Mostrar mensagens com a etiqueta Outro Japão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Outro Japão. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Faz de conta que é (mesmo) Natal




Hakata Eki [博多駅] — Estação Central de Hakata, Fukuoka,
19.XII.2011




     Dizem eles, Natal é sempre que os homens querem.
     E será certamente onde os homens quiserem, dizemos nós.


     Mas aqui, francamente... nunca é bem, bem aquilo que... enfim...


     Sempre bonito, em qualquer recurso.


     E assim até parece outro lugar...


     BOAS FESTAS a todos, são os votos do Último Nan Ban Jin
de Kyushu até vós.












































































































































雪のクリスマス
(para acabar de vez com a reputação deste blogue)





❄  ❅  ❆


domingo, 27 de novembro de 2011

薩摩藩 | Satsuma









    Faria agora três anos que aqui estivera pela primeira e última vez, então a caminho dess'outra mais distante e recôndita Yakushima [屋久島].

   Orgulhosa Kagoshima [鹿児島], primeira praça, porto e baluarte do entretanto e há muito extinto Han [藩] de Satsuma, cais de São Francisco Xavier, raiz da Restauração Meiji e terra do seu líder Saigo Takamori,  lugar maior da História do Japão...








...e enseada encoberta pela sombra de Sakurajima [桜島], esse circunspecto vulcão, tão sereno quão activo, ali contra o azul do horizonte...











   Foi bom voltar.
   Aqui tornaria muitas mais vezes se o tempo e as circunstâncias m'o permitissem.
   Ideal cenário para escapismos do coração.





















































鹿児島小原良節






Maru juji.svg


Maru juji.svgMaru juji.svg


 




sexta-feira, 25 de novembro de 2011

鹿児島













   Amanhã, pela madrugada, a caminho de Kagoshima (鹿児島), último cais a Sul, desta feita mais em dever e menos em lazer. 


   Tenho horas livres pelo andar da tarde e até à hora do 'shinkansen' de regresso a casa e como tal conto trazer recuerdos.


    じゃね。























✣ ✣ ✣








sábado, 19 de novembro de 2011

ほとんど




ほとんど — hotondo… — 'Quase'…


'This photograph taken on Nov. 16, 2011, of a silhouette of a man standing in front of lit up red and yellow azalea leaves at Ankoku-Zenji Temple in Toyooka, Hyogo Prefecture, looks almost like a painting in a frame. The temple, popular for its "dodantsutsuji" (a type of azalea) fall foliage scenery, will hold the special autumn illumination event through Nov. 20.' (Photo: MAINICHI SHINBUN [毎日新聞])




Kōyō [紅葉] — Quase, quase a chegar aqui...











﹅ ﹅ ﹅








quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ニホンザル / Nihonzaru









      Foi com tristeza de sobra que, pela manhã de ontem, tive a oportunidade de apreciar uma breve reportagem televisiva que dava conta da crescente preocupação e antipatia de que os macacos da pequena cidade de Nikkō [日光市], Prefeitura de Tochigi [栃木県], têm vindo a ser objecto, com as vozes indignadas de alguns comerciantes e habitantes da pequena localidade a Norte de Tokyo-To, conhecida sobretudo pelo seu imponente Tōshō-Gū [東照宮], e seu famoso pórtico dos Três Macacos Místicos ou Três Macacos Sábios [三猿 — Sanzaru, em Japonês simplesmente "Três Macacos"], a subir de tom pedindo uma solução drástica para o problema dos pululantes símios que há séculos partilham o espaço da povoação e respectivos lugares de peregrinação com a população humana local, numa ancestral e sã convivência que parece hoje seriamente ameaçada face a um aparente crescendo de agressividade por parte dos pequenos primatas, algo a que não será estranho o crescimento populacional da região e o seu sucesso enquanto chamariz turístico próximo da capital.

       Destino turístico de eleição para quem se encontre nas proximidades de Tóquio e, virtude de albergar alguns dos mais esplendorosos templos Budistas e santuários Shintoo do Período Edo — com destaque para o deslumbrante Tōshō-Gū —, Nikkō desde tempos imemoriais que acolhe igualmente uma expressiva comunidade local de Nihonzaru [ニホンザル/日本猿], os famosos macacos 'albinos' do Japão [nome científico: Macaca Fuscata], espécie nativa deste país e ainda em grande abundância um pouco por todo o território nacional, com excepção de Hokkaido e Okinawa. 







     Sucede que efeito aparente da pressão exercida pelo imparável afluxo de turistas à pequena localidade e consequente crescimento económico, urbano e demográfico, tem-se vindo a registar um proporcional crescendo de agressividade por parte destes (antes tidos por) simpáticos primatas, que entre ferozes ataques a crianças e adultos e não menos menosprezíveis furtos constantes em pequenas lojas de doçaria regional e afins — onde os omnipresentes omiyage (お土産 — doces ou outros pequenos souvenirs via de regra trazidos por visitantes de uma certa localidade, de regresso a casa, e para deleite de amigos e entes queridos) têm lugar de honra à porta desvelada dos ditos estabelecimentos —, parecem ter declarado guerra aberta ao turismo de Nikkō, principal fonte de dividendos da cidade.

        Nada de novo para quem melhor conheça semelhantes casos de menos amena simbiose entre humanos e macacos em Gibraltar, aí mesmo ao virar da esquina, ou em Cape Town, África do Sul, onde semelhantes casos de agressão sistemática de uma espécie à outra há muito se fazem sentir e deram já lugar a zelosas políticas de controle por parte das respectivas autoridades locais.






      Naturalmente, e em particular no que concerne aos Saru de Nikkō, a última coisa que eu queria aqui escrever seria uma crónica de uma deportação e/ou extermínio anunciados, ademais porque esta é uma espécie autóctone que me inspira o mais genuíno carinho e simpatia, e ainda que a irritação de algumas pessoas possa ter a sua razão de ser, esta é uma espécie que merece a mais benigna das protecções e afecto comum.

     Felizmente, Nikkō não é a única região onde estes bonitos bichos podem ser contemplados no cenário de um salutar convívio com populações humanas estabelecidas — outras partes da ilha maior de Honshū e Kyūshū, ilha do vosso NanBan, e em particular a Prefeitura de Oita, são morada de grandes comunidades nativas de Nihonzaru, e por cá não se fazem, até ao momento, ouvir queixas de maior — pelo menos que seja do meu conhecimento...






       Ainda assim, destaque e honra devidas são ao soberbo Jigokudani-Yaenkoen [地獄谷野猿公苑], inviolável santuário dos Nihonzaru de Nagano [長野県], em Yamanouchi [山内], um absoluto 'must' para aqueles que, pelo frio Inverno que aí vem, hajam de gozar do especial privilégio e felicidade de uma visita ao Japão central.

         Mais sobre este imperdível, ermo lugar do melhor deste  Japão que teima em dar mostras de si, AQUI, AQUI e AQUI.







        Deixo-vos com dois bonitos clips a desbravar caminho entre os mais cerrados corações.












♨  ♨  ♨


domingo, 24 de julho de 2011

sábado, 21 de maio de 2011

...Do que nós precisamos...




...é de DISCIPLINA!...









...se bem que, e como já dizia o outro,
please, don't try this at home.



良い週末を!
Bom  fim-de-semana.




✾ ✾ ✾



segunda-feira, 2 de maio de 2011

Interrompemos a regularidade da emissão, apenas porque este compromisso publicitário vale realmente a pena...

エステー宣伝部


















      Já aqui antes, vos tinha mostrado uma curiosa peça publicitária "made in Portugal" para o Japão, e ainda em exibição nos interregnos entre a programação regular nuns quantos canais televisivos de cá, no caso um engraçado anúncio para uma empresa do ramo imobiliário.
    Agora por esta campanha é que nem eu, nem ninguém esperava, mesmo! 

   Os produtos publicitados, neste caso — da ESTÉ (ST) - Shōshūriki (エステー消臭力), esta última palavra significa literalmente "poder de apagar odores" (ou seja desodorizante) — não são mais que uma gama de populares desodorizantes de retrete. Nada de mal, convenhamos. Eu próprio posso dizer que uso produtos desta marca em casa, sobretudo o spray rôxo da direita aí na foto supra e posso afirmar-vos que é óptimo e que se se vendessem aí eu recomendaria os produtos em causa sem quaisquer reservas.
    Foi, porém, agora mesmo ao regressar de Kumamoto que alguém me chamou à atenção: 
    "Luís-san, já viu aqueles novos anúncios muito engraçados do エステー消臭力 na TV?... é lá em ポルトガル, não é?..."

   Não, ainda não tinha visto. E ao ver, foi uma valente risada de rolar no chão às gargalhadas e até na rua se ouvir, como já há muito que não dava umas assim!

   É certo que a ESTÉ (ou simplesmente 'ST' — エステ) — companhia sediada em Osaka, líder de mercado no sector em causa — é de igual modo bem conhecida por uma certa tradição de lançamento regular de spots publicitários bem-humorados (esclareço, para uma melhor apreciação do link que antecede, que a palavra 'kusai' significa pivete...) com que brinda o público há muitos anos e de que este e este e ainda est'outro exemplos fizeram a imagem de marca. 
  Sucede, porém, que, com a ocorrência do Grande Terramoto de Tōhoku a 11.03, houve quem (coisa tão ao 'jeito' de cá...) achasse que não era altura para grandes comédias e quem mais sugerisse que qualquer coisa 'assim'... 'porventura mais sensibilizante', atento o período difícil que o país vive, em face da Grande Tragédia do Nordeste, etc. e tal, poderia ser uma opção a ponderar, blá, blá, blá...  Meanwhile, alguém mais se lembrou que num certo canto da Europa, há uns duzentos e muitos anos, uma tragédia de semelhantes proporções por lá havia abalado — e de que maneira!... — o solo do Velho Continente, e que em jeito de lembrança ou de homenagem ou fosse lá o que fosse que fulano ou fulana tinham em mente quando pensaram no dito lugar lá longe, vai d'agarrar na tralha e vamo'lá fazer a nova campanha Primavera-Verão...
    
    Vale a pena escutar primeiro o tema original e, logo a seguir, espreitar e apreciar as singelas prestações vocais do ミゲル (Miguel), do フランシスコ (Francisco), do トーマス (Tomás) , dos Senhores アメリコ (Américo) e カルロス (Carlos), e ainda das pequenas ビートリッツ (Beatriz [?], esta para mim é a melhor de todas!... Grande paródia!), a レオノア (Leonor), a マルガリータ (Margarida), e por fim as três garotas juntas
     Grande Fartote...
     Haja boa-disposição! 

     Deixo-vos por ora com um excerto do 'making of' e um dos clips via YT. 
     Enjoy!:


    




❀❀❀

domingo, 1 de maio de 2011

八千代座



     Mais cenas dos próximos capítulos: amanhã é dia de visita ao magnífico Yachiyo'Za (八千代座) em Yamaga-Shi (山鹿市), Kumamoto (熊本県) — traduzido à letra "O Assento das Oito Mil Gerações" —, é um dos três mais belos e bem preservados teatros tradicionais do Japão, consagrado, desde a sua fundação há precisamente 100 anos, às ancestrais artes de palco do KabukiBunraku, Kyōgen e Buyō





    
  Edificado em 1911, final da Era Meiji, a expensas de um consórcio de ricos comerciantes locais e numa época de grande prosperidade na região, o esplendoroso Yachiyo'Za, chegada a década de 70 do século passado, atingiu um estado de declínio, degradação e decrepitude tais que a sua demolição a breve trecho era já anunciada. 
    Foi a imensa sensibilidade e generosidade das gentes de Yamaga-Shi, a que se lhes somou o especial contributo de algumas das maiores figuras do Kabuki de Shōwa, em especial do yakusha Bandō Tamasaburō V (五代目 坂東 玉三郎 Godaime Bandō Tamasaburō), que restituiriam ao Yachiyo'Za a vitalidade, o encanto e a graça das décadas de Taishō (1912-1926) e início de Shōwa (1926 — 1989), vindo, o grande teatro, a ser meticulosamente restaurado, renovado e a reafirmar-se como palco regular para as mais prestigiadas companhias das artes de palco tradicionais do Japão logo a partir da década seguinte, processo de revitalização de grande sucesso que lhe garantiria a atribuição do estatuto de Património Nacional Protegido ainda em 1988.

    Confesso-vos que, não obstante ter manifesto interesse no lugar, que já me vinha aguçando a curiosidade desde há algum tempo, para amanhã, estava com mais vontade de ir a outros lugares em Kumamoto que tenho prometido a mim próprio visitar há meses... E ainda aqueles outros antros de perdição... mas, pronto, foi um convite que me fizeram, tenho boleia, e como 'a cavalo dado não se olha o dente', amanhã, e como de costume, conto trazer retratos.

     待って下さい。Matte kudasai


❖❖❖

quarta-feira, 2 de março de 2011

Saotome






[早乙女太一]
— Nishimura Taichi [西村太一], de seu verdadeiro nome —
19 anos,
uma estrela em fulgurante ascensão no restrito mundo dos Onnagata.





❖❖❖

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dazaifu, ainda...



















Ainda de Dazaifu
— 太宰府 —


Vultos.

Postais ilustrados à discrição. 
Ao vosso dispor.



















































































































































































































Another Green World








terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Primus Inter Pares — A Mão-Tocada-P'los-Deuses de Takeda Souun




      De novo em redor do papel em branco e da negra, esfíngica Sumi, se há nome que haja nomear entre os que estipulam exemplo de assombro no deslinde das labirínticas estradas do Shodō — 書道 —, um só nome hoje me ocorre: Takeda Souun武田双雲.  

       Aos 35 anos de idade, Takeda é 'o nome'.
      




— Tane —

"Semente"






        «A singularidade da obra de arte é idêntica à sua forma de se instalar no contexto da tradição. Esta tradição, ela própria, é algo de completamente vivo e algo de extraordinariamente mutável. Uma estátua antiga da Vénus, por exemplo, situava-se num contexto tradicional diferente, para os Gregos que a consideravam como objecto de culto, e para os clérigos medievais que viam nela um ídolo nefasto. Mas o que ambos enfrentavam da mesma forma, era a sua singularidade, por outras palavras a sua aura. O culto foi a expressão original da integração da obra de arte no seu contexto tradicional. Como sabemos, as obras de arte mais antigas surgiram ao serviço de um ritual, primeiro mágico e depois religioso. É, pois, de crucial importância que a forma de existência desta aura, na obra de arte, nunca se desligue completamente da sua função ritual. Por outras palavras: o valor singular da obra de arte "autêntica" tem o seu fundamento no ritual em que adquiriu o seu valor de uso original e primeiro. Este, independentemente de como seja transmitido, mantém-se reconhecível, mesmo nas formas mais profanas do culto da beleza, enquanto ritual secularizado »




Walter Benjamin, in "A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica" (1936)







— Hikari —

"Luz"


    Nascido em Kumamoto — 熊本 —, Kyūshū, em 1975,  Takeda Souun武田双雲 —, iniciou a prática do Shodō — 書道 — aos 3 anos de idade sob a orientação de sua mãe, também ela Shodōka — 書道家 —, e desde então nunca mais largou os fude — 筆 — e a sumi — 墨 —, respectivamente, os pincéis e essa insinuante e sedutora  Tinta-da-China de que o Shodō vive.


       E não obstante um promissor percurso académico no foro das ciências e tecnologia, em 2001, o jovem Takeda, então com 26 anos, abandona a sua carreira profissional ao serviço de uma grande empresa do ramo da electrónica, para se dedicar a tempo inteiro à sua vocação de calígrafo. 
         Em 2003 é galardoado com o Longhua'cui Art Award atribuído pelo  Museu de Arte de  Shangai e, daí, o remanescente da seu percurso parece não encontrar limite no seu impulso ascendente: Takeda Souun é simplesmente um génio.


             O absoluto domínio de mão e o absoluto domínio da matéria-prima serão sempre, e em qualquer recurso, qualidades questionáveis, sobretudo num tempo em que a Arte — conceito difuso — o é e se celebra a si mesma enquanto pântano de vaidades.  


             O certo é que Takeda possui ambas
             Isso é seguro. 


             Isso é absoluto.

            





       E muito embora, uma parte ou o todo do que aqui vos proponho aparente ser de uma simplicidade infantil, quase-insultuosa para os que acabam de, desdenhosamente, ler e duvidar do que acima acabo de escrever, arrisco-me ainda assim a afirma-lo de peito-feito: isto é extraordinário.   Isto é raro.

          Isto é Takeda Souun. Lê-se assim  mesmo só-um

          E até o nome magoa.

           
































— Nami —

"Onda"



































A concluir, espreitemos...