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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Das causas de morte de uma causa morta (à nascença)

Comício do então recém-legalizado Partido Comunista Japonês (日本共産党 — Nihon Kyōsan'Tō), 
Parque de Hibiya (日比谷公園), Tóquio, nas imediações do Kōkyo, 1946 
— sob vigilância do ocupante.
Autor incógnito. Imagem obtida d'AQUI.


    Ainda estive, confesso, para escrever sobre o assunto, maçando-vos com meia-dúzia de impressões que, seguro estou, a maioria sacudiria para vão de escada, ou, na pior das hipóteses, ainda suscitaria novas e assanhadas indignações desta feita não contra os tradicionais bodes expiatórios de serviço, mas sim contra este mísero e mesquinho... Enfim... não será por isso. É falta de pachorra mesmo, e de qualquer modo, por regra, bem o sabeis, abstenho-me de aqui discursar sobre o que lá vai dess'outro lado do Mundo, do qual já nada de bom espero faz muito tempo, e de cujos vícios aqui faço por me desintoxicar.


   Eu só lhe acrescentava mais uma ou duas observações de quem colhe o benefício da distância de aqui estar, mas a minha regra — supra invocada — foi feita para se cumprir e não será certamente este o assunto que fará a excepção.






"Shut up! Shut up!" 
(LOW VOLUME SUGGESTED)





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sábado, 24 de setembro de 2011

Amigos em Tokyo

A eles, que são alguns, e guardo no coração, uma especial dedicatória.







"Oh oh oh Life can be cruel...", já cantava o Sylvian há muitos e bons anos, não é assim? — sem sarcasmo. 
そう、ですね。






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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um apelo sentido, uma mensagem a reter



Foi ontem, dia 19 de Setembro, Dia Nacional do Respeito pelos Idosos — 敬老の日, Keirō-No-Hi —, que teve lugar, no Parque Meiji em Tóquio, a maior manifestação anti-nuclear desde os fatídicos eventos de Março passado. A acção de contestação da actual política de contenção da crise nuclear de Fukushima e de protesto contra a inépcia do governo e TEPCO em esclarecer devidamente o público acerca da dura realidade que o Japão hoje enfrenta, contou com o apoio e presença de inúmeras e destacadas figuras da sociedade civil e cultural do Japão entre os quais Ōe Kenzaburo, Prémio Nobel da Literatura em 1994 — 2º a contar da esquerda na foto supra —, que assina um breve e contundente artigo na edição do Mainichi Shinbun [毎日新聞] do mesmo dia, sobre a gravidade da actual situação em Tōhoku, a afectar não apenas o Nordeste e centro do Japão, mas as vidas de todos nós.

        Ainda do mesmo jornal, edição de hoje, 20.9, da autoria de Tamaki Kenji, um outro artigo de opinião sobre a questão do tratamento (censurado e não menos censurável) da informação vertida sobre a crise nuclear actual, que temos a destacar.



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sexta-feira, 22 de abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

"Beware the Ides of March" — Ontem como hoje...










   ㊤

      Os números do "Tōkyo Daikūshū" [東京大空襲]: 267.000 edifícios consumidos pelas chamas (~25% da capital Nipónica à época), mais de 100.000 mortos [e até ao dia da rendição, a 15 de Agosto desse ano, só Tóquio seria 'visitada' por mais 11 raides de grande envergadura... ] — o número total de vítimas dos bombardeamentos com recurso a 'clusters' incendiários um pouco por todo Japão nos últimos 6 meses da II Guerra Mundial, ultrapassa o meio-milhão...




        Rikuzentakata [陸前高田市], Prefeitura de Iwate [岩手県] e Minamisanriku [南三陸区], Prefeitura de Miyagi [宮城県], 11 de Março de 2011: 11,417 mortos confirmados, 16,290 desaparecidos, 2872 feridos, mais de 125.000 habitações e outros edifícios destruídos ou danificados por toda a região de Tōhoku [東北地方]...  






     O Povo de Yamato bem que poderia reclamar como sua e re-interpretar essa inauspiciosa interpelação shakespeareana, posta na boca do vidente que se dirige a César  — "Beware the Ides of March", posto que os ditos Idos coincidiriam, nos antigos calendários romanos, com o dia 15, e não com o 11 deste mês.  

    Aquilo que importa, porém, reter desta (aparentemente) inusitada comparação de imagens e números é o facto de que, em ambos os casos, a Nação Nipónica não se deixou abater, prontificando-se de imediato a recomeçar do zero aquilo que o Destino e os Deuses lhe sacrificaram — que nem Destino, nem Deus algum, trava a força indómita desta gente. 
      E, em qualquer recurso, as condições de recomeço há 66 anos atrás eram bem mais severas que as de hoje...







"Goodbye Blue Sky"


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terça-feira, 29 de março de 2011

"Máscaras, mascarilhas, medo nuclear e a rainha Santa Isabel"




     

    Uma referência — e uma reverência — que urgia partilhar aqui convosco.

        Obrigado Dr. Duarte Alves, por me conceder o privilégio de tão brilhante escrita a emoldurar nesta modesta casa.


     Um reconhecimento que não podíamos, aqui, adiar  por mais tempo. 
   Um Grande Bem-Haja pelo vosso abnegado e impagável serviço em prol de todos nós!




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sexta-feira, 18 de março de 2011

A Voz do Bom Senso



Em Fukuoka [福岡市], maior cidade do Sul do país,
a vida corre a um ritmo de quase absoluta normalidade,
notando-se,  contudo, uma menor abundância de certos bens de consumo.
Mas não é correcto falar em escassez.





      À semelhança daquilo que nos relata o meu mui estimado compatriota em Tóquio, também eu ontem recebi o mais sobre-alarmado dos contactos por parte da minha Mãe, tomada de sobressalto pela caterva de exageros de toda ordem que, em geral, os media fora do Japão, por estes dias se permitem divulgar.

       Nunca subestimando a gravidade da actual situação em Tōhoku [東北] e Kantō [関東], parece ser necessário lembrar a muito boa gente que o Japão, país composto por mais de 3000 ilhas e com um território soberano de mais de 377.000 k㎡, não se resume às duas regiões mais afectadas pelo cataclismo de 11.03 supra mencionadas, não obstante falarmos de uma área equivalente à quase totalidade da costa de Portugal continental — cerca de 850 km de extensão — quando falamos, tão-só!, do território devastado no Nordeste do Japão|Tōhoku há uma semana.

      A Nação Japonesa não baixa os braços nesta que é a mais difícil das horas na sua História recente.

      E creio que não há necessidade de recordar a seja quem for que, aqui, já se viveram tempos muito, mas muito piores... 
   





sábado, 26 de fevereiro de 2011

De Um Tempo Ausente



Shibuya, Tokyo-To, 11.04.1986






PLAY AT MAXIMUM VOLUME.

                   

                Há coisa de vinte e cinco anos ela passou por aqui.


          Nesta peça, entra logo mal, fora de tempo, a figura assusta, um desastre, um navio fantasma encalhado entre rochedos ao largo de uma praia de mau nome sob um soturno céu cinzento, uma vida inteira metida por um buraco negro sem retorno adentro... que é aquilo??

              Era o tempo, ele também, desse cornucópico Japão flutuando, embriagado, num mar de dinheiro, feito espécie de 'last resort' para todo o falhado das tabelas de vendas discográficas elsewhere — os tais 'Big in Japan' (porque não eram big em mais lado nenhum) —, e assim havia sempre, no fim, um cheque chorudo para toda a gente, e por um par de meses todo o biltre se reconciliava com a vida. Que o dinheiro não dá felicidade mas ajuda muito.

          Tudo contra, há, ainda assim, qualquer coisa de genuinamente transcendente neste som e nestas imagens...

             Qualquer coisa que arrepia — de tão belo quanto grotesco.


              A soundtrack for this weekend.  For every weekend.

   
             Tende a bondade.





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domingo, 6 de fevereiro de 2011

アカシアの雨がやむとき / Quando Cessa A Chuva Entre As Acácias...





(Este pertence, por uma questão de método, à série intitulada Capítulos Omissos, uma vez que iniciei a respectiva redacção há alguns meses, por altura da realização de vários debates, aqui no Japão, em torno do tema do "ANPO", como ele é aqui conhecido desde a da sua celebração, e pela altura em que se assinalavam 50 anos sobre a assinatura do ditoMaio de 1960.  Por uma série de razões pu-lo de parte na altura. Hoje, Domingo, 6 de Fevereiro, ao escutar, por mero acaso, o tema musical que dá o título a este escrito, lembrei-me de o retomar. Até porque num tempo em que proliferam os levantamentos de rua noutras paragens do nosso Mundo, o tema ganha novo fôlego enquanto referência de outras experiências que a memória colectiva tende a displicenciar, virtude do discreto e quase-imperceptível passar-dos-anos, das décadas...)


Foto: Hamaya Hiroshi [濱谷浩], Junho de 1960,
da série "A Chronicle Of Grief And Anger"




   Com a aprovação pela Dieta Nacional dominada pelos Liberais-Democratas (Conservadores) do Jimintō [自民党] então liderados por um dos principais artífices do 'milagre nipónico' pós-'45, Kishi Nobusuke [岸信介], o 'mentor' do "Sistema de '55", do mais controverso instrumento político-jurídico adoptado pelo país desde o desfecho da II Guerra Mundial, a jovem democracia nipónica submetia-se em Maio de 1960 ao seu primeiro grande teste.






       Meros quinze anos volvidos sobre a hecatombe de '45, os fantasmas do belicismo de outros tempos conservavam-se ainda demasiado vivos e presentes para serem negligenciados por uma parte significativa da população que não compreendia como podia um país resguardado no mais escrupuloso pacifismo consagrado na Constituição de 1947, se comprometer agora com o recém-reconciliado amigo Americano, o tal que desta feita se assumia como protector de um Japão desarmado, de futuras hostilidades, não obstante tal processo implicar não apenas o reconhecimento da perda de uma significativa parcela da soberania da nação sobre o seu próprio território como a própria re-militarização do país, ainda que a expensas e por meios cedidos tão-só pelo novo Aliado, remetendo-o irreversivelmente para a esfera de influência político-militar deste, e depois de o processo inverso ter sido, paradoxal e unilateralmente imposto pelo seu outrora nemesis

         Os protestos "anti-Anpo" — a expressão "Anpo" surgindo enquanto abreviatura da complexa designação  Nippon-koku to Amerika-gashūkoku to no Aida no Sōgo Kyōryoku oyobi Anzen Hoshō Jōyaku (日本国とアメリカ合衆国との間の相互協力及び安全保障条約), Tratado de Cooperação Mútua e Segurança entre os Estados Unidos da América e o Japão , também conhecido no Japão como Anpo Jōyaku (安保条約), contracção do mais extenso Anzenhoshō Jōyaku ( 安全保障条約) —, haviam sido mobilizados por uma frente comum, reunindo partidos de Esquerda — encabeçados à época pelo Partido Socialista do Japão [日本社会党 — Nihon Shakai-Tō] e pelo seu Secretário-Geral Asanuma Inejiro, assassinado em Outubro desse ano — e uniões sindicais várias entre as quais pontificava o Sindicato dos Professores do Japão, e durante cerca de dois meses, entre Maio e Junho de 1960, não houve um só dia em que as ruas de Tóquio e demais grandes cidades do país não fossem palco de monumentais manifestações de repúdio pela ratificação de tão iníquo tratado e de que as câmeras de então não dessem empolgado testemunho, com centenas de milhares de homens e mulheres de todas as classes etárias convergindo a passo firme para os centros políticos do seu país, empunhando cartazes e estandartes onde se liam veementes palavras de ordem de um empenho político-combativo das massas trabalhadoras como nunca antes o Império do Sol-Nascente presenciara.


        Certo é que, uma vez ratificado, o mal-amado Anpo viera para ficar: o Japão não podia viver sem tamanho instrumento legal destinado à sua defesa, e isto simplesmente porque não havia alternativa, num tempo em que a Guerra Fria exigia que tudo e todos se preparassem para o pior que haveria de vir... 


        E ainda que o clima de contestação se prolongasse pela década de 60 adentro, culminado nas violentas acções da extrema-esquerda estudantil — os célebres Zenkyoto/Zengaku'Ren — em 1968-'69, com a improvável tomada de reféns e do campus da To'Dai (Universidade de Tóquio) pelos exaltados estudantes, em finais de '68, nada havia a fazer, num tempo em que se esgotavam as cedências ao extremar de posições. 
      A aventura pistoleira do Nihon Seki Gun [日本赤軍] — versão "Made in Japan" dess'outro Baader-Meinhof ou de umas certas Brigate Rosse, experiências frankensteineanas suas contemporâneas — pela década e meia seguinte adentro, encarregar-se-ia de entoar o canto-do-cisne da militância anti-Anpo iniciada em 1960, num último trágico-cómico acto que a memória comum cuidou de apagar dos seus arquivos.


        Desses dias remotos resta-nos a música, na linda voz da bela Nishida Sachiko [西田佐知子].


           O Anpo
           Esse ainda cá canta.




       
        









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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Um Lugar Em Paz... (III)











A salvo de todas as controvérsiasYasukuni-Jinja —  靖国神社  — e o seu anexo, o Yūshūkan遊就館 — deveriam, em qualquer circunstância, constituir ponto de referência e visita obrigatória para todos quantos visitem Tokyo uma vez que seja na vida.













Kudan, esse "Vale dos Caídos" de Yamato, é hoje um lugar em paz, ainda que velado por espíritos de má-memória e p'la tristeza dos que viram filhos, irmãos, maridos e pais, camaradas de tragédia, partir e não mais voltar.


Esta é a sua última morada.


































(1825 - 1869)





























































































































































































































神風




























— "Mãe" —











 母の像

—  Monumento às Mães Viúvas —