domingo, 30 de janeiro de 2011

THE LAST BANZAI CHARGE! | PARABÉNS NIPPÃO!


PARABÉNS SAMURAI BLUE !
— Tetra-Campeões da ÁSIA —


...E ATENÇÃO EUROPA ao Senhor que se segue:

Defendeu tudo o que havia para defender, ainda foi traiçoeiramente agredido a três minutos do fim, na sequência de um livre a favor do adversário, e nem assim abdicou de um micro-segundo de dedicação ao seu posto...
Continuem a subestimar o futebol Asiático e ainda vão ter uma surpresa...




quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Céu Em Cinzas

(foto: MAINICHI SHIN'BUN  [毎日新聞])

   Alerta máximo em Miyazaki — 宮崎県 —, Sul de Kyushu: 
  o Shinmodake — 新燃岳 —, vulcão situado na fronteira entre as prefeituras de Miyazaki e Kagoshima, está, desde ontem à tarde, em forte actividade e já a causar estragos na região.






E Vão Cinquenta





 "Yojimbo" — 用心棒 
(1961)
de Akira Kurosawa




Mifune e Nakadai em desempenhos de uma vida. 
Inspiração de inúmeras outras obras de referência.
E o arrepiante original music score de Satō Masaru [佐藤勝], no mesmo panteão de Herrmann, Mancini, Rota, Morricone e Barry.


Outra obra-prima a celebrar este ano o seu 50º aniversário, e a rever. 
Obrigatoriamente.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Heróico



foto: MAINICHI SHIN'BUN [毎日新聞]


(um "Clássico" Asiático)

    Em noite imprópria para cardíacos, um jogo de roer unhas até ao último segundo, com os tigres Coreanos a adiantarem-se no marcador aos 23 minutos da partida, na sequência de uma grande penalidade apontada por Ki Sung-yong, e os Samurai Blue a reporem a igualdade no marcador, a nove minutos do fecho da 1ª parte, numa combinação perfeita entre Nagatomo e o ponta-de-lança Maeda, a antecipar uma 2ª parte mais fria e equilibrada.

    Com o fecho dos '90 em igualdade a um golo, veio o prolongamento com o Japão a beneficiar de um penálti duvidoso a seu favor ao minuto 7, (Okazaki obstruído ainda fora da grande área coreana,  a precipitar-se dentro da dita...), onde valeu a recarga do recém-entrado em campo Hosogai, face à falha de Honda na reconversão, fixando (aparentemente) o resultado em 2 - 1 para o Japão.
    Porém, os Sul-Coreanos recusavam-se a aceitar a derrota, e brevíssimos segundos! antes do apito final da partida, um último livre com perigo para a baliza de Kawashima, tremenda bagunça na área japonesa, e o impossível a acontecer: Hwang faz o 2 - 2!


   Depois... a roleta dos penáltis...  Com um Kawashima (guarda-redes Nipónico) simplesmente apoteótico... heróico!...




apologia do pesadelo




Uma amiga enviou-me, ontem, esta 'prenda', no seguimento de uma conversa que vínhamos tendo há uns dias.


Tem momentos e umas quantas tiradas interessantes, sem dúvida. Sobretudo a partir dos 7:20, aproximadamente, são ditas, em voz alta, algumas 'inconveniências' dignas da nossa melhor atenção e registo.


Mas tudo o demais são generalizações grosseiras e infantis (aliás, como todas as generalizações...) e propaganda goebbeliesca da pior espécie. 



Martin Jacques não é mais que um desses muitos marxistas ressabiados fora do seu tempo e do seu habitat natural — não que eu tenha seja o que for de particular contra o homem ou seus correlegionários —, profundamente envergonhado do grotesco desastre em que a sua ideologia de juventude redundou, forçado a prostituir o seu prestígio de think-tanker profissional a quem paga mais, e como boa parte da gente da sua escola, consumido pelo mais febril anti-ocidentalismo primário que faz questão de exibir (ainda que disfarçadamente) com recurso a todos os seus dotes — sim, que é para isso que lhe pagam! e que não sobejem equívocos a esse respeito.
A conclusão desta sua palestrazinha a la Sesame Street, mostra o seu verdadeiro rosto e de quem está por detrás dele.

Tem piada apreciar os discursos desta gente que ganha a vida a dissertar elogiosamente sobre a bala que se dirige a grande velocidade à respectiva testa — ainda que pareça aproximar-se  assim, só, em slow motion...


Mais, hélas, les jeux sont faits... 





terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eu, aprendiz de calígrafo, me confesso... (II)



Shodō — 書道 — da semana:


慧眼
Kei'gan

"Perspicácia" | "Intuição" 






    Apreciação auto-crítica:  
    O 1º Kanji — 慧, kei — é um sinograma ainda em uso no Japão (VER: nesta lista, 18º grupo [mesmo por cima do texto em Inglês], 1ª coluna [da esquerda], 3º a contar de baixo), mas de pouca aplicação, tanto quanto me foi possível apurar. 
   É, ainda assim, susceptível de surgir, com alguma frequência, em textos clássicos revistos, como o "Kojiki" — 古事記 —, o "Nihon Shoki" — 日本書紀 —, ou no mais nosso conhecido "Hagakure" — 葉隠 —, onde encontrei a expressão objecto deste exercício.
      
    Ainda acerca do 1º Kanji, o elemento que aparenta ser o radical [bushū — 部首] superior do mesmo [kanmuri — 冠] que se assemelha a (ou sugere a ideia de) 'duas antenas de televisão', é raro de encontrar noutros Kanji compostos e é particularmente difícil de 'comprimir' por modo a proporcionar o devido equilíbrio com os restantes radicais ou componentes. Daí este meu ensaio padecer, desde logo, pela inaptidão, da minha parte, em inserir o dito elemento superior do 1º Kanji, de modo a, não lhe retirando a 'identidade', ajusta-lo, proporcionando-o no espaço e no contexto da composição em causa, o que, na minha apreciação pessoal, a posteriori, me parece não ter ficado bem, bem o que era pretendido... 
       
       
       Neste outro exemplo/'ensaio', a mesma dificuldade.



    

    Já os radicais central e inferior no mesmo KanjiKei, 慧 —, em ambos os casos parecem ter ficado bem... O radical inferior [ashi — 脚], 'kokoro' [心], é sempre de difícil execução, virtude do movimento "semi-elíptico", que descreve no traço mais longo que o compõe.  


  No que respeita ao 2º Kanji, em ambos os exemplos, a dificuldade, ou melhor, a imprecisão, da minha parte, prende-se com  o me'hen [目編] ou moku'bu [目部], isto é, o  radical do lado esquerdo (que significa "olho" ou  "visão" [目]), e que, em ambos os casos, deveria ter ficado um pouco mais comprimido, devendo destacar-se a componente da direita.


     Em todo o caso, espero que gostem.

     Aguardo as vossas impressões. ☺






"Oh cheeky cheeky
Oh naughty sneaky,
You're so perceptive
And I wonder how you knew..."

    

domingo, 23 de janeiro de 2011

Um Lugar Em Paz... (IV)





























西教時 — Saikyō-Ji, 22.01.2011



  Ao passar por lá ontem a meio da tarde, apercebi-me que era a primeira vez que via o Saikyō-Ji sob o azul do céu.

  Todo o bairro de estreitas vielas e casas de um-só piso térreo em redor do Shofuku-Ji [福寺] — do qual o Saikyō-Ji é templo-satélite — jazia envolto num sepulcral silêncio, coisa estranha neste lugar, mesmo num Sábado à tarde, e ainda que este 'nagare' seja dado à mais imperturbável pacatez, que preserva por apanágio.


    E não se via vivalma, fosse qual fosse a direcção que o olhar tomasse...













     Por ali passava ontem, por mero acaso.

       O portão do Saikyō-Ji estava aberto.

    Defronte do Saikyō-Ji há uma velha loja de esquina, espécie de mercearia de bairro cujos simpáticos, idosos donos albergam uma enorme família de gordos e amistosos gatos que passam os dias a vaguear entre a pequena loja e a vizinhança. 

     Ah! Eis, aqui, alguns retratos, 'snapshots' nocturnos dos anafados bichanos, captados em Outubro passado por altura do último Tōmyō, que creio não ter aqui partilhado antes convosco... 





























     Mas, por esta tarde de Sábado, a dita loja fechada estava. E dos felizes felinos nem sombra...


         Porém, o portão do Saikyō-Ji estava aberto.
         Entrei. 

         Ninguém em redor. 

     Na escadaria do Templo, alguns pares de sapatos delicadamente alinhados.

      Detenho-me, por um momento, diante do enorme Kane [鐘 — sino] de bronze sob o peso do elaborado Shōrō [鐘楼] de frisos e traves esculpidas.















Há silêncio.














E eis senão quando, do interior do grande Butsu'den [仏殿] ou Hondō [本堂], oiço cânticos solenes.

Era a hora das orações.




domingo, 16 de janeiro de 2011

Eu, aprendiz de calígrafo, me confesso...







Incursões pelo inóspito território do Shodō書道 —, 
ainda a medo e a ver se lhe ganho o jeito...




E a ver, ainda, se um dia destes me acho em condições de aqui anunciar 
"Aceita-se encomendas"...




最後の南蛮人
(Saigo No Nan Ban Jin)

Por ora, hélas, só esboços de um diletante...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

...E É Assim, Branco No Preto...




Antes disso ainda tive a felicidade de os ver live num pequeno clube em Tóquio, em Abril do mesmo ano. Devo dizer que o espectáculo não me impressionou  nem pouco-mais-ou-menos por aí além (de uma banda em fim-de-digressão, afogada em jet lag, a despachar temas de um único album, o de estreia, como quem acaba de limpar a casa ao fim do dia e está mortinho por uma boa noite de sono, que mais esperar?...) mas nem assim, por um instante, duvidei estar perante um jovem trio-que-é-quarteto dotado de uma das melhores químicas sonoras das últimas duas décadas...


Agora expliquem-me lá os doutos titulares das cátedras do costume, nestas coisas pouco ou nada academicamente relevantes, onde está o mal desta rapaziada na casa dos vinte e poucos  usar e abusar de riffs, linhas de baixo e synth-string arrangements que nos remetem, inevitável e invariavelmente para as mesmas referências de sempre — Joy Division, Wire, Chameleons, Echo & The Bunnymen, Teardrop Explodes, Cure '82 ou mesmo uns Ultravox! (fase John Foxx|"Systems Of Romance") ou uns Duran Duran (1981-'85)...  Quem aqui não tenha pecado, que atire a primeira pedra... (e bem sabeis de quem vos falo...)




O Rock é mesmo assim: o mesmo jogo com o mesmo baralho de sempre, as mesmas cartas baralhadas um cento de vezes e tornadas a dar, com que os mesmos truques e míseras batotas prestidigitadas um, dois, outros três centos de vezes, se apresentam e sucedem perante os que nunca se import(ar)am de ser ludibriados — até gostam! —, porque o que interessa é tão-só a emoção do jogo e nunca a sua originalidade. Os mesmos clichés reciclados até à exaustão? Claro que sim! Mas que os reciclem com pinta!
'The rest's the same ol' white lies...'

(Oh! E quem me dera ter outra vez dezoito anos e poder estar numa banda assim...)

Novo album na calha. Ao que parece chama-se "Ritual".  
(que título perfeito! Melhor só mesmo "Ritual de Lo Habitual", mas desse já outros se lembraram, vai para mais de duas décadas!...). 
E, em todo o caso, este é um rito que eu celebro com todo o gosto!

Espreitar aqui. ☟








quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ainda dos dias quentes...



Rakusui'en [楽水園], Hakata, 24.10.2010



   "Furtar um beijo como quem tira um coelho da cartola, meter o braço recordando a habilidade dos manipuladores de lustro, quase engraxates, ou admirar o religioso dos grandes monumentos de intensidade, era um tudo que bastava à minha alma."



Ruben A., in "O Outro Que Era Eu"  (1966)











domingo, 9 de janeiro de 2011

"Onisube" — 鬼すべ



Não. 
Não é nenhuma revolução em marcha, nem sequer um protesto...
Mais um — desses, dos ancestrais credos desta gente, que teimam contra o Tempo...

("Onisube" [鬼すべ], em Dazaifu [太宰府], Fukuoka, Kyushu — foto da excelente colecção de Jesus Guzman-Moya)





(Foto: MAINICHI SHIN'BUN [毎日新聞], 7.1.2011)


sábado, 8 de janeiro de 2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Leve





Morricone — "Lontano"

打ち込み!



Uchikomi [打ち込み] + Kakari'geiko [かかり稽古]*

Para os já familiarizados com a prática do Kendo [剣道], as imagens não deverão dar causa a qualquer perplexidade. 

Para os menos ou nada familiarizados com a prática do Kendo, fica o esclarecimento: Uchikomi keiko [打ち込み稽古] é um exercício fundamental na prática desta exigente arte d'armas e consiste na situação em que um dos kenshi (praticantes) apresenta, em rápida sucessão, um número indeterminado de suki ('aberturas' susceptíveis de receber os golpes do adversário), devendo o co-praticante executar as técnicas de combate, ditas waza [技], de forma correcta, rápida e determinada e sem perder concentração ou esmorecer por efeito da fadiga, 'agarrando' o máximo possível de 'suki' que lhe são apresentadas...
かかり稽古 — Kakari'geiko, por seu turno, assemelhando-se ao Uchikomi keiko, acrescenta-lhe um 'extra' de agressividade e de intensidade, devendo, neste caso, o shidachi — o aluno — procurar, de uma certa distância, desequilibrar o motodachi — aqui, o Mestre — e este deve aparar e corrigir os golpes e a postura do shidachi quando estes se mostram incorrectos ou de fraca valia.
Escusado será dizer que isto é estafante. E, de qualquer modo, as imagens falam por si....

Mas se quereis os vossos petizes rijos e prontos para a grande luta da vida, nada como uma boa prática desta ancestral arte dos Bushi e uns valentes uchikomi

É vê-los...

Hajime!  








*Reeditado pela tarde de hoje, 6 de Janeitro, tendo-me apercebido só nesta altura que o 1º vídeo retrata um valente Kakari'geiko e não um Uchikomi keiko! Falha minha. Grave. Aos meus amigos e leitores, as minhas sinceras desculpas.