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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

11.02: Kenkoku Kinen-No-Hi — 建国記念の日 — Dia da Fundação Nacional





     Reza a tradição, assente no Nihon-Shoki — 日本書紀 — que no 1º dia, do 1º Mês do Ano do Galo, Era de Xin'Wei [辛未— Kanoto Hitsuji, em Japonês] — 660 AC —, pela ascensão, ao trono de Yamato, do Ten'O Jinmu [神武天皇], 1º Imperador do Japão, descendente directo de Amaterasu-Ōmikami [天照大御神 — Deusa do Sol], Pai da mais antiga e incorrupta dinastia reinante na Terra, foi formalmente estabelecido o Império do Sol, esse Nihon ou Nippon [日本] que os NanBan do Século XVI da nossa Era, conheceram — primeiro por intermédio das crónicas de Marco Polo, que nunca chegou a visitá-lo, a esse último Reino a Oriente, dando dele descrição somente com recurso a fontes orais que contactara na China de Kublai Khan — e apresentaram ao Mundo primeiro como Cipango ou Chipangu — provavelmente derivado do Chinês Jih'pen'guo ('Terra Onde Nasce O Sol") — e posteriormente transmutado para Iapan, Iapao, Japao, Japan e todas as demais corruptelas que lhe atribuíram novo nome a Ocidente.  

Cartaz invocativo da celebração dos
2600 anos da fundação
da Dinastia de Yamato
 — 1940 —

      Aquando do estabelecimento desta data como Dia da Fundação Nacional do Japão,   no início da Era Meiji [明治時代], 1872, a mesma coincidia com o início do Ano Lunar Chinês, ou seja o dia 29 de Janeiro desse ano. Contudo, e contrariamente ao esperado, o Governo Imperial cedo verificou que o Kenkoku Kinen-No-Hi [建国記念の日], era entendido pelo grosso da população apenas como se tratando do dia de Ano Novo, de acordo com as antigas tradições do país, e não o identificava com a pretendida invocação simbólico-patriótica.
     Assim, o Dia Nacional do Japão passaria a ser celebrado todos os anos a 11 de Fevereiro.
  Na sua designação original, esta data era celebrada como Dia do Império [紀元節, Kigensetsu
     A data seria abolida com o derrota de 1945 , e veio a ser reinstituída em 1966, sob a sua designação actual, Kenkoku Kinen-No-Hi [建国記念の日], Dia da Fundação Nacional


    Hoje, uma vez mais, saudamos Yamato com um sentido "万歳" — "BANZAI!"







Ano 15 de Shōwa 
— 昭和15年—
(1940)
Cerimónias de celebração dos
2600 Anos da Dinastia de Yamato





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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ligeiro Retrocesso / Pura Devoção





Tendo só hoje e por mero acaso me deparado com este extraordinário video-documentário no Youtube sobre o Hakata Gion Yamakasa [博多祇園山笠] de Julho passado, não podia de modo algum furtar-me a trazê-lo aqui, ao vosso TLNBJ, tanto mais, ou melhor, sobretudo porque este é 1001 vezes superior ao que quer que fosse que eu me propusesse fazer e trazer aqui, sobre o mesmo tema (ou qualquer outro!).
Muito, muito bem concebido, mesmo!
Justifica-se, em pleno, o ligeiro retrocesso no calendário.

Em quatro breves capítulos, totalizando aproximadamente trinta minutos de pura devoção, Hakata em todo o seu esplendor ao longo da semana santa desta terra firmemente politeísta, para apreciar à falta de melhor ao serão, não vá o cinecartaz de Verão daí ter pouco a oferecer, a televisão ser de fugir e as intermináveis querelas blogosféricas maçarem-vos de morte...

Então 'Kampai!' — Á Vossa!





quinta-feira, 6 de maio de 2010

Capítulos Omissos (III): Do Concílio Dos Deuses  —  Ama-No-Iwa'to Jinja [天の岩戸神社]





Ora então cá vai.
Ainda de 29 de Abril passado, Showa-No-Hi.
Sortie por um certo Japão telúrico, tão distante e tão distinto dess'outro a que todos nos acostumámos a identificar como cenário de eleição, o tal das megalópoles de Tokyo-To e Osaka, cintilando a neon e luzes vermelhas de sinalização do tráfego aéreo no topo de cada guindaste e arranha-céus, desafiando o negrume da noite cerrada...





Rumo a Takachiho [高千穂], Miyazaki [宮崎], prefeitura do Sudeste de Kyushu, a caminho de Ama-No-Iwa'To Jinja[天の岩戸神社], lugar mais-que-sacro-santo na mundividência Shintoista, de Fukuoka, Nordeste da «Ilha dos Nove Estados» [九州], a viagem faz-se em pouco mais de três horas por estrada.


A importância de Ama-No-Iwa'To Jinja para o Shintoo [神道] releva do testemunho que este lugar guarda de alguns dos mitos fundacionais do Japão e da sua religião animista autóctone.





Sucintamente:
Segundo o Kojiki [古事記], essa remota «Crónica Das Coisas Antigas», tendo, Susanoo-No-Kami [須佐之男の神], Deus da Tempestade — irmão de Amaterasu [天照] e Tsukiyomi-No-Mikoto [月讀], Divindades do Sol e da Lua, respectivamente —, sido tomado de uma súbita fúria, destruira os arrozais e regadios confiados a sua irmã Amaterasu, causando grande transtorno a esta, que em jeito de protesto, escolheu refugiar-se no interior dessa caverna sita no desfiladeiro identificado pelo Shintoo, como tratando-se precisamente dessa insondável Ama-No-Iwa'to (天の岩戸, literalmete "A Porta-Do-Rochedo-Do-Céu"), sita em Takachiho, Miyazaki, lugar da nossa peregrinação deste dia.







O lugar de Ama-No-Iwa'to Jinja e o venerando desfiladeiro que oculta a misteriosa caverna que serviu de exílio a Amaterasu, durante o seu amuo com o tempestuoso irmão Susanoo, reveste-se de uma solenidade e sacralidade tais, que aos penitentes peregrinos que a esta Meca do Shintoo acorrem, só lhes é dado apreciar o local no resguardo da distância que medeia entre o desfiladeiro e a caverna propriamente dita e um amplo terraço, para o efeito erigido, no Jinja (Santuário) que a celebra e conserva ao abrigo de olhares impúdicos e da profanidade.

E desta pequena porta em diante, não há retratos para ninguém. Régle d'Ór ditada por quem tem por incumbência a nobilíssima guarda de tão sagrada mística...


Verdade seja dita, a concepção arquitectónico-paisagística do lugar acha-se de tal modo pensada e talhada com tal minúcia, que é mesmo virtualmente impossível contemplar o desfiladeiro de Ama-No-Iwa'to, sem passar pelo referido terraço que se estende além da proibitiva porta.




Mas, não quedeis de tomar esta (ainda-que-breve-)crónica por concluída.

Mais adiante, e para os mais aventurosos — e ainda no precinto de Ama-No-Iwa'to — outro lugar de assombro vos aguarda...



Ide, pois, por bom caminho...






...E eis-nos, enfim, diante da não-menos-sagrada Ama-No-Yasu'Kawa'hara [天の安河原]...



Ainda conforme aprendemos da leitura do Kojiki, foi nest'outra caverna de Ama-No-Yasu'Kawa'hara — o "Ribeiro da Celestial Tranquilidade" — que, movidos pela recusa de Amaterasu em pôr termo à clausura a que se confinara na gruta do desfiladeiro, os demais Kami [神] se reuniram em congresso, por modo a decidir do que fazer para trazer a Deusa d'Aurora de volta às suas hostes e resgatar a Luz da Madrugada que, com a despeitosa Senhora d'Alvorada, se adiara 'sine die'.



De caminho, e ao longo de inúmeras gerações, milhares de pequenas colunas de seixos depostas ao longo das margens do ribeiro de Ama-No-Yasu'Kawa'hara, assim como no interior da capelar caverna, pelos peregrinos e representando as suas preces, pavimentam e prestam testemunho da reverência consagrada a esta via sacra do Shintoo.

Uma visão arrebatadora que o horizonte não pode conter...











...E sem que haja necessidade de elaborar por aí além nas conclusões, hoje também eu à minha obscura caverna retomo, não sem antes me despedir com um encarecido Domo Arigato Gozaimasu pela atenção dispensada...



Até breve.



(NOTA FINAL: à excepção da primeira imagem, no topo do artigo ⇑, essa mui singelamente furtada algures da WorldWideWeb via Google, e só porque me pareceu melhor que todas as demais que trouxe desta excursão e aqui deixo ao vosso bom dispôr, todas as demais são obra e graça do vosso Nan Ban, sem direitos reservados, pelo que, caso haja, entre vós, quem queira mandar um postal ilustrado do Japão a um ente querido, pois que não se acanhe e faça os Seus felizes... )

sábado, 1 de maio de 2010

Cenas dos próximos capítulos...



Showa-No-Hi, 29.04, feriado nacional por cá, foi dia de peregrinação.

O ‘fotodocumentário’ está na calha.
Porém, por ora, só vos posso oferecer este teaser...




...de lugares imersos nas águas turvas da memória...



...onde as preces se amontoam em fragéis colunas de seixos...




...a perder de vista, assim o Tempo as conserve...





...como conserva essas formas inertes de um eterno encanto...


...e os rostos dessses Espíritos anónimos, que também Ele, o Tempo...



...cuidou de talhar nas encostas da Montanha, e nas falésias...


Aguardai...