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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Sós




Shikanoshima — 志賀島 —7.V.2011























("The rivers of Babylon flow, and fall, and carry away...
Jesus is alone on earth, not merely with no one to feel and share His agony,
but with no one even to know of it.
Heaven and He are the only ones to know.

Jesus is in a garden, not of delight, like the first Adam,
who there fell and took with him all mankind,
but of agony,
where He has saved Himself and all mankind.

He suffers this anguish and abandonment in the horror of the night.


Jesus will be in agony until the end of the world.
There must be no resting in the meantime..."*)










*Pascal,  Pensées   (Trad. Inglesa)







✺ ✺ ✺




segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Um Lugar Em Paz (V)




旧志免鉱業所竪坑櫓 — 16.X.2011



    Algo reminiscente dessas infelizes, grotescas flaktürme ainda hoje entravadas por Viena, a velha torre mineira de Shime (志免鉱業所竪坑櫓 — Shime Kōgyōshō Tatekō Yagura), de altiva, sobranceira vista sobre a cidade das colinas prósperas, não é propriamente uma atracção das redondezas. A sua imponente figura e bem assim seus sombrios traços e definhada cor conferem-lhe, em qualquer recurso, um estranho e mesmerizante encanto, algo que, temo, possa tão-só apelar a diletantes arqueólogos da modernidade como este vosso NanBan.

     Encontrei-a por acaso há pouco tempo e foi amor à primeira vista, confesso.
   Assiste-lhe uma sui generis fotogenia, e podemos ficar horas a contempla-la e a decifrar-lhe os recônditos detalhes que só um olhar mais demorado permite perscrutar.

    









    Erigida entre 1941-1943, em pleno período de mobilização total dos recursos do país e em prol do esforço de guerra então em curso, a velha torre de betão armado, não foi, de facto, concebida primordialmente para fins militares, mas sim com o peculiar propósito de albergar um ambicioso sistema de perfuração vertical e extracção de carvão a mais de 400 metros de profundidade numa área então tida ainda por bastante afastada do porto de Hakata e ligada ao centro da cidade por uma linha de caminho de ferro hoje totalmente desactivada. Porém, e sendo a mina de Shime então directamente administrada pela Marinha Imperial, e, assim sendo, um alvo de eleição para os raides aéreos americanos sobre a zona, os quais se intensificariam fortemente pelo último ano de guerra, é garantido, assim, que a velha torre tenha desempenhado funções de vigilância e repressão de ataques da aviação inimiga nesse derradeiro fôlego de '45. Mas, esclarecia, o propósito primeiro da sua bizarra atalaia era,  antes, o de albergar um poderoso motor de 1000 cv. de potência do qual dependia todo o processo de extracção do precioso minério a grande profundidade.
     

    






  Com a derrota e subsequente desmantelamento das forças armadas e indústria militar japonesa, a mina de Shime seria encerrada e impedida de laborar por vários anos, retomando a plenitude da sua capacidade produtiva só por volta de 1955. Mas seria sol de pouca dura, posto que os seus recursos revelar-se-iam insuficientes para assegurar a respectiva viabilidade económica e em 1964 a mesma fecharia de vez as suas portas. Dela restam apenas a velha torre e dois túneis de portões escrupulosamente trancados a sete chaves.








































































   A área em redor da velha Yagura [櫓], de altura equivalente a um prédio de quinze andares, é hoje um simpático parque de recreios para miúdos e graúdos, de jovial atmosfera a contrastar fortemente com a ominosa silhueta dessa náufraga carcassa de betão, sobra de um tempo, a cada dia que passa, mais alheio da memória comum.









       Gosto de lugares assim, distintos senhores de uma história sofrida. 
      Lugares assim têm uma alma. Alma essa que vive além da morte dos seus originais propósitos e mais que acicatar a morbidez de outros tantos saudosismos privados, invoca antes a nobreza e a dignidade desse labor humano que o sonhou, ergueu e dele fez uma referência de boa memória.


































1955























    Há quem se deleite a fotografar a Torre Eiffel,  o Big Ben, o Hollywood Sign, castelos medievais ou a Grande Muralha.

    Um lugar assim diz-me infinitamente mais.

    Não é um esqueleto.
    É um farol.












"Un Grand Sommeil Noir"
(1906)



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sábado, 17 de setembro de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Oh sim! Gosto muito de Kyoto... (II)


Mais que de cidades livres, 
gosto de cidades-livros,
de páginas abertas ao céu entre as lombadas dos rios.

E onde os prólogos se lêem como epílogos e vice-versa.


✿✿✿

domingo, 23 de janeiro de 2011

Um Lugar Em Paz... (IV)





























西教時 — Saikyō-Ji, 22.01.2011



  Ao passar por lá ontem a meio da tarde, apercebi-me que era a primeira vez que via o Saikyō-Ji sob o azul do céu.

  Todo o bairro de estreitas vielas e casas de um-só piso térreo em redor do Shofuku-Ji [福寺] — do qual o Saikyō-Ji é templo-satélite — jazia envolto num sepulcral silêncio, coisa estranha neste lugar, mesmo num Sábado à tarde, e ainda que este 'nagare' seja dado à mais imperturbável pacatez, que preserva por apanágio.


    E não se via vivalma, fosse qual fosse a direcção que o olhar tomasse...













     Por ali passava ontem, por mero acaso.

       O portão do Saikyō-Ji estava aberto.

    Defronte do Saikyō-Ji há uma velha loja de esquina, espécie de mercearia de bairro cujos simpáticos, idosos donos albergam uma enorme família de gordos e amistosos gatos que passam os dias a vaguear entre a pequena loja e a vizinhança. 

     Ah! Eis, aqui, alguns retratos, 'snapshots' nocturnos dos anafados bichanos, captados em Outubro passado por altura do último Tōmyō, que creio não ter aqui partilhado antes convosco... 





























     Mas, por esta tarde de Sábado, a dita loja fechada estava. E dos felizes felinos nem sombra...


         Porém, o portão do Saikyō-Ji estava aberto.
         Entrei. 

         Ninguém em redor. 

     Na escadaria do Templo, alguns pares de sapatos delicadamente alinhados.

      Detenho-me, por um momento, diante do enorme Kane [鐘 — sino] de bronze sob o peso do elaborado Shōrō [鐘楼] de frisos e traves esculpidas.















Há silêncio.














E eis senão quando, do interior do grande Butsu'den [仏殿] ou Hondō [本堂], oiço cânticos solenes.

Era a hora das orações.




quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ainda dos dias quentes...



Rakusui'en [楽水園], Hakata, 24.10.2010



   "Furtar um beijo como quem tira um coelho da cartola, meter o braço recordando a habilidade dos manipuladores de lustro, quase engraxates, ou admirar o religioso dos grandes monumentos de intensidade, era um tudo que bastava à minha alma."



Ruben A., in "O Outro Que Era Eu"  (1966)











sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Um Lugar Em Paz... (III)











A salvo de todas as controvérsiasYasukuni-Jinja —  靖国神社  — e o seu anexo, o Yūshūkan遊就館 — deveriam, em qualquer circunstância, constituir ponto de referência e visita obrigatória para todos quantos visitem Tokyo uma vez que seja na vida.













Kudan, esse "Vale dos Caídos" de Yamato, é hoje um lugar em paz, ainda que velado por espíritos de má-memória e p'la tristeza dos que viram filhos, irmãos, maridos e pais, camaradas de tragédia, partir e não mais voltar.


Esta é a sua última morada.


































(1825 - 1869)





























































































































































































































神風




























— "Mãe" —











 母の像

—  Monumento às Mães Viúvas —