
"Ao meio-dia desse dia, ouvindo a radio, em casa do senhor Ichikawa, em Takada, soube então que o Japão acabara de se render. Apressei-me então a ir até ao segundo andar do Templo Zendoji, e pegando na minha câmera, corri até ao exterior e posicionei-me diante do pavilhão central do templo: apontei então a câmera directamente contra o Sol que pairava sobre mim e disparei. Não soprava nem uma brisa suave que fôsse, as plantas e as árvores estavam sêcas e inertes, e, no céu, nem uma nuvem sequer. Só o Sol desse dia, 15 Agosto de 1945, ali estava, impassível, raiando no céu."
"Ainda hoje me pergunto porque terei eu fotografado o Sol nesse dia. Ainda me deslumbro com a ideia de haver porventura algo alheio à mais elementar razão ou emoção no acto de fotografar seja o fôr ou se este meu hábito de registar o que vejo em imagens se opera estranhamente por si próprio."
HIROSHI HAMAYA, 1915-1999