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quarta-feira, 7 de abril de 2010

07.04.1945: O Adeus À Grande Besta D'Aço


A Última Cartada —7 de Abril de 1945: após mais de três furiosas e descarnadas horas de combate, contra cerca de trezentos aviões inimigos lançados em sucessivas vagas de ataque, e após encaixar cerca de vinte e três bombas e torpedos no seu casco, o Yamato — maior vaso de guerra alguma vez concebido — explode em pleno Pacífico, pelas 14:20, 290 km Sudeste de Kyushu, e em pleno início de percurso que o levaria à sua missão final e antecipado epitáfio suicída, a Operação Ten-Go, em apoio à desesperada defesa de Okinawa.



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Ainda nos nossos dias, a tragédia do Yamato conserva um poderoso ascendente sobre a psique colectiva do Povo Japonês. 


Símbolo maior dos anos da "Grande Guerra da Ásia Oriental" (大東亜戦争 — Dai'Tou'A Senso) — designação pela qual o somatório das campanhas militares travadas entre 1931 e 1945 por cá se fez em tempos nomear —, enquanto obra-prima da engenharia naval-militar da primeira metade da Era Showa, megalómano gigante de aço a desafiar o Mundo, perecendo, exausto, nesse estático, impassível Pacífico, eternamente alheado dos desastres dos homens, o super-couraçado de 65.000 toneladas, contando com nove desmedidos canhões de 18 polegadas e tripulado por mais de 3000 homens — dos quais somente 277 de entre a tripulação à data da sua última batalha e afundamento, tornariam a pisar terra firme — permanece, incólume, incontornável, enquanto imagem evocativa, arquétipo alegórico desse "Grande Nada", como Mishima se lhe referia no seu peculiar, sardónico azedume, que foi a Guerra do Pacífico para o Japão.




Tal é o pêso deste monstro na memória colectiva do país que lhe emprestou o nome, que o mesmo é honrado e celebrado em museu próprio, a si exclusivemente dedicado, e a primar como visita obrigatória para todos quantos por Kure, Perfeitura de Hiroshima, um dia passem. 


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Ainda a fazer jus ao temor reverencial dispensado ao fantasma deste Golias do século XX, o ano 2005, e pelo 60º aniversário do seu afundamento, viu estrear esse "Otoko'tachi No Yamato" (男たちの大和 — "Os Homens do Yamato", dir. Junyia Sato), discreto épico para consumo da casa, que fora do Japão permanece virtualmente incógnito, sendo no entanto possível, hoje, visualizar o filme, fraccionado, no YouTube e eventualmente n'outros espaços de video uploading.




Não obstante tratar-se de uma obra maculada pelo tom sobejamente dúbio de um certo sentimentalismo nostálgico-operático, a penar numa espécie de purgatório temático entre o mais sincero de uma certa tradição dos cinemanifestos anti-guerra e aquilo que sobressai como uma colecção de tiques e clichés belicosos, descarado na sua pose proto-chauvinista, a estender, até ao limite, longos planos da brava nave sulcando os mares e dos solenes cerimoniais em parada, entre proa e convés, e a exceder largo o estritamente aconselhável na cacofonia da batalha e no berreiro dos valentes combatentes, ainda assim "Otoko'tachi No Yamato" beneficia de um excelente e mais-que-esmerado esforço encenatório, numa produção de ambições e medidas hollywoodescas, a abrir os cordões à bolsa e à aguçar o engenho quando trata de imprimir 'realismo' e 'veracidade' ao seu propósito narrativo de reavivar à memória dos relativamente-indiferentes — o cenário concebido como reprodução tão fiel quanto possível do defunto Yamato original, de uma réplica em escala 1:1 da respectiva dianteira, após a conclusão do filme, esteve cerca de um ano aberta ao público entusiasta destas coisas, recebendo perto de um milhão de visitantes até à data do seu encerramento para posterior desmatelamento. 


Maçador, mas, tanto quanto possível bem-feito. À medida do freguês, que aprecia gestas heróicas desta monta.


Em despedida, por hoje, aqui vos deixo, em dois 'tomos', a feérica batalha, da tarde desse 7 de Abril de 1945. Como no saudoso anúncio da Kodak "Para mais tarde recordar"...












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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

23/XII: Parabéns Ten'O!

Hoje, 23 de Dezembro, dia do 76º Aniversário de Sua Majestade, o Ten'O (天皇) Akihito, Soberano do Japão, pontífice da mais antiga monarquia em exercício no Mundo, a qual remonta à longínqua data do Ano 660 A.C.
A data em si é o último feriado do ano no País do Sol-Nascente.
Muito poderíamos aqui dizer acerca do Ten'O, da sua eventual (ir)relevância no Japão d'hoje, da natureza das suas funções enquanto patriarca da Casa Imperial Nipónica e de Chefe de Estado, da sua menos conhecida e distinta carreira como Ictólogo - seguindo, aliás, neste campo, as pisadas de seu pai, o Imperador Shôwa (昭和天皇) - do muito ou pouco ou muito pouco que os d'aqui se permitem descortinar, de íntimo ou de público, sobre o assunto - esta é matéria de mais silêncios que falatório -, do passado que o antecedeu e do futuro que está ainda e sempre por escrever.

Da minha parte gostaria só de dizer que gosto muito do Ten'O.
Gosto dele, tenho por ele uma simpatia e um carinho quase-filiais, como se eu próprio de súbdito de facto do mesmo me tratásse; é daquelas coisas que não se explica, não dá direito a debates ou devaneios: sente-se. No coração. Pronto.

Eles podem dizer o quiserem e bem lhes apetecer sobre Sua Majestade e o papel da monarquia aqui, que tanto se me dá como se lhe deu. Couldn't care less. Eu gosto do Ten'O e penso que ele é uma figura de relêvo e a última força fundacional da Alma do Japão. Sem Ten'O, o Japão seria, de uma vez por todas, um país amputado do seu próprio coração. Por isso, fico feliz de ver O Imperador sorridente e de saúde, acenando à nobre gente que o veio saudar, hoje, ao Kokyô (皇居).
Parabéns Ten'O! Muita Saúde e Felicidade. Conte muitos.