...quando a intenção, ontem, não era tanto essa de ir lá, mas antes o pagar de uma promessa, e assim partimos em nova peregrinação.
Porém, uma vez em Kumamoto (熊本市) não há como evitar ir lá.
O lugar é simplesmente maior que nós; mais poderoso, apelativo, carismático e insinuante que tudo o mais que possamos eleger num amplo raio de acção, nesta Kyushu de todas as lendas e narrativas. Um portento...
E depois de uma breve visita à galeria privada da Família Shimada, outro must para quem por cá passe, e ainda que a tarde avançasse a passos largos e contra os ponteiros do relógio, não haveria como eximir-nos a lá irmos: o imponente castelo parece dotado de uma força magnética irresistível que a ele atrai tudo e todos.
E, de facto, pelas cinco da tarde já não era hora de subir a sua altiva torre-mestra de seis andares e apreciar, a par da deslumbrante vista sobre a cidade, a vasta colecção de armas, artefactos antigos muitos, mapas, planos de batalha e extensa documentação histórica exposta ao público e que o seu interior orgulhosamente alberga. Porém, houve ainda tempo de uma breve visita ao esplendoroso Honmaru Goten (本丸御殿 — Palácio de Honmaru), antiga residência dos Senhores de Higo, primeiro com Katō Kiyomasa (加藤清政) — fervoroso adepto do Budismo Nichiren e um dos mais ferozes inimigos dos NanBan e da Cristandade em terras de Kyushu —, e após 1632 do Clã de Hosokawa (細川氏 — Hosokawa-shi), ramo do Clã de Minamoto (源氏 — Minamoto-Shi), casa aristocrática emanada da descendência do Imperador Seiwa (清和天皇 — Seiwa Ten'Ō [850–880]) e dos Shogun de Ashikaga.
E devo dizer que, ao entrar aqui, estranhei: é que quando aqui vim pela primeira vez há cinco anos, o Honmaru Gotenainda cá não estava — melhor dizendo, estava em processo de restauro — tendo reaberto ao público em 2008 —, pelo que não me apercebi, na altura, sequer da sua existência, motivo de sobra para ter valido a pena voltar ontem a Kumamoto.
E este é, de facto, um lugar para visitar a um ritmo pausado e sem trazer relógio de pulso, para absorver, para 'inalar' e do qual reter detalhes muitos. São mil e uma histórias a contar.
Parti com muita vontade de cá voltar com mais tempo — felizmente não fica longe.
Uma visita que nunca cansa.
'Ka'Mon' (家紋 — 'brasões')
dos Clãs de Katō e Hosokawa
Nova Estação de Hakata — 博多駅 [Hakata Eki]—, Fukuoka,
da JR (Japan Railways) Kyūshū,
inaugaração prevista para 3 de Março
É simplesmente indescritível, a experiência de acompanhar, com os olhos, desde a varanda de casa, dia após dia, noite após noite, ao longo de três pacientes anos, o erguer de uma obra desta envergadura.
Com a finalização e chegada da nova linha do "Shinkansen" — 新幹線, o famoso 'comboio-bala', o 'TGV japonês' — à última província no limite sul de Kyūshū, a Prefeitura de Kagoshima [鹿児島], a 12 do mês que vem, é inaugurada já Quinta-Feira da próxima semana, a novíssima Hakata Eki [博多駅], até hoje a estação terminal do troço conjunto Tōkaidō+Sanyō Shinkansen, para quem viaje desde Tokyo nos magníficos Nozomi ou Hikari, até Fukuoka, a ponta mais ocidental do Japão, e vem substituir a estação desmantelada e reduzida às dimensões mínimas indispensáveis no início de 2008, escassos meses antes do desembarque deste vosso NanBan em terras de Yamato.
Ora, como mero mostruário, aqui ficam alguns números:
— nem um só dia de atraso na conclusão da obra (28 de Fevereiro era o prazo contratado pelos parceiros envolvidos na obra, para o encerramento dos trabalhos — hoje à noite, só se viam meia-dúzia de operários na área, atarefados essencialmente em remoção de materiais e limpezas...)
— Cerca de 200.000 ㎡de área, repartidos por 10 andares, com capacidade para cerca de 230 novos espaços comerciais;
— mais de 6000 novos postos de trabalho criados;
— ainda antes da inauguração, o número de visitas diárias já terá ultrapassado a optimista expectativa das 100.000 pessoas...
— uma previsão moderada de facturação comercial na casa dos 70.000 milhões de ¥enes (12 % do total do volume de facturação de todas as áreas comerciais de grandes dimensões em Kyūshū) para o primeiro ano de actividade, e de 93.000 milhões de ¥enes, em média, para os anos seguintes (estimativa em baixa);
— custo total da obra estimado em 80.000 milhões de ¥enes.
(Tudo números muito redondos, claro está [longe de mim, ter um mínimo que seja de pretensões de expertise nestas coisas], apurados, sobretudo AQUI).
Números à parte, aqui vos deixo uma mão-cheia de retratos do novo Forum, feitos hoje ao cair da tarde.