segunda-feira, 26 de abril de 2010

青銅 [Sei'Dou] — Bronze




Domingo, Higashi Kou'en [東公園 — O Parque Oriental ], ao cair da tarde.













Gosto muito das duas enormes estátuas em Higashi Kou'en, a primeira dedicada ao Monge Nichiren [日蓮大聖人 — Nichi'Ren Dai'Shounin — o "Mui-Santo-Homem" Nichiren, 1222 - 1282, fundador da Facção Budista que lhe toma o nome], a segunda homenageando o Ten'O Kameyama [亀山天皇], Tsunehito [恒仁], 1249 - 1305, nonagésimo Imperador do Japão e Soberano-Herói na defesa de Yamato contra as invasões Mongóis ao tempo do Kublai' Khan (1274, 1281).


O Céu estava perfeito. Coisa rara por estes dias.

(Hoje, logo p'la manhã, as nuvens tornaram a cobrir as cabeças. As das estátuas e as nossas. E está mais quente, o Tempo, por cá.)


Ontem, com o Sol em despedida, e a Lua a antecipar-se à noite, era assim.



Ontem foi um dia bom para fazer retratos.

Tarde solarenga.

Nichiren,
o Mui-Santo, aguardava as súplicas dos peregrinos da tarde, entre a folhagem das árvores.



























E ao tempo que lá vão os dias das sakura, mas há ainda as que teimam em permanecer ali, a venerar o Santo Homem...



















Nichiren, ali, e sempre, velando por nós.





















































Juzu [数珠], na mão direita (detalhe).































Há dias assim, click, click, click, click,

e os retratos fazem-se a si mesmos.









































































Um porto de abrigo. Um lugar de vigia.










O lugar da vigília.


("Não! Aqui as aves nunca dormem. Nunca dormem!")































(Há um Velho que diz: "Não! Aqui os Corvos nunca dormem!)







































E o Ten'O, também ele colhe o estranho auspício...





















































"Não! Eles nunca dormem!..."









































































"Nunca..."










◐ ◒ ◐




Parabéns Mimi!

Nascida a 25 de Abril de 1910, a Mimi faz hoje 100 ANOS!
MUITOS, MUITOS, MUITOS, MUITOS PARABÉNS MIMI!!!

Hoje é, sem sombra de dúvida, dia de grande festa para o meu Clã, pois que além de ser o 36º Ano de celebração do Dia da Liberdade para todos nós, a mais Antiga Alma na Família celebra hoje o seu 100º Aniversário!

Sendo sobrinha dos meus Avós paternos, Maria Alice, a Mimi como sempre tão carinhosamente a conhecemos desde miúdos, é Prima em 1º grau do meu Pai, mas tendo sido sempre muito chegada à minha Avó — lembro-me de as ver sempre, sempre, sempre juntas, na minha infância, fôsse qual a fôsse a altura do ano em que as vissemos — e devido à proximidade etária que as ligava (doze anos de diferença, a minha Avó nascera em 1898 — apesar d'a Mimi se dirgir sempre à minha Avó por esse deferente Tia [lembro-me tão bem das longas teimas opondo as duas!...]) eram, na verdade, como que irmãs, e essa inseparabilidade que era quase imagem de marca, era tal que, as gerações mais novas na Família habituaram-se desde sempre a encarar, a acarinhar e a guardar no coração a Mimi como se de uma Avó-de-facto se tratásse. E sobretudo desde que a minha Avó nos deixou há dezoito anos, a Mimi assumiu tacitamente esse papel de nossa Avó, in absentia dos nossos reais Avós que entretanto haviam partido.

É o Século da minha Família que celebramos hoje também: a Mimi nasceu na Figueira da Foz, no final do Reinado de D. Manuel II, a 25 de Abril de 1910.
Da implantação da República naturalmente não poderia guardar quaisquer recordações, mas ainda há uns anos poucos recordava, como se tivesse sido de véspera, esses eventos que a memória imprime na Alma como o cinzel grava os nomes, os números, os rostos da História em firme mármore:
a partida do Tio João, irmão da minha Avó, para a Frente da Flandres, com o C.E.P., em 1917, as notícias à época chegadas de um inóspito desterro, lá para as serras das cabras chamado Fátima, um certo dia 28 de Maio uns anos mais tarde, ainda a Tragédia de Espanha, a Barbarossa em '41 ("lembras-te Mimi?", perguntava-lhe um dia a minha Avó a propósito da Rússia, "Então não m'havia de lembrar Tia!?"), a alegria do Povo em festa e o pandemónio no Terreiro do Paço em Maio de '45, Delgado Sem Mêdo, os dias do Santa Maria, foguetões a subir ao espaço, até à Lua!, outra geração em armas a seguir desta para África... o seu 64º Aniversário...

É em dias como este que me custa estar tão longe. Hoje só posso estar perto no Coração.
Que seja não só um dia Muito Feliz para a Mimi: é já um dia de Júbilo para todos nós.

Esta é a mais sentida Homenagem, que no lado longínquo do Mundo onde me acho, lhe posso, hoje, prestar.
Obrigado por este dia Mimi!

HOJE É DIA DE FESTA, CANTAM AS NOSSAS ALMAS.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

女形 — Onnagata



Dez minutos — obrigatório ver até ao fim...

(excepcional, estonteante Hikinuki [引抜] aos 8.44...)



Recordemos.
Surgido nos primórdios do Período Edo — 江戸時代 [Edo Jidai] — e originalmente executado por trupes compostas, via de regra, apenas por mulheres, a partir de 1629, e por efeito do decreto shogunal que excluía estas do exercício desta arte de palco, todos os desempenhos no Kabuki passariam a ser, desde então, exclusivemente interpretados por actores do sexo masculino — regra que permanece escrupulosamente observada até aos dias de hoje —, sendo, desde essa época, todos papéis atinentes a personagens femininas, confiados, tão-só, a uma categoria muito particular de actores: os Onnagata — 女形, o primeiro Kanji significando "mulher" (女, On'na), e o segundo, 形, kata/gata, interpretando-se por "forma" ou "moldura", sendo estes "personificadores de mulheres" conhecidos também, coloquialmente, pela designação de Oyama [leitura alternativa para os mesmos dois Kanji assim conjugados — 女形].

A singular arte dos Onnagata, transmitida trans-geracionalmente entre linhagens de actores remontando, em tantos casos, a esse imemoriável crepúsculo do Shogunato dos Tokugawa — período que, estendendo-se por mais de dois séculos e meio, e por efeito da pacificação do Japão obtida após a vitória em Sekigahara (関ケ原) em 1600, produziria um dos mais profícuos períodos na História das Artes e Letras do Japão —, obtém, nesta interpretação de "Sagi Musume" [鷺娘 — "A Menina-Garça"] pelo génio do 'Oyama' Bandô Tamasaburo V [坂東 玉三郎 五代目], tido como o mais prestigiado Onnagata da actualidade, um dos mais impressionantes desempenhos que me lembro de ter visto até hoje, no género...


...e se o leitor já chegou até aqui, é porque certamente está interessado no tema!...
Então porque não visionar o segundo fascículo deste acto? São só mais dez (sublimes) minutos!...




...e se o leitor se dignou visionar os dois clips precedentes na íntegra, então vamos lá até ao fim!...



素晴らしい、ですね。 Subarashi, desu ne?


sexta-feira, 16 de abril de 2010

アクロス / ACROSS


"To the centre of the city
Where all roads meet, waiting for you..." *


Ao cair da tarde, a Cidade dirige-se ao seu centro.

O centro de Fukuoka, o Forum, ou o seu simulacro, entre Nakasu [中州] e o Tenjin [天神], ei-lo: o Acros(s) — アクロス — e os seus babilónicos jardins suspensos...



















* in "Shadowplay", Ian Curtis/Joy Division, "Unknown Pleasures" [1979].

quarta-feira, 7 de abril de 2010

07.04.1945: O Adeus À Grande Besta D'Aço


A Última Cartada —7 de Abril de 1945: após mais de três furiosas e descarnadas horas de combate, contra cerca de trezentos aviões inimigos lançados em sucessivas vagas de ataque, e após encaixar cerca de vinte e três bombas e torpedos no seu casco, o Yamato — maior vaso de guerra alguma vez concebido — explode em pleno Pacífico, pelas 14:20, 290 km Sudeste de Kyushu, e em pleno início de percurso que o levaria à sua missão final e antecipado epitáfio suicída, a Operação Ten-Go, em apoio à desesperada defesa de Okinawa.



*



Ainda nos nossos dias, a tragédia do Yamato conserva um poderoso ascendente sobre a psique colectiva do Povo Japonês. 


Símbolo maior dos anos da "Grande Guerra da Ásia Oriental" (大東亜戦争 — Dai'Tou'A Senso) — designação pela qual o somatório das campanhas militares travadas entre 1931 e 1945 por cá se fez em tempos nomear —, enquanto obra-prima da engenharia naval-militar da primeira metade da Era Showa, megalómano gigante de aço a desafiar o Mundo, perecendo, exausto, nesse estático, impassível Pacífico, eternamente alheado dos desastres dos homens, o super-couraçado de 65.000 toneladas, contando com nove desmedidos canhões de 18 polegadas e tripulado por mais de 3000 homens — dos quais somente 277 de entre a tripulação à data da sua última batalha e afundamento, tornariam a pisar terra firme — permanece, incólume, incontornável, enquanto imagem evocativa, arquétipo alegórico desse "Grande Nada", como Mishima se lhe referia no seu peculiar, sardónico azedume, que foi a Guerra do Pacífico para o Japão.




Tal é o pêso deste monstro na memória colectiva do país que lhe emprestou o nome, que o mesmo é honrado e celebrado em museu próprio, a si exclusivemente dedicado, e a primar como visita obrigatória para todos quantos por Kure, Perfeitura de Hiroshima, um dia passem. 


*

Ainda a fazer jus ao temor reverencial dispensado ao fantasma deste Golias do século XX, o ano 2005, e pelo 60º aniversário do seu afundamento, viu estrear esse "Otoko'tachi No Yamato" (男たちの大和 — "Os Homens do Yamato", dir. Junyia Sato), discreto épico para consumo da casa, que fora do Japão permanece virtualmente incógnito, sendo no entanto possível, hoje, visualizar o filme, fraccionado, no YouTube e eventualmente n'outros espaços de video uploading.




Não obstante tratar-se de uma obra maculada pelo tom sobejamente dúbio de um certo sentimentalismo nostálgico-operático, a penar numa espécie de purgatório temático entre o mais sincero de uma certa tradição dos cinemanifestos anti-guerra e aquilo que sobressai como uma colecção de tiques e clichés belicosos, descarado na sua pose proto-chauvinista, a estender, até ao limite, longos planos da brava nave sulcando os mares e dos solenes cerimoniais em parada, entre proa e convés, e a exceder largo o estritamente aconselhável na cacofonia da batalha e no berreiro dos valentes combatentes, ainda assim "Otoko'tachi No Yamato" beneficia de um excelente e mais-que-esmerado esforço encenatório, numa produção de ambições e medidas hollywoodescas, a abrir os cordões à bolsa e à aguçar o engenho quando trata de imprimir 'realismo' e 'veracidade' ao seu propósito narrativo de reavivar à memória dos relativamente-indiferentes — o cenário concebido como reprodução tão fiel quanto possível do defunto Yamato original, de uma réplica em escala 1:1 da respectiva dianteira, após a conclusão do filme, esteve cerca de um ano aberta ao público entusiasta destas coisas, recebendo perto de um milhão de visitantes até à data do seu encerramento para posterior desmatelamento. 


Maçador, mas, tanto quanto possível bem-feito. À medida do freguês, que aprecia gestas heróicas desta monta.


Em despedida, por hoje, aqui vos deixo, em dois 'tomos', a feérica batalha, da tarde desse 7 de Abril de 1945. Como no saudoso anúncio da Kodak "Para mais tarde recordar"...












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sábado, 3 de abril de 2010

That's The Tokyo Joe!



É sempre um prazer tomar conhecimento de quando alguém cá vem pela primeira vez, estreando-se em Tokyo.
E vem-me logo a memória o Grande Brião e o seu clássico de '77.
Em sentida homenagem a todos quantos sonham, um dia, visitar essa solene e vibrante Edo de outrora...

Yoi shuumatsu wo! - 良い週末を! Bom fim-de-semana!