sexta-feira, 6 de maio de 2011

Oh Sim! Gosto muito de Kyoto... (V) / Teramachi quase-sépia










...e desses outros lugares que cheiram a papeis velhos 
e a mofo entediado
e a madeiras cansadas
de prateleiras tristes
que medeiam entre sombras 
e cores de festa...













































































































































































































































































Volto já.



❁❁❁


Oh Sim! Gosto muito de Kyoto... (IV)




...e de tudo o que parece improvável,
sem que alguma vez o fosse. 


⦿⦿⦿

Oh Sim! Gosto muito de Kyoto... (III)






...e dessas cores nunca antes por mim pensadas
e de que alguém guarda o segredo.




✷✷✷

Oh sim! Gosto muito de Kyoto... (II)


Mais que de cidades livres, 
gosto de cidades-livros,
de páginas abertas ao céu entre as lombadas dos rios.

E onde os prólogos se lêem como epílogos e vice-versa.


✿✿✿

Oh Sim! Gosto muito de Kyoto...





...E estou de regresso à vossa companhia.
Mas, por ora, aguardar, que a noite vai alta e a jornada foi dura.
E a emissão prossegue dentro de momentos.



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terça-feira, 3 de maio de 2011

八千代座 (visitado — visão pessoal e transmissível)






         Apressadamente e porque o tempo urge e não espera, a noite vai alta e parto noutra jornada esta madrugada, não irei por hoje alongar-me em descrições elaboradas, mas tão-só presentear-vos com a colecção do dia. Em todo o caso, aquilo que mais importa reter de didáctico acerca do lugar hoje visitado já aqui vos propus como leitura breve.

        Apenas algumas notas pessoais de possível interesse.
       Chegados que somos a Yamaga-Shi (山鹿市), e aproximando-nos do belo Yachiyo'Za (八千代座), talvez o aspecto que mais salte à vista se prenda com o facto de que o edifício do mesmo se apresenta, de fora, como uma peça arquitectónica de contornos bem mais austeros que aqueles que o seu interior, repetidamente retratado por inúmeros fotógrafos profissionais e amadores de todo o mundo, ao estreante nesta visita, auspiciaria. Não obstante, aproximando-nos do grande teatro tradicional do final da Era Meiji / início da Era Taishō, a visão em redor como que nos transporta para o tempo da sua construção não fossem os sinais  — menores, contudo sempre presentes — da modernidade hodierna...





...E claro está: ele há hábitos que, e ainda que não soubéssemos de antemão de que país falávamos ao determo-nos a contemplar estes souvenirs de um dia quente de Maio, logo cuidam de denunciar a pátria deste património...










      Já no interior do grande pavilhão das Oito Mil Gerações, é aquele tecto pintado a outras mil cores que ameaça fazer-nos reféns do recinto por muitas e demoradas horas... 




















Porém, e ainda do exterior, uns quantos outros detalhes a reter...

































E de regresso casa adentro...











...de vez, um retrocesso no Tempo...






































       A larga maioria dos temas pintados no requintado tecto do pavilhão e em seu redor, são, afinal de contas, antigos e elaborados anúncios publicitários às muitas e afamadas casas comerciais que ao tempo da sua construção prosperavam por estas terras e cujos patrocínio, não apenas financiou o erguer do próprio Yachiyo'Za como, de igual modo, por várias gerações, cuidou de zelar pela sua preservação e invejada fama como paladino das mais belas  encenações do Kabuki e demais ancestrais artes de palco de Yamato.


















































































































As horas que pela manhã de ontem aqui passei foram sem dúvida memoráveis 
— 421 retratos —
naturalmente, por razões de espaço e tempo só uma breve amostra pode aqui hoje figurar...



Foi contudo uma escolha difícil, esta...






















































    Um pequeno extra, que veio a calhar como cereja no topo do bolo, e em jeito de despedida por hoje, foi essa inesperada presença de um par de noivos em esmerados trajes ao mais puro gosto Washiki (和式 — expressão que designa o mais refinado e genuíno estilo legado de um certo Japão antigo, e nunca esquecido...). Estavam lá fazendo-se fotografar elegantemente por uma equipa contratada para o efeito e era — oh se era —   digno, lindo de mirar, e eu confesso-vos: não resisti... e...

click... click... click...






















































Conto regressar à vossa companhia em breve.

Agora é tempo de rumar a Kyoto.



✾✾✾




segunda-feira, 2 de maio de 2011

Interrompemos a regularidade da emissão, apenas porque este compromisso publicitário vale realmente a pena...

エステー宣伝部


















      Já aqui antes, vos tinha mostrado uma curiosa peça publicitária "made in Portugal" para o Japão, e ainda em exibição nos interregnos entre a programação regular nuns quantos canais televisivos de cá, no caso um engraçado anúncio para uma empresa do ramo imobiliário.
    Agora por esta campanha é que nem eu, nem ninguém esperava, mesmo! 

   Os produtos publicitados, neste caso — da ESTÉ (ST) - Shōshūriki (エステー消臭力), esta última palavra significa literalmente "poder de apagar odores" (ou seja desodorizante) — não são mais que uma gama de populares desodorizantes de retrete. Nada de mal, convenhamos. Eu próprio posso dizer que uso produtos desta marca em casa, sobretudo o spray rôxo da direita aí na foto supra e posso afirmar-vos que é óptimo e que se se vendessem aí eu recomendaria os produtos em causa sem quaisquer reservas.
    Foi, porém, agora mesmo ao regressar de Kumamoto que alguém me chamou à atenção: 
    "Luís-san, já viu aqueles novos anúncios muito engraçados do エステー消臭力 na TV?... é lá em ポルトガル, não é?..."

   Não, ainda não tinha visto. E ao ver, foi uma valente risada de rolar no chão às gargalhadas e até na rua se ouvir, como já há muito que não dava umas assim!

   É certo que a ESTÉ (ou simplesmente 'ST' — エステ) — companhia sediada em Osaka, líder de mercado no sector em causa — é de igual modo bem conhecida por uma certa tradição de lançamento regular de spots publicitários bem-humorados (esclareço, para uma melhor apreciação do link que antecede, que a palavra 'kusai' significa pivete...) com que brinda o público há muitos anos e de que este e este e ainda est'outro exemplos fizeram a imagem de marca. 
  Sucede, porém, que, com a ocorrência do Grande Terramoto de Tōhoku a 11.03, houve quem (coisa tão ao 'jeito' de cá...) achasse que não era altura para grandes comédias e quem mais sugerisse que qualquer coisa 'assim'... 'porventura mais sensibilizante', atento o período difícil que o país vive, em face da Grande Tragédia do Nordeste, etc. e tal, poderia ser uma opção a ponderar, blá, blá, blá...  Meanwhile, alguém mais se lembrou que num certo canto da Europa, há uns duzentos e muitos anos, uma tragédia de semelhantes proporções por lá havia abalado — e de que maneira!... — o solo do Velho Continente, e que em jeito de lembrança ou de homenagem ou fosse lá o que fosse que fulano ou fulana tinham em mente quando pensaram no dito lugar lá longe, vai d'agarrar na tralha e vamo'lá fazer a nova campanha Primavera-Verão...
    
    Vale a pena escutar primeiro o tema original e, logo a seguir, espreitar e apreciar as singelas prestações vocais do ミゲル (Miguel), do フランシスコ (Francisco), do トーマス (Tomás) , dos Senhores アメリコ (Américo) e カルロス (Carlos), e ainda das pequenas ビートリッツ (Beatriz [?], esta para mim é a melhor de todas!... Grande paródia!), a レオノア (Leonor), a マルガリータ (Margarida), e por fim as três garotas juntas! 
     Grande Fartote...
     Haja boa-disposição! 

     Deixo-vos por ora com um excerto do 'making of' e um dos clips via YT. 
     Enjoy!:


    




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domingo, 1 de maio de 2011

八千代座



     Mais cenas dos próximos capítulos: amanhã é dia de visita ao magnífico Yachiyo'Za (八千代座) em Yamaga-Shi (山鹿市), Kumamoto (熊本県) — traduzido à letra "O Assento das Oito Mil Gerações" —, é um dos três mais belos e bem preservados teatros tradicionais do Japão, consagrado, desde a sua fundação há precisamente 100 anos, às ancestrais artes de palco do Kabuki, Bunraku, Kyōgen e Buyō. 





    
  Edificado em 1911, final da Era Meiji, a expensas de um consórcio de ricos comerciantes locais e numa época de grande prosperidade na região, o esplendoroso Yachiyo'Za, chegada a década de 70 do século passado, atingiu um estado de declínio, degradação e decrepitude tais que a sua demolição a breve trecho era já anunciada. 
    Foi a imensa sensibilidade e generosidade das gentes de Yamaga-Shi, a que se lhes somou o especial contributo de algumas das maiores figuras do Kabuki de Shōwa, em especial do yakusha Bandō Tamasaburō V (五代目 坂東 玉三郎 Godaime Bandō Tamasaburō), que restituiriam ao Yachiyo'Za a vitalidade, o encanto e a graça das décadas de Taishō (1912-1926) e início de Shōwa (1926 — 1989), vindo, o grande teatro, a ser meticulosamente restaurado, renovado e a reafirmar-se como palco regular para as mais prestigiadas companhias das artes de palco tradicionais do Japão logo a partir da década seguinte, processo de revitalização de grande sucesso que lhe garantiria a atribuição do estatuto de Património Nacional Protegido ainda em 1988.

    Confesso-vos que, não obstante ter manifesto interesse no lugar, que já me vinha aguçando a curiosidade desde há algum tempo, para amanhã, estava com mais vontade de ir a outros lugares em Kumamoto que tenho prometido a mim próprio visitar há meses... E ainda aqueles outros antros de perdição... mas, pronto, foi um convite que me fizeram, tenho boleia, e como 'a cavalo dado não se olha o dente', amanhã, e como de costume, conto trazer retratos.

     待って下さい。Matte kudasai. 


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