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domingo, 12 de junho de 2011

Reencontro com a Memória










        Redescoberto entre as estantes da Família, "Nanban-Jin — Os Portugueses No Japão/The Portuguese In Japan" (1993), obra da autoria de Luís Filipe Thomaz, edição filatélica, bilingue, a cargo dos CTT, limitada a 15.000 cópias numeradas e autenticadas pelo editor. 
         Indispensável para qualquer amante da temática em causa.
















































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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Da importância dos tais 'NanBan' explicada à miudagem...







「じろじろ ぞろぞろ」
("Jirojiro Zorozoro" intraduzível, assim me parece, mas a interpretação mais próxima deste original, onomatopeico título seria qualquer coisa como "Olhando os detalhes" [mas em rigor não é bem esse o conteúdo da expressão].)


       Souvenir da minha mais recente passagem pelo Kyūshū Kokuritsu Hakubutsukan — Museu Nacional de Kyushu —, em Dazaifu [太宰府], não podia deixar de partilhar convosco esta singela peça, um verdadeiro bestseller por estas paragens e um daqueles achados que, parecendo que não, tem sempre aquele benévolo efeito de espicaçar, um nadinha que seja, a nossa auto-estima colectiva, tão de rastos que ela anda nestes tempos, e é mesmo uma curiosidade a saudar com entusiasmo.





             Partindo de um dos mais famosos NanBan Byōbu — 南蛮屏風 — da Escola de Kanō — 狩野派 [Kanō-ha] —,  os tais "Biombos dos Bárbaros do Sul", representando a presença dos Portugueses dos Séculos XVI e XVII no Japão e, em particular, a colónia de Nagasaki, fundada  em 1571,  este "Jirojiro Zorozoro", pequeno livro para crianças, publicado pelo próprio Museu Nacional de Kyushu, percorrendo uma variedade de detalhes de manifesto interesse na obra de arte em causa e colocando a tónica nas imagens em detrimento do texto, explica, muito resumida mas ainda assim concisamente, a importância e a influência dessa remota herança da Dai'Kōkai Jidai— 大航海時代, literalmente "a Era das Grandes Viagens Marítimas" — na cultura nipónica.


            Uma pequena pérola a conservar e ideal para folhear ao serão em família.


Ora vejam!


見て下さい!





































































































































































































































































































sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

11.02: Kenkoku Kinen-No-Hi — 建国記念の日 — Dia da Fundação Nacional





     Reza a tradição, assente no Nihon-Shoki — 日本書紀 — que no 1º dia, do 1º Mês do Ano do Galo, Era de Xin'Wei [辛未— Kanoto Hitsuji, em Japonês] — 660 AC —, pela ascensão, ao trono de Yamato, do Ten'O Jinmu [神武天皇], 1º Imperador do Japão, descendente directo de Amaterasu-Ōmikami [天照大御神 — Deusa do Sol], Pai da mais antiga e incorrupta dinastia reinante na Terra, foi formalmente estabelecido o Império do Sol, esse Nihon ou Nippon [日本] que os NanBan do Século XVI da nossa Era, conheceram — primeiro por intermédio das crónicas de Marco Polo, que nunca chegou a visitá-lo, a esse último Reino a Oriente, dando dele descrição somente com recurso a fontes orais que contactara na China de Kublai Khan — e apresentaram ao Mundo primeiro como Cipango ou Chipangu — provavelmente derivado do Chinês Jih'pen'guo ('Terra Onde Nasce O Sol") — e posteriormente transmutado para Iapan, Iapao, Japao, Japan e todas as demais corruptelas que lhe atribuíram novo nome a Ocidente.  

Cartaz invocativo da celebração dos
2600 anos da fundação
da Dinastia de Yamato
 — 1940 —

      Aquando do estabelecimento desta data como Dia da Fundação Nacional do Japão,   no início da Era Meiji [明治時代], 1872, a mesma coincidia com o início do Ano Lunar Chinês, ou seja o dia 29 de Janeiro desse ano. Contudo, e contrariamente ao esperado, o Governo Imperial cedo verificou que o Kenkoku Kinen-No-Hi [建国記念の日], era entendido pelo grosso da população apenas como se tratando do dia de Ano Novo, de acordo com as antigas tradições do país, e não o identificava com a pretendida invocação simbólico-patriótica.
     Assim, o Dia Nacional do Japão passaria a ser celebrado todos os anos a 11 de Fevereiro.
  Na sua designação original, esta data era celebrada como Dia do Império [紀元節, Kigensetsu
     A data seria abolida com o derrota de 1945 , e veio a ser reinstituída em 1966, sob a sua designação actual, Kenkoku Kinen-No-Hi [建国記念の日], Dia da Fundação Nacional


    Hoje, uma vez mais, saudamos Yamato com um sentido "万歳" — "BANZAI!"







Ano 15 de Shōwa 
— 昭和15年—
(1940)
Cerimónias de celebração dos
2600 Anos da Dinastia de Yamato





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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ali mesmo, ao virar da esquina...








Sōfuku-Ji  —  崇福寺





Certamente ter-se-á passado, já, o mesmo convosco:




      
      Vivermos a cinco, dez, vinte minutos de caminho, a pé, de um certo lugar que ali sempre esteve, à nossa espera, ou do nosso deslumbramento, e que, porém, por este ou aquele motivo de força menor — ora porque se acha duas ruas por detrás daquele mesmo-de-sempre percurso que nos leva de A a B, de casa à escola, do escritório à mercearia, do dia de trabalho árduo, saturado, ao sossego letárgico do lar —, nos escapou... durante anos...












...E assim foi comigo e o Sōfuku-Ji [崇福寺], O'Tera [寺] — templo, mosteiro — da facção Rinzai [臨済宗Rinzai-Shū] do Budismo Zen, outrora erguido pelo Clã Kuroda [黒田], honrado nome dos outrora senhores desta terra, numa primeira instância em Dazaifu, arrabaldes desta cidade de Fukuoka, e posteriormente trazido ao lugar que hoje lhe serve de solo.




     O imponente e austero 'Mon' [門] que se abre diante dos nossos olhos ao fundo dessa singular viela esquecida entre tantos outros discretos terreiros do distrito de Higashi (東区 — Higashi'ku — o 'Distrito Oriental' da cidade), foi outrora porta do Castelo de Fukuoka, hoje desaparecido...

      E este não seria mais que um outro desses meus fugazes 'fâit-divers' com que de tempos a tempos vos brindo, não fosse este lugar que serve de mausoléu ao Clã Kuroda e, em particular, a um homem, Kuroda Nagamasa [黒田長政], ser meritório do nosso maior interesse enquanto Portugueses de olhos postos a Oriente...




Kuroda Nagamasa — 黒田長政 — 1568 - 1623

     
     E tanto porque foi este Senhor, 'Campo Negro' ['Kuroda'] de seu nome, quem após a queda de Konishi Yukinaga [小西行長], este vencido em Sekigahara — campanha da qual tornaremos a falar muito em breve... — se prestou a assumir o encargo de zelar pelo bem-estar desses NanBan e seu sacerdócio que temiam agora pela sua sorte, despojados do primeiro dos seus benfeitores, Konishi, Daimyo cristão do feudo de Higo — hoje Prefeitura de Kumamoto — e tendo este cobiçado 'han' [藩], situado mesmo a sul do território de Kuroda, sido então confiado por Ieyasu a um dos seus mais encarniçados inimigos, Katō Kyomasa [加藤清正], um fervoroso budista e um inveterado xenófobo como poucos, no seu tempo, igualaram...






      "Que de mim nada temeis, pois que eu cuidarei de em vosso nome, zelar pelo vosso bom interesse e fé como antes de mim, Konishi o fez..." — nestes termos terá Kuroda Nagamasa apaziguado a ânsia dos prelados de Nagasaki, por volta de 1601, logo após Sekigahara...  Coisa que poderia causar estranheza, vinda de um homem que nunca se vergara à retórica dos arautos de Cristo nestas terras e que se conservou, também ele, até ao fim dos seus dias, um devoto adepto do Zen segundo Eisai...






     Nagamasa terá conservado a sua palavra até ao último suspiro, e mormente sabermos hoje que a sua benévola mão patriarcal foi sol de pouca dura — posto que as inúmeras e deploráveis intrigas e quezílias entre Jesuítas (Portugueses, aquartelados em Nagasaki) e as ordens medicantes (no seio das quais  imperava a Língua de Castela, de estandarte ao vento em Kyoto...), tratariam de dissipar a tolerância de Ieyasu e ditar os termos dos Éditos de Expulsão de 1614 —, o seu nome deveria ainda e sempre colher a nossa mais humilde reverência, pois que Nagamasa foi o último dos 'nossos' entre 'eles'... 




     Cai serena a noite. 
     A Sōfuku-Ji regressaremos, também, em breve...


     Por ora, ficam os retratos...



























































[AVISO À NAVEGAÇÃO: não confundir este fuku-Ji  —  崇福寺 — com ess'outro Shōfuku-ji 
— 聖福寺 —, também próximo da base de operações do vosso NanBan e já aqui antes apresentado