da Facção Budista que lhe toma o nome], a segunda homenageando o Ten'O Kameyama [亀山天皇], Tsunehito [恒仁], 1249 - 1305, nonagésimo Imperador do Japão e Soberano-Herói na defesa de Yamato contra as invasões Mongóis ao tempo do Kublai' Khan (1274, 1281).


O Céu estava perfeito. Coisa rara por estes dias.

(Hoje, logo p'la manhã, as nuvens tornaram a cobrir as cabeças. As das estátuas e as nossas. E está mais quente, o Tempo, por cá.)


Ontem, com o Sol em despedida, e a Lua a antecipar-se à noite, era assim.



Ontem foi um dia bom para fazer retratos.

Tarde solarenga.

Nichiren,
o Mui-Santo, aguardava as súplicas dos peregrinos da tarde, entre a folhagem das árvores.



























E ao tempo que lá vão os dias das sakura, mas há ainda as que teimam em permanecer ali, a venerar o Santo Homem...



















Nichiren, ali, e sempre, velando por nós.





















































Juzu [数珠], na mão direita (detalhe).































Há dias assim, click, click, click, click,

e os retratos fazem-se a si mesmos.









































































Um porto de abrigo. Um lugar de vigia.










O lugar da vigília.


("Não! Aqui as aves nunca dormem. Nunca dormem!")































(Há um Velho que diz: "Não! Aqui os Corvos nunca dormem!)







































E o Ten'O, também ele colhe o estranho auspício...





















































"Não! Eles nunca dormem!..."









































































"Nunca..."










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