terça-feira, 30 de novembro de 2010

Capítulos Omissos (IV): Au Clair Du Néon...




    Antes de partir e deixar a cidade por alguns dias, gostaria tão-só de partilhar convosco esta singela, narcoleptica colecção de snapshots reunida em Outubro passado e que por mil e um motivos ainda aqui não calhara — お勧め: aos interessados, sugiro que optem pelo full-screen para uma melhor apreciação deste slideshow (deliberadamente repetitivo e sedativo, perfeito para quem venha sofrendo de insónia...), prenda do vosso NanBan.

    Homenagem/Ode audio-visual a este doce, terno porto de Hakata que me serve de exílio.

    From Kyūshū, With Love.

    Até já! 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Hoje Sim: A Tristeza É Absoluta...









Farewell Sleazy



LOVE IS THE LAW,

LOVE UNDER WILL!





COIL

(P.C. [Sleazy] — 27.11.1955 — 25.11.2010)

(Jonh Balance 16.02.1962 — 13.11.2004)




























T.G.



























"Desanuvia, NanBan, desanuvia..."

























"Don't you turn your back on me while I'm talking to you!" 


(So he says...)


"Oh yeah... Keep talkin'..."  
(So I say)





" ♬ There's a place around the corner [where your dead friends live] ♬"



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

25.XI (2)

































Espectro que me persegues, 
sempre,

no caminho de casa.












Morto,
tão morto aos olhos d'outrém.










Vivo,
tão vivo neste coração
que tua mágoa comunga...





























































Franz Schubert, "Der Doppelgänger" (1828), Dietrich Fischer-Dieskau (barítono)  





 

紅葉






'Kōyō' — 紅葉 — um milagre a cores...








Fotos: Mainichi Shimbun [毎日新聞]



Frédéric Chopin, Étude Op. 10, No 3, "Tristésse", Nikolay Lugansky, piano


25.XI













































Viveu, criou, agiu, deu tudo de si, morreu 
na exacta medida do seu absoluto génio.

Ridículo?

Ridículos são os outros. 


'Rari Nantes In Gurgite Vasto'




Franz Schubert, "Nacht und Träume", Dietrich Fischer-Diskau (barítono)  




*Virgílio,  Eneida, I, 118

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Uma Odisseia




É facto que, há vários anos atrás, quando vi este filme pela primeira vez, não fiquei nada bem impressionado.

Creio que o aspecto, na altura, que mais me feriu foi o 'casting' que me pareceu terrivelmente desajustado do mínimo exigível (o 'meu [nessa época] mínimo exigível'), sobretudo no que respeita à escolha do saudoso Ogata Ken [緒形拳, 1937 - 2008] para o papel principal — Mishima em plena maturidade.
Creio que também, à época, não gostei nada das constantes altercações entre preto-e-branco e os tons berrantes a querer-ser-deliberadamente-kitsch que consomem os capítulos dedicados às obras escolhidas do homenageado. Creio também, e se a memória me não falha, que não estava, então, minimamente em sintonia com as orquestrações minimal-repetitivas (assim o terei interpretado na altura) de Philip Glass
Mas na altura era um catraio que nem sabia o que queria nem do que gostava ou deixava de gostar.


Revisitado por mim recentemente, virtude da aquisição de uma re-edição em DVD da qual há dias vos falava — de início com os olhos postos mais nos suplementos documentais que integra como 'piscar-de-olho' aos potenciais interessados, do que na película que lhe dá o mote...— agora quero afirma-lo com todas as letras: 
este "Mishima: A Life In Four Chapters" de Paul Schrader é pur'e simplesmente um MONUMENTO de assombro — a mais bela homenagem que alguém, algum dia, poderia ter prestado ao Homem (assim mesmo com "H" grande, que é como deve de ser!!) 
Um portento.
É guião, é actores, é cenários, é fotografia, é guarda-roupa, é a música do arco-da-velha,  é luz, é som... é TUDO! É simplesmente TUDO.  TUDO.  TUDO. 


Se ainda não viram, vejam! 


Mas vejam mesmo.


E já agora: regresso ao tema de ontem... 



terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Casa Misteriosa






       Não. 

       Não vos venho hoje falar de qualquer mansão assombrada, ou por outra... de uma qualquer estrutura hoje ou ontem destinada a habitação física de seja quem for, e sobre a qual pendam rumores de almas penadas a deambular-lhe os corredores noite fora ou meras memórias de mau agoiro.


       Venho antes falar-vos de um livro.  Um livro em particular...

     Um livro, estranhamente (ou nem por isso) resvalado, faz tempo, e assim me quer parecer, para a vala comum de um certo oblívio colectivo. Obra que, aliás, e não serei eu o único a notá-lo, permanece envolta num peculiar mistério: porque permanece "A Casa de Kyoko" [「鏡子の家」— Kyōko No Ie], até aos dias de hoje, ignorado, por traduzir e por editar onde quer que seja fora do Japão? 

(escusado será dizer que a minha demanda já me levou a todos os mercados livreiros, editoras de referência, em todos os idiomas que domino ou arranho, sem que encontrasse explicação plausível para tamanho 'buraco negro' na galáxia de Mishima Yukio...)
       
        



           "An unsettling, even a terrifying book", assim  John Nathan se lhe refere na sua notável biografia do autor de "O Mar da Fertilidade" [豊穣の海 — Hōjō No Umi], a monumental tetralogia com que encerra a sua prodigiosa carreira literária e artística nesse 45º Ano de Shōwa (昭和 45年 [1970]), aos 45 anos de idade, sublime e trágica epopeia em quatro tomos, uma pintura prosaica de dimensões oceânicas enquanto retrato do seu país, largando de 1912 — conclusão do Período Meiji que conduzira, ao longo de pouco mais de quatro galopantes décadas, um Japão tardo-medievo de Samurai e Daimyo montados a cavalo, de armadura e sabre em riste, à condição de grande e temida potência industrial-militar do início do Século XX — aos anos do apogeu do milagre económico do Pós-Guerra, os anos dessa louca e cega ganância, como o próprio a desdenhava amargamente e da qual preferiu não participar — a década de 70... — e coincidentemente, assim parece, "Kyoko No Ie — A Casa de Kyoko" manifesta, também ela, a sua ordem de intenções num idêntico movimento circular por quatro partidas, num processo comparável ao de um "Quarteto de Alexandria" de Durrell, mas aventurando-se, de sua feita, por territórios bem mais inóspitos e pantanosos que esses percorridos pelo autor dess'outro "Livro Negro" ("The Black Book", 1938).

           
           "A Casa de Kyoko" poderá ser, de um certo prisma, observada como uma espécie de "ficção-hermenêutica", a par de "Confissões de uma Máscara" [仮面の告白 — Kamen No Kokuhaku] de 1949, uma obra essencialmente 'confessional' e auto-interpretativa, uma "novela-espelho" por assim dizer, e aquando da sua prolongada redacção, empreendida entre Março de 1958 e Junho de '59, ao longo de quinze frenéticos meses de ansiedade extrema e penoso esforço criativo — Nathan, transcreve na referida biografia, diversas e elucidativas passagens do diário mantido por Mishima ao longo desse período, as quais reflectem como nenhum outro testemunho, a determinação, a inquietude e as enormes expectativas acalentadas pelo escritor a respeito desta ambiciosa obra —, Mishima depositaria, nesta empreitada, o absoluto máximo de si, optando inclusive por levar a respectiva escrita até à última página, eximindo-se de a fazer publicar em formato 'serializado' (i.e. em fascículos)  conforme era voga no Japão literário dessa época e cuja 'conveniência' editorial havia privilegiado aquando da publicação da vasta maioria das suas obras anteriores — estrondosos 'best-sellers' na generalidade dos casos...


           A tépida recepção por parte quer do público, quer da crítica — que qualificaria secamente "Kyoko No Ie" como sofrível —, terá actuado como o infligir de um rude golpe no ego e enfatuada auto-estima de Mishima — Henry Scott Stokes, o outro seu biógrafo, interpreta mesmo na sua opção de, no ano seguinte (1960), aceitar o improvável papel do irrecomendável rufia de "Karakkaze Yarō" como uma pueril vingança dirigida contra estas duas frentes de inconsolados...—, e o fracasso da obra que tanto tempo lhe consumira e na qual havia depositado tão grandes antecipações, como Nathan a esse respeito salienta, terá desempenhado um papel de crucial importância no desenlace dos eventos que marcariam a vida de Mishima pela década seguinte adentro e até aos seus últimos dias entre os seus...  
           



          

             "Kyoko No Ie" segue a par e passo as vidas entrecruzadas de quatro personalidades:

  1.     Shunkichi, um pugilista "isento de pensamento". Numa rixa de rua entre meliantes, Shunkichi é duramente atingido no braço direito pelo impacto de um taco de baseball e vê-se subitamente incapacitado para a prática do boxe, seu modo de vida, e para o resto dos seus dias. Na senda de um novo propósito que lhe ofereça uma chance de viver à medida da sua moldura de homem de acção, junta-se a uma formação de Uyoku dantai.   
  2.      Natsuo, um prestigiado pintor que se vê a si mesmo como a "encarnação de um anjo" cuja existência é velada por uma entidade transcendental. A sua vida flui isenta de preocupações mundanas, porém, aquando de uma subida ao Monte Fuji, Natsuo é assaltado por uma visão do Apocalipse. Reflectindo sobre a sua posição no Mundo, e ciente do sucesso e bem-estar material e espiritual que o bafejam, receia, contudo, a inveja e as intrigas dos seus pares. Natsuo contempla o suicídio no zénite da sua carreira como uma possibilidade de escape, mas no momento de se decidir o seu destino é visitado por uma nova visão que lhe transmite que "aquilo que vê e o 'ele-que-vê' são um só em uníssono"
  3.     Osamu, um actor. Consumido pelo mais concupiscente narcisismo, o ocioso Osamu é um cínico entediado. Descrente da arte e vida de palco que lhe dá sustento, intriga-se sobre o valor da sua própria existência e sobre o enfado que lhe consome os dias. Envolvendo-se com uma poderosa proprietária, credora de sua mãe, Osamu descobre o prazer na dor carnal e a luxúria própria de uma relação sado-masoquista com a amante que o 'comprou' (a troco de um perdão das dívidas que pesam sobre o negócio da mãe), processo que o arrasta a uma perigosa obcecação com a ideia de ambos se unirem eternamente no acto final e grandiloquente de um duplo suicídio...
  4.      Seiichirō, um negociante de sucesso. Seiichirō é um típico e respeitável 'shōsha'in' (商社員), um executivo de negócios de uma grande corporação, tipo social emergente do Japão do Pós-Guerra. Na sua juventude, Seiichirō viveu intensamente os brutais dias dos 'Daikūshū'a impiedosa e devastadora campanha de bombardeamentos levada a cabo pela aviação Americana sobre Tóquio e demais cidades do Japão desde os primeiros meses de 1945, com 'especial' recurso a bombas incendiárias de elevado poder destrutivo que reduziriam a capital imperial a um desolado deserto de cinzas entre Fevereiro e Agosto do último ano de guerra —, e cuja memória lhe assola a existência. Na verdade, Seiichirō recorda os dantescos incêndios que consumiriam a sua Tóquio natal nesses derradeiros dias da Guerra com o inconfesso sentimentalismo de uma lânguida nostalgia com a qual embriaga o espírito, saudando essas distantes noites de titânicas labaredas devorando o Ginza da sua mocidade, como o único tempo da sua vida que o fez sentir verdadeiramente vivo! O Mundo, através dos seus olhos fixos no horizonte toldado pelos novos edifícios dos anos da reconstrução, acha-se condenado à hecatombe, mas Seiichirō conduz a sua vida e tarefário com exemplar diligência e escrúpulo, seguindo lealmente o lema de 'viver a vida de outrém como a mais convencional das vidas'. Vem a casar-se com a filha do patrão e posteriormente é enviado para Nova Iorque como representante cimeiro dos negócios da sua empresa na América. Seiichirō 'sofre de uma doença incurável: a Saúde'...   


            "A Casa de Kyoko" será certamente e também um retrato do Japão do seu tempo — a década de 50, pouco mais de um decénio adentro sobre o término da Guerra que tanto marcara Mishima e a sua geração —, mas sobressai desde o primeiro instante como um retrato do artista enquanto homem na meia-idade, dissecação minuciosa de um universo privado que a década seguinte revelaria mais detalhado e em toda a sua dimensão: todos e cada um dos personagens de "Kyoko No Ie" representam, inequivocamente — e todos os leitores da dita logo assim o compreenderam desde a primeira hora —, uma e várias das muitas facetas do escritor. Não causarão, pois, espanto de maior a perplexidade e angústia que se abateram sobre Mishima ao tomar conhecimento de que estava perante o seu "primeiro grande fracasso", como um certo sector da crítica logo tratou de rotular este ambicioso edifício literário de mais de novecentas páginas de manuscrito original...

           Mishima procuraria, ele mesmo, apresentar justificativo para o (relativo) fiasco da sua obra de quase mil páginas de extensão: "O pintor representa a persistência da sensibilidade, o pugilista, o ímpeto da 'acção', o actor, a consciência de si-mesmo, e o executivo, um estado de compromisso com o Mundo e a Vida tal como ambos se (lhe/nos) apresentam. É natural que, sobre as personalidades dos quatro, recaia a expectativa de que todos e cada um se convertam em abstracções purificadas. " 


             Não.
          Não irei maçar-vos mais alongando-me na exposição da minha interpretação pessoal do conteúdo e significado profundos desta obra. Prefiro antes acicatar o vosso interesse recorrendo à aludida 'natureza profética' da mesma, nas palavras de John Nathan:


      "Kyoko's House was to Mishima's thirties what Confessions of a Mask was to his twenties. Both works are an accounting testimony to an astounding degree of self-knowledge; both works constituted in themselves a process of self-discovery. There is no knowing wether Mishima knew he was predicting his own fate when he wrote Kyoko's House. But one thing is certain; the developments of the sixties, the shift to the politics of the Right which culminated in Mishima's "patriotic" suicide, did not suddenly appear. Surely all the elements were there by 1958 and just as certainly Mishima was sensible to them."



        Só continuo sem entender porque motivo permanece esta obra por traduzir e editar entre nós. 
           Indecifrável enigma (aparentemente).

         Mas se nos próximos tempos ninguém se chegar à frente, quem se lhe atira de garras afiadas sou eu!...

          Nem que seja só para consumo privado.









Theme: "Orson Welles' Great Mysteries" [1973 - '74] by John Barry 



Bibliografia:




  • Mishima, Yukio: 「鏡子の家」, 新潮文庫 [Shinchō Bunko], Tokyo, 1959.
  • Nathan, John: "Mishima, A Biography", Tuttle Publishing, Tokyo, 1975. 
  • Stokes, Henry Scott: "The Life and Death of Yukio Mishima", Tuttle Publishing, Tokyo, 1975.

domingo, 21 de novembro de 2010

Outras Flores... ["Wider, Baby, Smiling You Just Made A Million..."]



Na sequência de outras aventuras recentes, e porque a ocasião assim merece.

E porque não é todos os dias que as vêmos... 

A todos vós quantos vos deleitais nestas visões remotas de uma remota paisagem...

"See them walking hand-in-hand across the bridge at midnight..."

e já agora... 



PLAY AT MAXIMUM VOLUME 
(que eu hoje estou particularmente bem-disposto)







"Heads turning as the lights flashin'out are so bright..."








"And walk right out to the four line track 
There's a camera rolling on her back..."








" —...on her back... —"
































"...And I sense the rhythms humming in a frenzy 
All the way down her spine..."






























"Wider, baby, smiling and you've just made a million..."











"Fuses pumping live heat twisting out on a wire."









"Take one last glimpse into the night 
I'm touching close 
I'm holding bright..."










"...holding tight ..."



























"Give me shudders with a whisper, 
Take me high 'til I'm shooting a star..." 












"Girls on Film  (she's more than a lady...)"

"Girls on Film"








"Girls on Film   (see you together)"

"Girls on Film ..."






"Girls on Film  (see you later...) "

"Girls on Film"

















"Girls on Film  (Two minutes later...)" 

"Girls on Film"



















 "Girls on Film  ('Got your picture!...') "






 








"Girls on Film..."