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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dazaifu, ainda...



















Ainda de Dazaifu
— 太宰府 —


Vultos.

Postais ilustrados à discrição. 
Ao vosso dispor.



















































































































































































































Another Green World








sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

11.02: Kenkoku Kinen-No-Hi — 建国記念の日 — Dia da Fundação Nacional





     Reza a tradição, assente no Nihon-Shoki — 日本書紀 — que no 1º dia, do 1º Mês do Ano do Galo, Era de Xin'Wei [辛未— Kanoto Hitsuji, em Japonês] — 660 AC —, pela ascensão, ao trono de Yamato, do Ten'O Jinmu [神武天皇], 1º Imperador do Japão, descendente directo de Amaterasu-Ōmikami [天照大御神 — Deusa do Sol], Pai da mais antiga e incorrupta dinastia reinante na Terra, foi formalmente estabelecido o Império do Sol, esse Nihon ou Nippon [日本] que os NanBan do Século XVI da nossa Era, conheceram — primeiro por intermédio das crónicas de Marco Polo, que nunca chegou a visitá-lo, a esse último Reino a Oriente, dando dele descrição somente com recurso a fontes orais que contactara na China de Kublai Khan — e apresentaram ao Mundo primeiro como Cipango ou Chipangu — provavelmente derivado do Chinês Jih'pen'guo ('Terra Onde Nasce O Sol") — e posteriormente transmutado para Iapan, Iapao, Japao, Japan e todas as demais corruptelas que lhe atribuíram novo nome a Ocidente.  

Cartaz invocativo da celebração dos
2600 anos da fundação
da Dinastia de Yamato
 — 1940 —

      Aquando do estabelecimento desta data como Dia da Fundação Nacional do Japão,   no início da Era Meiji [明治時代], 1872, a mesma coincidia com o início do Ano Lunar Chinês, ou seja o dia 29 de Janeiro desse ano. Contudo, e contrariamente ao esperado, o Governo Imperial cedo verificou que o Kenkoku Kinen-No-Hi [建国記念の日], era entendido pelo grosso da população apenas como se tratando do dia de Ano Novo, de acordo com as antigas tradições do país, e não o identificava com a pretendida invocação simbólico-patriótica.
     Assim, o Dia Nacional do Japão passaria a ser celebrado todos os anos a 11 de Fevereiro.
  Na sua designação original, esta data era celebrada como Dia do Império [紀元節, Kigensetsu
     A data seria abolida com o derrota de 1945 , e veio a ser reinstituída em 1966, sob a sua designação actual, Kenkoku Kinen-No-Hi [建国記念の日], Dia da Fundação Nacional


    Hoje, uma vez mais, saudamos Yamato com um sentido "万歳" — "BANZAI!"







Ano 15 de Shōwa 
— 昭和15年—
(1940)
Cerimónias de celebração dos
2600 Anos da Dinastia de Yamato





❖❖❖


domingo, 9 de janeiro de 2011

"Onisube" — 鬼すべ



Não. 
Não é nenhuma revolução em marcha, nem sequer um protesto...
Mais um — desses, dos ancestrais credos desta gente, que teimam contra o Tempo...

("Onisube" [鬼すべ], em Dazaifu [太宰府], Fukuoka, Kyushu — foto da excelente colecção de Jesus Guzman-Moya)





(Foto: MAINICHI SHIN'BUN [毎日新聞], 7.1.2011)


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ligeiro Retrocesso / Pura Devoção





Tendo só hoje e por mero acaso me deparado com este extraordinário video-documentário no Youtube sobre o Hakata Gion Yamakasa [博多祇園山笠] de Julho passado, não podia de modo algum furtar-me a trazê-lo aqui, ao vosso TLNBJ, tanto mais, ou melhor, sobretudo porque este é 1001 vezes superior ao que quer que fosse que eu me propusesse fazer e trazer aqui, sobre o mesmo tema (ou qualquer outro!).
Muito, muito bem concebido, mesmo!
Justifica-se, em pleno, o ligeiro retrocesso no calendário.

Em quatro breves capítulos, totalizando aproximadamente trinta minutos de pura devoção, Hakata em todo o seu esplendor ao longo da semana santa desta terra firmemente politeísta, para apreciar à falta de melhor ao serão, não vá o cinecartaz de Verão daí ter pouco a oferecer, a televisão ser de fugir e as intermináveis querelas blogosféricas maçarem-vos de morte...

Então 'Kampai!' — Á Vossa!





quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Colina Dos Mártires


Ainda de Nagasaki, 05.08.2010.


Ao abrigo de um certo fair use ou fair dealing, e só porque o Inglês suave e cuidado de Boxer guarda um charme e encanto mui recomendáveis a qualquer leitura que nos proponhamos fazer (ajuda, ajuda, a cativar o interesse dos mais cépticos, garanto-vos...), atrevo-me aqui e hoje a transcrever uns quantos parágrafos de um dos livros que me acompanha em todas as horas e que é quase como que um objecto totémico para mim, e para que a história que se segue vos possa ser transmitida como eu gostaria de o fazer — no meu melhor Português — remetendo-vos, no que respeita a outros detalhes de interesse na mesma, para a obra e autor que uma vez mais vos proponho. Os editores de C.R. Boxer que me perdoem e me puxem as orelhas se for caso, lembro só que não faço um tostão com isto e tão só me presto a este desempenho, porque a história que se segue merece mesmo ser contada. E lembrada.

A página que ficou para a História do Japão como o incidente do San Felipe — um imponente e bem recheado galeão oriundo de Manila com destino a Acapulco, que um tufão desviara até à costa do feudo de Tōsa, Shikoku, em Outubro de 1596, e cuja carga deu azo a uma intrincada disputa entre a corte de Toyotomi Hideyoshi [豊臣秀吉] e os seus legítimos proprietários espanhóis —, e que propulsionou os eventos conducentes a ess'outra dos vinte e seis Mártires do Japão, é, na obra que hoje uma vez mais vos deixo por referência, tratada com o devido detalhe e, aos mais interessados, para a mesma remeto.

Em todo o caso, aqui fica aquele que considero ser, porventura, um dos melhores relatos e reflexões sobre essa trágica manhã de 5 de Fevereiro de 1597.



«The Spanish Pilot-Major [of the San Felipe], Francisco de Olandia, in a ill-judged effort to impress the Taikō [太閤 — 'retired Regent' or '(retired) Shogun'] Hideyoshi's commissioners [led by Masuda Nagamori] with the power of the Spanish King [Phillip II], incautiously admitted to Masuda that the Spanish overseas conquests had been greatly facilitated by the Christian "fifth column" (to use modern jargon) formed by the missionary friars before the arrival of the conquistadores themselves. This observation coincided exactly with what the [Buddhist] bonzes had been telling anyone who would listen to them, since 1570 at least. Coming from, as it were, the horse's mouth, it could hardly be ignored by even a confessed anti-Buddhist like Hideyoshi. This allegation either gave him the pretext for which he was seeking, or else (more likely) decided him that Masuda and Seiyakuin [Seiyakuin Zensō Hōin — Hideyoshi's physician and a staunch enemy of the Portuguese Jesuits] were right in their denunciation of the political menace of Christianity.


«In either event, his reaction was swift and decisive. He forthwith sentenced the [Spanish] Franciscans to death by crucifixion at Nagasaki, as violators of the law of the realm and disturbers of the public peace. At first Hideyoshi threatened to include all the missionaries in his condemnation, but he soon thought better of this — mainly because the Jesuits were still regarded as essential intermediaries for the Macao trade — and in the end only a mixed party of six Franciscans, seventeen of their Japanese neophytes, three Japanese Jesuit lay brothers (these last included by mistake) or twenty-six persons in all, were crucified in Japanese fashion at Nagasaki on a cold winter's morning, February 5, 1597, after having been paraded overland from Kyoto via Sakai and exposed to the derision of the populace.




«The foregoing, be it noted, is substantially the Portuguese and Jesuit account of the matter; for the Spaniards and surviving Franciscans roundly declared that it was the Portuguese who denounced the Spaniards as conquistadores, and who instigated the Japanese to confiscate the San Felipe's cargo. Fray Juan Pobre (an eyewitness and passenger in the great galleon), expressly states that Hideyoshi's decision to confiscate the cargo was taken before the pilot's interview with Masuda, and not after it as the Jesuits account imply. The Spaniards further alleged that the Jesuits not only declined to intervene on behalf of the Franciscans when asked to do so, but went so far as to entertain the judge who presided at the execution. Bishop [Pedro] Martins [Portuguese Jesuit Bishop of Japan, 1591-1598] and his compatriots, it is perhaps needless to add, formally denied on oath these and similar accusations; but they were nevertheless widely believed and repeated throughout the Spanish colonial empire, and did a great deal to foster the ill-feeling between Spaniards and Portuguese which was never very far bellow the surface.


«It may be asked what justification did the Japanese have for their suspicions of European aggression by or through the missionaries? The answer is that they had more excuse than reason. Christian religious propaganda was (and is) in the nature of things difficult, if not impossible, to disentangle from the political affiliations of those who support it. Thus [Pierre François Xavier de] Charlevoix, the Jesuit historian of the Society's activities in Canada as well as in Japan, pays his colleagues the somewhat dubious compliment that they taught their Red Indian converts to mingle Christ and France together in their affections. Without suggesting that they proceed on exact parallel lines in Japan, it is worth noting that the Jesuit padre, Balthazar Gago, writing from Hirado to his patron King João III of Portugal in September 1555, claims credit for teaching his neophytes to pray for the Lusitanian monarch as their potential protector (...)


«It is true that experience of the warlike nature of the Japanese speedily disillusioned the vast majority of the Jesuits from any notions they might ever have harbored about the feasibility of the conquest of Japan by [a] Catholic King, and [Alessandro] Valignano was at pains to stress repeatedly the vital necessity of respecting Japanese national independence.


«But it was the father-superior, Gaspar Coelho, a responsible and withal avowedly pro-Japanese Jesuit, who admitted more native novices into the Society than any of his predecessors or successors, who had warmly advocated the conversion of Nagasaki into a strongly fortified point d'appui, and even suggested Spanish military aid for the Christian daimyo of Kyushu.



«It is true that Valignano sharply rejected these dangerous suggestions. But he and Bishop Martins were both at one in urging King Felipe to order the cancellation of the Great Ship's annual voyage from Macao to Nagasaki, after the martyrdom of 1597, in order to cause an economic crisis and general unrest in Japan.


«They considered that this situation would bring about either the overthrow of Hideyoshi, or induce him to accord official recognition to Christianity in his domains. Bishop Martins pointed out that the regent was particularly vulnerable to this form of economic sanctions, since he was at war with China, and deliberately broken with his only other overseas market in the Philippines.


«The advice was not taken, and Hideyoshi's death the next year rendered it unnecessary; but it is interesting as showing how inextricably mixed were religious, political, and economic motives in the Jesuit Japan mission.


«That the Japanese were by no means so ignorant of the state of affairs in Europe, as the Jesuits sometimes seem to have imagined, can be seen from Hideyoshi's correspondence with the Governor of the Philippines, Don Francisco Tello.

«The governor had sent an envoy, Don Luis Navarrete, to claim the confiscated cargo of the San Felipe, and to ask why the Franciscans had been executed.



«Hideyoshi in his reply, drafted in a spirit more of sorrow than of anger, explained that Shintō (there is no mention of Buddhism, be it noted) was the pith and core of the Japanese social structure. He went on to point out that the friars threatened to upset the whole national fabric with their subversive Christian propaganda,


«And if perchance, either religious or secular Japanese proceeded to your kingdoms and preached the law of Shintō therein, disquieting and disturbing the public peace and tranquility thereby, would you, as lord of the soil, be pleased thereat? Certainly not; and therefore by this you can judge what I have done.


«The logic of this retort is indeed unanswerable; although there is no need to suppose that it carried the slightest conviction to the closed mind of a Roman Catholic conquistador, who naturally considered that the activities of the Franciscans were inspired by God, and therefore above human interference, whereas those of the Shintō priests were motivated by the Devil, and as such entitled to be forcibly suppressed.»*





*in "The Christian Century in Japan 1549 - 1650", C. R. Boxer, Manchester 1993.

Mais, ici, en Français, se for da vossa preferência.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

山笠の男衆 — Os Homens Do Yamakasa

Never mind the buttocks...

...pois que não há, em Hakata, homem que se preze que não envergue com ostensivo orgulho o seu shimekomi (締め込み — noutras partes do Japão conhecido por fundoshi [褌], e aqui integrado no traje tradicional, outrora usado por pescadores, estivadores e demais trabalhadores portuários da baía de Hakata), e que não deseje ardentemente oferecer a força dos seus braços e pernas ao seu Nagare, e ao Kami levado no respectivo Kakiyama.

E, tal como em Sevilha, onde há os que alistam o filho na sua Hermandad ou Cofradía do coração, mal o petiz deixa a maternidade, ou em Portugal os que façam os seus, sócios do S.L.B., ainda os pequenos estão na incubadora, também todo o Hakata-Ko (博多子) — "filho de Hakata", designação dada às gentes nascidas nesta distinta terra — passa a engrossar as fileiras do seu Nagare, ainda mal dá os primeiros passos.

A Tradição tem que ser o que sempre foi, e homem que é homem, em Hakata, do carteiro ao neuro-cirurgião do Hospital Universitário, do operário ao director-geral, do lojista ao meritíssimo Desembargador da Relação, todos correm com o seu Kakiyama.
Com fé, devoção e a pura força atávica dos antepassados.

É tempo de, em uníssono, todos soltarem o grito, que há séculos, cada geração ensina à vindoura, a entoar com ardor e paixão por estes dias: オイサ! オイサ! オイサ!
"OISSA! OISSA! OISSA!!"

Deixo-vos com as imagens colhidas na passada Sexta-Feira, dia 9, próximo do Santuário de Hakozaki (Hakozaki-Guu崎宮), ao qual os Otoko'shu (男衆) — lit.: "os Homens do Povo", designação pela qual se fazem conhecer, colectivamente, os homens de cada Nagare — se dirigem todos os anos por este dia, em passo de corrida, a colher "areia sagrada" da praia localizada defronte da Torii (鳥居) do Santuário.

✽ ✽ ✽















(Em actualização)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Yamakasa


Sob o auspício de um funesto céu da côr das cinzas, tão próprio de Julho... sim! esse mesmo Julho de intermináveis chuvas e ventanias, a somar a esse sobejo, permanente calor bafejante, coisa pegajosa a colar as roupas ao corpo mal se sai de casa — estamos em plena Tsuyu (梅雨), Estação das Chuvas, a tal que medeia entre a Primavera das Sakura e o Verão propriamente dito...—, ao cair da tarde de Quinta-Feira, lá nos fizemos ao caminho e partimos em busca desses 'nippo-barrocos' Yamakasa (山笠), enormes andores, ou melhor "santuários flutuantes" como alguns preferem apelida-los, ostentando tanto de genuinamente japónico quanto de 'kitsch', entregues, assim, solenes, às ruas da Cidade das Colinas Prósperas, aguardando impávidos e altivos o grande dia do Hakata Gion Yamakasa (博多祇園山笠), 'matsuri' de primeira importância para as gentes de Hakata/Fukuoka e Kyushu--Norte, e de cuja impressionante corrida de andores — ditos kakiyamakasa (舁き山笠 — lit.: «andores flutuantes») aqui ➷ vos deixo uma breve impressão.


A história do Hakata Gion Yamakasa remonta ao ano de 1241 da nossa era, vivia então, o Japão, em pleno Período Kamakura (鎌倉時代), quando uma mortífera praga se alastrou pela baía de Hakata e as gentes da região cuidaram de trazer em seu auxílio um reputado sacerdote Shintoo que foi trazido a toda a pressa à cidade portuária pelos homens da terra, transportado em corrida pelas ruas num enorme palanquim e levado com urgência aos mais recônditos cantos da cidade com o fito de exorcizar os demónios que haviam trazido tamanha morte e infortúnio ao pobre povo.


Rezam as crónicas que foi de tal ordem a gesta heróica dos homens do porto Hakata, no esforço de levar o santo homem em correria pelas estreitas vias, assoladas pela traiçoeira peste, entre o casario ao longo dos muitos canais que demarcam os vários bairros tradicionais de Hakata, que, em louvor e gratidão aos bravos desse dia, as gentes de cada Nagare (流 — 'ribeiro' ou 'canal', designação dada aos bairros antigos de Hakata) houveram de, a cada ano que passa, em Julho, tratar de erguer um palanquim idêntico ao dessa egrégia jornada, re-encenando e celebrando com a devida solenidade ritual a proeza e a nobreza atávica dos seus antepassados e dos Espíritos alados que os guiaram nessa feita.

São, ao todo, sete os Nagare representados no Hakata Gion Yamakasa, cada um se fazendo representar pelo seu kakiyamakasa (舁き山笠), de dimensões compreendidas entre 5 e 6 metros de altura e cerca de uma tonelada de pêso.

O lugar da nossa residência situa-se bem no centro do 'teatro de operações' do Hakata Gion Yamakasa, e em particular da 'àrea de ensaios' do Ebisu Nagare — 恵比須流 — e muito próximo da zona do Chiyo Nagare — 千代流 —, e, na Quinta-Feira da semana passada, ao deambularmos pela cidade ao cair da tarde, foi precisamente o kakiyamakasa deste bairro, o primeiro com que deparámos.

Confesso que não fui capaz de identificar o personagem, espírito ou kami (神) representado no kakiyamakasa do bairro de Chiyo. Esclarece-me, a Etsu, de que se trata de Tachibana Muneshige — 立花宗茨, 1567 - 1642 —, Samurai e General, vassalo de Toyotomi Hideyoshi, e pouco mais vos posso dizer sobre tão ilustre personagem, além da minha suposição de que seria, certamente, homem bem conhecido dos NanBan do seu tempo.


De volta pelo território do Ebisu Nagare, o respectivo kakiyamakasa não deixa margem de maior para dúvidas.

A figura no topo do andor, fazendo-se acompanhar de um peixe gigante, trata-se, inequivocamente, de Yebisu (ou simplesmente Ebisu)-No-Kami (恵比須の神), um dos 'Sete Deuses da Boa-Fortuna' — 七副神, Shichi Fuku'Jin —, também conhecido por Hiruko (蛭子), kami (, 'deidade' ou 'espírito') protector dos pescadores e 'deus dos negócios e da prosperidade'. O próprio empresta seu nome a uma pequena ponte nesta área, que oportunamente fotografei e convosco partilhei há alguns meses.



De caminho pela longa e movimentada Taihaku-Dori (大博通り — Avenida da Grande Sabedoria), deparamo-nos com o primeiro dos gigantescos kazari'yamakasa (飾り山笠), 'andores' com propósitos óbvia e meramente decorativos, como o termo 'kazari' (飾り— 'ornamental' ou 'decorativo') evidencia.


Os enormes kazari'yamakasa atingem, via de regra, entre 15 a 17 metros de altura e pesam várias toneladas, não sendo, por isso, adequados a passeatas sobre mãos humanas, limitando-se, pois, a assentar arraiais nas principais artérias da cidade, cumprindo o estrito propósito de publicitar a saison do grande 'matsuri' que se anuncia para os próximos dias.

A miríade de figuras e côres que compõem estas colossais estruturas, fá-las, de facto, tão vistosas quão confusas, e confesso que, no decurso deste nosso passeio, quase não logrei identificar uma só figura que fôsse entre as inúmeras efígies em exibição...

Mais adiante, em Meiji-Dori (明治通り), próximo do imponente Hakata-Za — 博多座, soberano teatro de Kabuki da cidade —, um outro carnavalesco kazari'yamakasa.



Não muito longe, o kakiyamakasa de um outro Nagare, desta feita o Dai'koku Nagare (大黒流), que toma o seu nome de empréstimo a um outro dos ditos 'Sete Deuses da Boa-Fortuna' — 七副神, Shichi Fuku'Jin —, desta feita ao Daikoku'Ten — 大黒天 — ou Daheitan, estranho nome que significa, literalmente, «O Grande Céu Negro», e cujo desempenho, nesse restrito panteão de 'deuses-do-acaso', é o de "deus do comércio e dos bons negócios", sendo comum encontrar o seu distinto rosto negro em várias lojas por esse Japão fora. E é o próprio a pontificar neste singelo palanquim...





...E ainda, passando uma vez mais por Meiji-Dori...





Num mercado popular mesmo defronte, encontramos, poucos metros adiante, este simpático kazari'yamakasa dedicado aos mais pequenos...


Doraemon & Amigos é, ainda e sempre, um 'clássico' da miudagem do Japão e além-ilhas.


Outros, deveras curiosos e tematicamente bem mais complexos, vão surgindo de caminho...








Aqui um outro kazari'yamakasa dedicado às deidades do Vento (Fujin — 風神) e do Trovão (Raijin — 雷神), mas pareceu-me haver, entre os transeuntes (locais, e por via de um ou outro comentário que pude escutar), quem não soubesse identificar estes dois kami omnipresentes onde quer que vamos no Japão...



Ainda, do exterior do mesmo complexo comercial...




...E passando por Nakasu (中州), o nosso animado "red light district"...








Já longe de Hakata-Ku (博多区), próximo da zona chique de Yakuin (薬院), um outro kazari'yamakasa de temática infanto-juvenil, mas cujos personagens, confesso, nada me dizem...

Se algum dos meus queridos leitores me puder elucidar sobre a identidade de tão pitorescas figuras, a gerência agradece.




O temível remo de batel talhado em jeito de bokken identifica, sem margem para dúvidas, a figura que o ergue em intrépido vôo sobre o adversário... Deste, não dúvido que, do mais novo ao mais idoso dos transeuntes, não haja um só que não saiba de quem se trata...



O Hakata Gion Yamakasa realiza-se pela madrugada do próximo dia 15 de Julho.